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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Colaboração para o site UOL mulher sobre a relação homens e mulheres

Participei como colaborador do texto "Amigos homens são mais cúmplices, mesmo sem expressar sentimentos" do site UOL mulher. Segue abaixo o link com o texto:
http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2013/10/11/amigos-homens-sao-mais-cumplices-mesmo-sem-expressar-sentimentos.htm

Copyright © 2013 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.
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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Decepção amorosa e o medo de se apaixonar no UOL mulher comportamento

Entrevista concedida as jornalistas Marina Oliveira e Rita Trevisan do UOL sobre como superar as decepções amorosas.
Veja o link abaixo com a matéria na íntegra: http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2013/06/21/decepcao-amorosa-causa-medo-de-se-apaixonar-saiba-como-superar.htm


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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Entrevista sobre generosidade e solidariedade e seus benefícios para o site UOL


A jornalista Marina Oliveira, produtora de conteúdo corporativo e editorial do canal mulher do UOL, pediu uma entrevista sobre como fazer o bem pode colaborar com o bem-estar de uma pessoa, a ideia é dialogar um pouco sobre generosidade e solidariedade. 
Segue o link da matéria editada: http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2013/01/21/exercitar-a-tolerancia-e-a-gentileza-sao-formas-de-praticar-a-solidariedade.htm

Segue a entrevista na íntegra:

1) O fazer o bem pode trazer benefícios a vida de uma pessoa? De que maneira?
Em um experimento com ressonância magnética funcional[1] quando uma pessoa doou parte de seus bens o aparelho registrou uma ativação no núcleo accumbens[2] e na ínsula, regiões cerebrais ligadas a área de recompensa emocional. É interessante constatar que pessoas comem doces, chocolates, comidas muito saborosas ou fazem sexo têm também essas regiões mais ativadas. Como ambas estão ligadas a sobrevivência e reprodução e por isso garantem a sobrevivência da espécie os pesquisadores e estudiosos do assunto levantaram a hipótese de que a capacidade de compartilhar, doar, ajudar... tenham sido necessárias no curso da evolução para garantir a progressiva socialização dos homens. Essa pesquisa revela que, do ponto de vista neurocientífico, sentimos prazer não apenas em receber, mas em doar e em se doar também. Provavelmente, em algum momento da nossa evolução passamos a ter comportamentos que iam além dos mínimos necessários para simplesmente comer e reproduzir. Em algum momento da vida de nossos ancestrais, aqueles que tinham a capacidade de se solidarizar deixaram mais descendentes do que aqueles que não se solidarizavam. Até o ponto que os últimos praticamente desapareceram. Neste sentido, ser solidário, ser capaz de sentir o que o outro está sentindo, passou a ser mais vantajoso evolutivamente falando, do que não o ser. As pressões evolutivas que forjaram a empatia, a solidariedade nos humanos, acabaram por criar uma das dinâmicas comportamentais mais impressionantes da evolução. Em outras palavras, o comportamento altruísta se manteve, foi selecionado porque trouxe benefícios ao grupo.
A nível individual foi observado que o ato de ajudar aos outros pode trazer vários benefícios. Os mais evidentes são o aumento da autoestima. Em geral, isso acontece porque a pessoa se sente útil aos outros, se sente especial, importante. Muitas pessoas que sofrem de depressão, por exemplo, e partem para trabalhos voluntários com o passar do tempo percebem uma melhora significativa no seu humor e na melhora do convívio com seus pares.

2) Muitas pessoas dizem não conseguir ajudar o outro por não dispor de tempo ou dinheiro. Podemos desmistificar os atos grandes (trabalho voluntário, atuação em ONGs e centros de caridade), e dizer que é possível ajudar ao próximo com pequenas ações? Você poderia citar algumas destas ações?
            Generosidade e solidariedade são coisas boas. Dar uma força, uma mãozinha, quebrar um galho devem ser exercitadas e executadas por todos, desde o cidadão comum até os governos. As formas de falar - e ajudar - são muitas e podem ser classificas em três grandes grupos:
a) Ajudas emocionais: alegrar pessoas enfermas em hospitais como é o caso das pessoas que aderem ao papel de palhaços e animadores, fazer visitas a pessoas idosas ou a orfanatos, ouvir e aconselhar um amigo que passa por problemas emocionais, participar de algum tipo de voluntariado, fazer visitas a pessoas enfermas...
b) Ajudas financeiras e materiais: adotar financeiramente uma instituição filantrópica, ajudar pessoas com roupas e mantimentos, por exemplo, em tragédias ou catástrofes naturais (deslizamentos de terras, enchentes, secas...), ajudar financeira e materialmente um familiar ou amigo...
c) Apoio político devido a identidade de pensamento: apoiar algum grupo político minoritário, participar de passeatas, assinar um ato político...
Em suma, participar de qualquer atividade que ajude aos outros de alguma maneira é uma forma de manifestar solidariedade.

3) Ser mais tolerante e paciente com as pessoas e até com as próprias limitações da vida é uma maneira de fazer o bem?
            Sim. Pessoas mais tolerantes as frustrações tendem a criar vínculos mais saudáveis. Em geral são pessoas mais afetivas. Uma pessoa que aceita a vida como ela é e consegue conviver com as frustrações derivadas dos relacionamentos consegue desenvolver melhor seu autoconceito.

4) Fala-se muito hoje de relações superficiais, que muitas pessoas não conseguem desenvolver vínculos mais profundos e manter amigos por falta de generosidade com o outro. Por não conseguir doar-se e saber trocar. O fazer o bem também poderia ser aplicado nestes casos? De que maneira?
A postura solidaria ou o fazer o bem ao outro envolve a capacidade de identificar e compartilhar o sentimento de outra pessoa. Está associada ao sentimento de empatia que é quando o sentimento do outro passa a ser a mesma morada. É quando um se coloca no lugar do outro e parte para ajudar. Pode-se dizer que é uma das características mais impressionantes da nossa espécie. Inclusive a nossa espécie é a única que conforta seus semelhantes na dor. Somos capazes de identificar com detalhes a dor do outro e sentir fisiologicamente o que este outro deve estar sentindo. Se o vizinho, por exemplo, perde um filho jovem, somos capazes de chorar pela dor que ele está passando, mesmo sem nunca termos conversado com o vizinho.

5) O que a pessoa deve ter em mente ao decidir mudar suas atitudes para ajudar o outro? É preciso abrir mão do que para realmente fazer o bem de uma maneira orgânica?
            A pessoa precisa se livrar de sua vaidade e começar a observar mais aos outros ao seu redor. Fazer um exercício de observar os desejos e necessidades dos outros. Vale também indagações do tipo: Quanto você faz pelo outro? Qual o seu tempo gasto com o outro? Quanto você presta atenção no que o outro fala?
Se você não sente satisfação em estar com o outro, prestar atenção, fazer pelo outro provavelmente você não é uma pessoa afetiva ou solidária.
E como mudar isso? Para mudar é necessário a difícil arte de se envolver com as pessoas. É preciso experimentar contextos mais afetivos, ou seja, entrar em contato com pessoas sensíveis as outras e observar o comportamento delas como modelo de ação. Todavia, comportar-se afetivamente e controlado por regras no início não é saboroso. Para o afeto fazer parte do repertório é preciso muita paciência e muitas histórias de convívios afetivos. A seguinte regra é muito necessária: “Tomar decisão sempre pensando no outro”, no início é uma regra emprestada que não produz ganhos, mas se experimentada produz bons frutos porque as outras pessoas de aproximam mais e retribuem com afeto. Há ainda outras regras que servem como incentivadoras de afeto como por exemplo: “Procure honestamente ver as coisas do ponto de vista do outro.” 

6) Esta transformação interna pode ser algo trabalhoso? Como tornar isto algo mais tranquilo e natural?
            É algo trabalhoso porque envolve o desenvolvimento do repertório afetivo. Que na sua essência envolve a capacidade de se colocar no lugar do outro e fazer algo para ajudar. Como vivemos em uma cultura muito competitiva o ato de ser generoso é pouco ensinado ou entra em condições de incompatibilidade. Por isso ir para a terapia é um caminho mais rápido porque há o terapeuta como fonte de modelo afetivo e como modelador do repertório de empatia. No entanto, como a terapia é relativamente algo caro, seguir exemplos de pessoas afetivas e tentar reproduzir tais comportamentos no cotidiano pode ser uma boa saída.
           
7) Se ela quiser começar esta transformação amanhã, o que pode começar mudando?
            Comece por atos simples. Todos os dias pratique pelo menos um ato de bondade. Pode ser até uma palavra de conforto que possa refletir sua solidariedade para aliviar a dor de alguém. Lembrando que ter compaixão do outro abre espaço para se importar com essa pessoa e ajudar. No entanto, isso não precisa ser dito e nem deixado claro para a pessoa que está sendo ajudada porque ela pode vestir o papel de vítima ou em casos de orgulho pode não aceitar a ajuda.



[1] O aparelho de ressonância magnética funcional revolucionou as pesquisas e os diagnósticos na década de 90. Ele é um aparelho que tem um procedimento de varredura baseado em computador que utiliza fortes campos magnéticos e pulsos de radiofrequência para produzir uma imagem de uma seção transversal do cérebro ou do corpo. Este exame gera imagens computadorizadas do cérebro em ação, com indicação de quais regiões cerebrais mostram mais atividade neural durante uma determinada tarefa. Ele oferece maior precisão do que o exame de tomografia computadorizada.
[2] O núcleo accumbens é uma região que faz a interface entre os órgãos do sistema límbico e o córtex frontal. Inclusive são as mesmas áreas associadas ao uso de drogas como a cocaína, nicotina, anfetamina, álcool... Em um experimento realizado na década de 60 com pessoas depressivas foi estimulado eletricamente o núcleo accumbens e isso produziu sensações prazerosas curiosas. Alguns pacientes chegaram a o extremo de compará-la a uma espécie de euforia orgástica, ao passo que outros, segundo relatos, foram mais longe: apaixonaram-se pelos cientistas responsáveis pelo experimento. Além disso, os pacientes que podiam autoaplicar a estimulação apertando um botão fizeram isso compulsivamente. 

Copyright © 2013 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.

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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Matéria para a Revista Atrevidinha sobre amizade entre garotos e garotas



Matéria para a Revista Atrevidinha sobre "Amizade verdadeira entre garotos e garotas: Isso é possível?" Quem entrevistou-me foi a repórter Rita Trevisan.

A matéria editada é essa: http://atrevidinha.uol.com.br/tag/relacionamentos/

Abaixo está a matéria na íntegra:
1) Esse tipo de amizade, que começa a surgir justamente nessa época da pré-adolescência, pode existir independente de um interesse afetivo? Em outras palavras, pode existir amizade verdadeira e sem segundas intenções entre meninos e meninas?
            Pode existir, mas é exceção, não é regra. Poderia dizer, a grosso modo, que  de 20 a 30% dos casos isso é possível. Além disso, o garoto não precisa ser homossexual, pelo contrário, amigos heterossexuais podem ser grandes amigos de meninas sem segundas intenções. Geralmente os meninos pensam que esse tipo de amizade não existe, que sempre alguém quer “algo mais”. Se de fato fosse assim, não existiria amizades verdadeiras com pessoas de sexos opostos.
É importante lembrar que antigamente a amizade entre um menino e uma menina era um grande passo para o casamento. Como bem descrito no livro “Dom Casmurro” de Machado de Assis. Mas hoje em dia tudo isso mudou, meninos e meninas podem viver juntos e sem traçar um caminho para o namoro e nem para o casamento.

2) Como lidar com as diferenças que naturalmente existirão entre você e o garoto pelo simples fato de ele ser um garoto?
            Em nossa cultura, ainda os filhos homens tem que suprir aquilo que seus pais não conquistaram. Funciona, a grosso modo, assim, a mãe espera um filho super-homem, um herói e por isso ele é educado para ser forte. Neste sentido, a mãe tem uma fantasia do filho. Como se este tivesse que suprir as expectativas dela. Para muitos pais os filhos frequentemente representam um projeto de imortalidade deles. Em oposição, a menina é preparada para ser gente grande; De certa forma, o brincar de casinha a prepara para lidar com os filhos e com a realidade prática e de responsabilidade no futuro. A menina é educada para ser esperta e cuidadosa. As consequências disso no campo sexual são bastante interessantes porque o garoto é construído nesta base heroica, desenvolve a necessidade de demonstrar um desempenho sexual altíssimo e a garota, no campo sexual, quer mais afeto e proteção em detrimento do desempenho sexual. Além das diferenças culturais de aprendizagens, há ainda as diferenças biológicas (hormônios, genética específica ao gênero...). Portanto, devido as diferenças biológicas e culturais entre garotos e garotas, pode-se destacar características específicas de gênero:
Sensibilidade - Eles não têm a mesma sensibilidade que as meninas, o que deixa as coisas um pouco desequilibradas, principalmente naqueles dias de TPM, que a menina fica mais agressiva, quer chorar porque viu o mínimo de injustiça. O garoto por não ter um ciclo menstrual acredita que isso é frescura.
Sair e a espera - Os garotos não tem paciência de esperar as garotas se arrumarem. Eles ficam apressando e dizendo que elas estão ótimas de qualquer maneira, nem precisa se arrumar demais e muito menos passar maquiagem.
Brincadeiras - Os garotos têm mais brincadeiras estúpidas e agressivas.
Atenção focada - O garoto tem uma atenção focada, ou seja, apenas consegue realizar uma tarefa de cada vez. Em contrapartida, a garota é multi-tarefada, consegue realizar inúmeras tarefas ao mesmo tempo.
Egocentrismo - Os garotos tendem a ser mais egocêntricos, menos sensíveis aos outros, menos atento as dinâmicas sociais e mais inclinados à agressão direta.
As garotas precisam ter claro que as diferenças existem e que muitas delas se não compreendidas podem trazer problemas. Elas podem tentar a partir dessas informações desenvolver a capacidade de se colocar mais no lugar deles, o que pode ajudar a criar bons vínculos.

3) Quais as vantagens em ter um amigo menino (em comparação com as meninas)? Como “explorar” o máximo possível essa amizade?
Segue abaixo algumas vantagens e como explorá-las:
a) Perspectiva: com amigos de sexo diferente você tem acesso a outras visões sobre uma mesma coisa, tem mais ideia de como os meninos são e pensam. E como eles veem as garotas, como pensam sobre elas.
b) Sinceridade e o ombro amigo: muitas garotas tem receio em contar determinadas informações para uma amiga, então preferem contar para um garoto, em que este pode ouvir, dizer o que pensa e ainda oferecer um ombro amigo. Muitos relatos de meninas dizem que a amizade com meninos é bem melhor, pois eles são mais confiáveis e confidentes e não arrumam confusão por qualquer coisa, principalmente, por serem mais “desencanados”. Além disso, eles são muito mais sinceros, falam o que pensam...
c) Competição: a competição entre elas, em geral, é muito grande. A mesma coisa acontece com os homens, que querendo ou não acabam competindo, mesmo que seja por coisas insignificantes. Uma relação com o sexo oposto evita a competição, o que abre espaço para uma amizade mais saudável.
d) Divertidos: Os garotos, em geral, são mais divertidos, brincalhões e podem fazem rir.
e) Racionais e emocionais: Em geral os garotos são mais racionais, a convivência com eles faz com que as meninas também desenvolvam repertórios e habilidades mais ligadas à solução de problemas e aumenta a visão lógica do mundo nelas.
f) Aprender a lidar com críticas: Os garotos, em geral, são mais ensinados a lidar com críticas do que as garotas. Os garotos acreditam mais que a crítica surge para ajudar, enquanto as garotas acreditam mais que a crítica é para ferir. Quando elas convivem com eles aprendem mais a receber críticas sem se machucar tanto.

4) E as desvantagens?
É importante dizer que por mais que a amizade entre sexo oposto seja boa, ela não é 100% certa de se manter apenas como amizade. Algumas pesquisas revelam que em 80% dos casos das amizades tem uma segunda intenção. Pode acontecer, por exemplo, de um se apaixonar e o outro não. Aquela amizade fica na balança, ela tem medo de namorar ele e depois terminar e tudo acabar. Isso é um fato. Muitas amizades que viraram namoros e depois da separação as amizades não voltaram a ser como era. Tudo isso é possível acontecer porque os dois sexos se relacionam, de todas as maneiras possíveis, afetuosas e claro sexuais. Não é a toa que algumas meninas sempre dizem “não” aos melhores amigos, as garotas valorizam mais as amizades do que os desejos, como o sexo masculino.
Segundo algumas pesquisas sobre amizade e gênero. As garotas e mulheres adultas são mais interessadas na amizade que é mais profunda e mais moral, ou seja, elas estão mais interessadas nas amigas, querem saber como estão, preocupam-se genuinamente com elas. Em oposição, a pesquisa revela que os garotos e homens adultos estão interessados mais nas vantagens que a amizade pode trazer. Ou seja, a amizade é mais baseada em interesses: o que o meu amigo pode fazer por mim? Segundo os cientistas essa diferença se deva ao fato dos homens ainda exercerem o papel de dominância e controle na família e no trabalho e o das mulheres o papel de unir seus integrantes com afeto por isso elas seriam mais solidárias.
As vezes, eles são mais irritantes porque tem algumas brincadeiras desagradáveis ou de mal gosto.

5) Quais os cuidados que essa amizade inspira?
Se a pessoa é sua amiga, é normal você sentir uma admiração muito grande por ela. Tenha cuidado para não confundir isso com atração física. Caso acontecer do menino se apaixonar, tente separar as coisas e diga que são apenas amigos e nada mais. Diga isso com ternura e carinho. No início ele pode ficar magoado, mas no futuro ele pode compreender o que aconteceu.

6) Como ser uma boa amiga para um menino?
            Se você conseguir participar de alguns programas de meninos você conseguirá criar mais vínculo com ele. Você pode ir vê-lo jogar futebol ou assistir o jogo do seu time preferido, você pode também jogar vídeo game, assistir aquele filme de terror...
Muitas garotas deixam as amigas de lado quando estão namorando. Com os meninos essa história é bem menos frequente. Eles não abrem mão do futebol e conseguem conciliar amizade e namoro. Tente fazer o mesmo porque você terá sempre um bom amigo por perto.
Eles são menos sentimentais e mais desencanados. Enquanto você acorda muito tempo antes para ir para o colégio, eles preferem mesmo é dormir mais e colocar ‘a primeira roupa que aparece na frente’. Isso não quer dizer que você deva descuidar da aparência, mas tente se importar menos com coisas sem importância, como estar maquiada em todas as ocasiões, isso vai abrir espaço para amizade de vocês se fortalecer.
Os meninos não discutem por coisas simples ou pequenas. Eles dificilmente vão chorar ou reclamar de coisas simples que estão incomodando. Se eles não estão gostando de algo serão mais diretos. Por isso é importante aprender a ser um pouco assim e não ficar tão chateada quando eles forem dessa maneira.

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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Metas para o próximo ano e como lidar com as frustrações





Para acessar: http://www.comportamentosaudavel.com.br/




Aqui segue a entrevista na íntegra:
1) Como lidar com a culpa pelos erros cometidos e pela frustração com o que o leitor sonhou e não conseguiu alcançar?
            Os erros são inevitáveis em qualquer fase da vida porque estamos em um constante aprendizado. Devido ao excesso de cobranças dos pais, das escolas, familiares etc desenvolvemos regras de que não podemos errar, quando isso acontece sentimos culpa. Precisamos aprender a ter um olhar mais racional sobre os eventos que nos atormentam. Tentando sempre analisar todo o contexto para verificar o que ocorreu de errado e tentar mudar sem culpa. Pessoas vencedoras das mais diversas áreas quando questionadas em relação aos fracassos, elas prontamente respondem que erraram e fracassaram muito durante a vida, e só começaram a ser bem sucedidas quando aprenderam a olhar cada vez mais o erro como possibilidade de acerto.
            Vale também questionar o empenho, disciplina, responsabilidade e esforço no exercício da atividade para atingir a meta. Lembrando que as vezes pode faltar algumas habilidade anteriores. Quem não sabe somar jamais aprenderá a multiplicar. Vale então conversar com pessoas mais maduras e inteligentes para pedir alguma opinião e depois aprender o que precisa para chegar lá.

2) Como redefinir as metas para o próximo ano? O que o leitor tem que levar em consideração para cometer menos erros e chegar mais próximo de seus sonhos? Vale, por exemplo, determinar etapas para chegar aonde quer? Estabelecer prazos para cada coisa?
            Sempre ter planos para um futuro promissor é uma ótima operação motivacional. Como já dizia Benjamim E. Mays: “A tragédia da vida não está em não alcançar seus objetivos. A tragédia está em não ter objetivos para alcançar.” Um primeiro passo para desenvolver o sentimento de autoconfiança ou autoeficácia é fixar sonhos ou objetivos maiores ou difíceis e depois dividir em objetivos alcançáveis. Esse intervalo entre o que se tem e o que se quer antecipa uma satisfação e serve como uma operação motivacional. É o caso dos alpinistas que buscam atingir picos cada vez mais altos e dos navegadores de barcos irem a distâncias cada vez maiores até darem a volta ao mundo. A partir do momento que um alpinista consegue chegar até um monte de nível fácil, esse desempenho deixa de ser uma conquista e ele estabelece um objetivo superior: escalar um monte de nível médio. Isso se torna uma nova operação motivacional. No entanto, estabelecer objetivos intermediários pode não ser suficiente para conquistar bons resultados. É importante também que a atividade envolva um feedback, melhor ainda se uma pessoa possa avaliar e dar um feedback. É por isso que muitas pessoas aceleram seu desempenho em escolas ou em cursos. Porque lá além das avaliações e provas os professores podem dar feedbacks do desempenho, sinalizando o que fazer para melhorar.

3) O que pode ajudá-lo a se determinar mais para conseguir seus objetivos, no próximo ano? Vale colocar seus desejos num papel? Fazer afirmações diárias? O que mais?
Tanto no dicionário da vida, quanto no dicionário comum a palavra sorte vem sempre depois de experiência e preparo. Infelizmente há um erro no consenso popular sobre o comportamento e as emoções das pessoas. Uma opinião generalizada e equivocada comum é que deve-se mudar o sentimento antes de poder mudar o modo como se comporta. Na verdade, mudamos nossas emoções e desenvolvemos mais repertórios para enfrentar as dificuldades da vida é movimentando, tendo iniciativas.
Um outro ponto é sobre a superação. As pessoas precisam aprender a dar prioridade a superar a si mesmo e não focar superar os outros. Veja um corredor de atletismo. O seu maior adversário na mior parte do tempo é ele mesmo. Seu treino exige que ele faça cada vez mais tempos menores. Não há ninguém do seu lado, seu maior adversário é o seu cronômetro, é a sua superação. Com efeito, superar os outros é consequência da superação de si. Como disse Platão: “Vencer a si próprio é a maior das vitórias.”

4) No que o leitor deve pensar para conseguir começar o próximo ano com o astral em alta, mesmo que esse ano que passou não tenha sido tudo o que esperava?
            Ele deve rever suas dificuldades e melhorar aquilo que é necessário e depois por em prática aquilo que precisa melhorar.

5) Como a pessoa deve agir para focar mais nos seus objetivos e conseguir melhores resultados?
            Ter foco significa aprender a ter autocontrole. Autocontrole quer dizer ficar mais sob controle de atividades menos saborosas do que das saborosas. Em situações de conflito de escolhas pode envolver o comportamento de autocontrole. Pense no dilema, estudar no fim de semana para a prova (atividade menos saborosa) ou sair com os amigos (atividade mais saborosa)? Quando o indivíduo escolhe frequentemente a alternativa que produz consequências imediatas (sair com os amigos) ao invés de estudar que envolve consequências atrasadas, que demoram a acontecer (passar) estamos diante de uma pessoa com pouco autocontrole para esse contexto.
Em geral, as pessoas acreditam ingenuamente que autocontrole é necessário em situações extremas ou radicais como por exemplo para emagrecer, para abandonar uma adicção (drogas lícitas – cigarro, bebidas alcoólicas – ou drogas ilícitas). Todavia, o comportamento de autocontrole é necessário na rotina do cotidiano nos mais diversos contextos. Uma jovem, por exemplo, que coloca o despertador para acordá-la e não chegar atrasada na escola está emitindo um comportamento de autocontrole.
Pessoalmente posso dizer que meus sonhos me dão tanto trabalho. Mas, descobri que é possível realizá-los tendo metas claras e coerentes, se responsabilizando pelos meus atos, pensando a médio e longo prazo e pondo a mão na massa. Descobri também que sonhos realizados não existem a pessoas imediatistas e pouco práticas. Em oposição, os sonhadores e desejosos de realização são guerreiros práticos e pensam a médio e longo prazo.
Portanto, as pessoas para melhorarem seus desempenhos precisam desenvolver o repertório de autocontrole.

6) O que ajuda a levantar o astral, nessa época de final de ano? Encontrar amigos novos, mudar a decoração do quarto, jogar fora o que não usa mais etc?
            O que levanta o astral de uma pessoa depende da história de vida dela. Para uma jovem sair e conversar com os amigos pode ser muito saboroso, no entanto para outra não pode ser. A jovem precisa descobrir quais são as atividades que produzem prazer e neste período precisam degustar mais destas atividades. Segue abaixo uma lista grande de possibilidades:
a) Atividades relacionadas à casa: atividades prazerosas que podem ser realizadas dentro de casa: assistir televisão: filmes, novelas, séries, jornais, documentários, programas de televisão... ; jogos de tabuleiro: xadrez, dama, dominó, war, cartas, banco imobiliário, detetive... ; navegar na internet: redes sociais, pesquisar, baixar músicas, baixar filmes, baixar programas de computador, baixar jogos... ; conversar ao telefone; jogar vídeo game; ouvir música: Axé, Bossa Nova, Eletrônica, Forró, Jazz, MPB, Pop, Rock, Samba, Sertaneja... ; fazer o café da manhã ou o chá da tarde; limpar a casa; organizar coisas na casa; tomar um banho demorado; assistir filmes ou documentários em aparelho de DVD ou no computador; fazer orações; ler um livro: romance, comédia, bíblia, Literatura, Literatura fantástica, informações, autoajuda.
b) Atividades relacionadas a novos conhecimentos, atualizações, informações e cultura: ler livros, ler revistas, jornais, quadrinhos... ; fazer pintura, desenho, escultura... ; estudar idiomas; tocar um instrumento musical: violão, guitarra, violino, flauta...;  ir em uma exposição de arte; participar de sarais culturais...
c) Busca de suporte afetivo-social: sair com amigos; fazer visitas a parentes; fazer visitas a amigos; receber visitas da família ou parentes, receber visitas de amigos, fazer uma refeição com os amigos, comer lanche com os amigos, Ir para um lugar para conversar, comer, beber... enviar uma carta ou e-mail, participar de algum grupo.
d) Atividade física: Pilates; academia; praticar corrida; praticar caminhada; nadar; andar de bicicleta; praticar esportes de equipe: futebol, volei, basquetebol...jogar tênis, andar de patins ou skate.
e) Atividades para diminuir o estresse ou para distração: fazer palavras cruzadas, Sudoku, jogos de advinhação, forca...; montar quebra cabeças; viajar para praia; viajar para o campo; fazer compras; ir ao cinema; sair para comer; dar uma volta.

7) Como esquecer ou rever o que deu errado no ano que passou, se são situações que ainda a incomodam (ex: brigas com famílias, situações mal resolvidas com garotos ou amigas)?
            Saber que família perfeita só existe em propaganda de margarina, onde todos sempre estão em uma mesa farta e muito felizes. Na vida real as pessoas têm dificuldades emocionais, inúmeras tarefas e responsabilidades e pouco tempo para o bom convívio o que dificulta uma convivência harmoniosa. Além disso, não há família perfeita. É normal sempre acreditarmos que a família de nosso amigo é mais amorosa e melhor por isso ou aquilo, mas talvez esse interpretação ocorra porque não a conhecemos tão bem. Basta chegarmos mais perto para saber que também tem dificuldades ou problemas.
            O relacionamento amoroso é uma arte que aprendemos ao decorrer de anos de relacionamentos. Se você perguntar para as pessoas mais velhas elas dirão que namoraram algumas pessoas, ficaram com outras até encontrarem uma pessoa específica e casarem. Isso quer dizer que teremos diversos relacionamentos durante a vida. Isso faz parte da vivência no mundo. Por isso não fique triste porque no final alguém especial vai surgir na sua vida. E cada fracasso em relacionamento é experiência para os próximos que se tornaram cada vez melhores.
            Sobre as amizades é comum também acontecer desencontros. Da mesma forma que você passa por problemas e tem objetivos específicos, uma hora ou outra você terá problemas porque eles podem escolher caminhos diferentes dos seus e isso é natural. Além disso a infância, adolescência e juventude são períodos do desenvolvimento social onde na maioria das vezes não estamos preparados para o relacionamento saudável. Isso porque o relacionamento exige ter muita tolerância à frustração e alguns outros ingredientes. A qualidade das amizades vai melhorando com a sabedoria da maturidade.

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