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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Programa "Oriente-se" para falar sobre Síndrome do Ninho Vazio

Muitos pais ficam perdidos quando os filhos vão embora. Alguns chegam a entrar em depressão. Mas o que é isso? Isso chama-se Síndrome do ninho vazio. O objetivo do programa foi falar da Síndrome do ninho vazio e como lidar com ela. Esteve presente no programa o querido padre Magalhães da igreja Cristo Rei. O programa foi exibido dia 15/11/2013.
Segue abaixo os links para assistir o programa:
Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=4HzHRsrM3CA
Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=05W2mvy9QUA
Parte 3: https://www.youtube.com/watch?v=cTtL32B62cA
Parte 4: https://www.youtube.com/watch?v=xTEBuuBMt-s
Parte 5: https://www.youtube.com/watch?v=O0UGwrhn9zQ


Copyright © 2013 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.
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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Entrevista para a jornalista Poliana sobre Transtornos afetivos

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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

sábado, 24 de setembro de 2011

Programa Oriente-se para falar sobre depressão

 Dia 24-09-2011 ao vivo no programa Oriente-se da TV Século 21 para falar sobre depressão. Esteve presente o psiquiatra Geraldo José Ballone, a psiquiatra Débora Christina Ribas D´Ávila, O padre Oswaldo Gerolin Filho e o psicólogo Reginaldo do Carmo Aguiar.





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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

sábado, 5 de março de 2011

Os benefícios da atividade física




O texto abaixo será publicado no mês de abril na revista Oba Hortifruti que será divulgada em toda a rede.


Os benefícios da atividade física

Disse o romano Marcus Tullius Cícero: “É o exercício físico que sustenta o espírito e mantém o vigor da mente.” Naquela época era muito comum a pratica e o incentivo aos exercícios físicos. O que se observa hoje é que a população não pratica tanta atividade física como naquela época. Essa redução desta prática foi drástica a partir da revolução industrial quando a cultura da época supervalorizou o trabalho em detrimento da atividade física saudável. O fato é que o corpo e a mente não estão geneticamente adaptados a viver sem atividade física. Em termos mais técnicos, o genoma humano espera e requer que os humanos sejam fisicamente ativos para um funcionamento normal do organismo e manutenção da saúde. Neste sentido, a atividade física proporciona um bom funcionamento dos genes (homeostasia) que diminui as manifestações de doenças, aumentando a qualidade de vida.
Um indivíduo que pratica exercícios físicos tem aumentado a secreção do hormônio GH (hormônio do crescimento) durante o sono. Este hormônio tem a função de estimular o crescimento tecidual via divisão celular e estimular a síntese de proteínas o que colabora com a diminuição do envelhecimento. Em outras palavras, a pratica de exercício físico é uma intervenção não farmacológica que melhora a qualidade de sono (promoção do sono) e mantém as pessoas mais jovens.
Entre outras coisas, um indivíduo que pratica atividades físicas tem aumentado a quantidade de neurotransmissores no seu cérebro. Entre eles: a Serotonina, a Dopamina e a Noradrenalina. Substâncias que produzem prazer e um estado leve de alerta. Para se ter uma idéia os medicamentos antidepressivos, em geral, tem a função de produzir em grande abundância estas substâncias. A atividade física também aumenta no cérebro e no corpo as beta endorfinas e encefalinas, que são da família da morfina (substância sintética ainda usada em hospitais para aliviar a dor) que produz um estado de imediata euforia e de relaxamento e da redução da percepção de dor. Isso quer dizer que quem pratica exercícios físicos tem uma maior prevenção de doenças psicológicas, entre elas a depressão.
Outras pesquisas revelam que a pratica de exercícios físicos regular em crianças e adolescentes aumenta suas capacidades cognitivas (aumento do desempenho intelectual: memória e raciocínio). Outras pesquisas ainda demonstram uma diminuição no envelhecimento cerebral, o que colabora com a manutenção da atividade cognitiva: capacidade de planejamento, tomada de decisão, aumentar a capacidade de dar atenção a mais de uma coisa etc. Além disso existem evidências claras que quem exercita o corpo prolonga o início da doença de Alzheimer e outras demências vasculares.
O exercício físico ou atividade física regular também está associado à diminuição de sintomas dos distúrbios do sono. Sendo que exercícios leves e moderados entre 16:00 e 20:00h produz mais benefícios no sono. Os principais efeitos do exercício físico nas variáveis do sono: aumento no tempo total de Sono, diminuição do Sono REM (fase do sonho e da restauração cognitiva), diminuição da latência para o início do sono etc. Logo, o exercício físico auxilia significativamente na melhora e eficiência do padrão de sono. Sendo uma excelente forma de tratamento não medicamentosa para diversos distúrbios do sono.
Só para se ter uma idéia, a atividade física proporciona os seguintes benefícios à saúde: função cardiovascular melhorada, composição corporal desejada, melhora da aparência física, melhora da autoestima, melhora da força muscular, resistência e flexibilidade, contribui com a saúde mental, alivia a tensão e o estresse, reduz a susceptibilidade à depressão, melhora a socialização, capacidade de trabalho aumentada, reduz os efeitos da idade avançada, maior longevidade... Além disso, ajuda a prevenir as principais doenças crônicas da atualidade. Inclusive, a maioria das doenças crônicas têm como causa principal a inatividade física.
Portanto, a atividade física deve ser estimulada como uma forma preventiva e corretiva para contribuir para o bem estar físico e psicológico em prol de uma vida com mais qualidade.

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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Parece, mas não é

Revista Metropole

Parece, mas não é

Diagnóstico: psiquiatras e psicólogos falam de tristeza, um sentimento comum, às vezes confundido com depressão, tema de livro escrito por dois especialistas

Por Janete Trevisani

janete@rac.com.br

Équando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. Como bem sintetiza a escritora gaúcha Martha Medeiros em um de seus textos, “dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada”. Mas, atualmente, parece que é feio sentir tristeza. Pior que isso, um mero aborrecimento ganha contornos de depressão severa.
Para os professores americanos Allan V. Horwitz e Jerome C. Wakefield, a psiquiatria contemporânea confunde tristeza normal com transtorno mental depressivo. No livro A tristeza perdida - como a psiquiatria transformou a depressão em moda, os autores mostram que a tristeza, comum a todo ser humano, vem sendo tratada como doença.
O objetivo é mostrar como os profissionais de saúde mental podem evitar transformar em doença reações emocionais normais aos estressores da vida, ao identificar com precisão aqueles que sofrem de transtornos depressivos genuínos. Para os autores, a psiquiatria fez avanços surpreendentes nas últimas décadas e hoje há muitas técnicas eficazes à disposição para descobrir as causas dos transtornos depressivos.
Nesta matéria, psicólogos e psiquiatras de Campinas são unânimes: a sociedade moderna é intolerante aos sentimentos tristes, como se fosse possível ser feliz o tempo todo.

Sem tempo para sofrer
“As pessoas vivenciam seus lutos e perdas como se fossem doenças, como se as dores e sofrimentos não fizessem parte da condição humana. Não querem, não se permitem entristecer-se, angustiar-se. Preferem se identificar ou procuram quem as identifiquem como doentes, tomando remédios que amenizem ou retirem completamente qualquer tipo de incômodo, como se todo incômodo fosse algo negativo, abandonando seus próprios recursos internos em prol de soluções imediatas e vindas do exterior. Por outro lado, a correria do mundo globalizado busca a perfeição, não prioriza a qualidade de vida e das relações, o que pode ocasionar um grande isolamento e senso de competição. Tudo isso gera um desgaste muito grande. Não há tempo para sofrer nossas perdas, reconhecer nossos medos, chorar nossas tristezas. Ignoramos tanto o que nosso corpo e mente demonstram que nos tornamos mais vulneráveis ao adoecimento emocional e físico.” - Shirley Miguel, psicóloga

Situações estressantes
“A tristeza ocorre nas mais variadas ocasiões e em diferentes graus de intensidade. Ela nos acompanha diuturnamente. Ficamos tristes ao nos deparar com uma notícia ruim na televisão, a violência urbana, o trânsito, as injustiças sociais, a corrupção das autoridades... Mas ninguém pensa em utilizar psicofármacos nessas ocasiões. Porém, há outras situações mais estressantes, como a morte de um parente, a perda de um amigo, a separação conjugal ou o desemprego. Aqui, preferimos falar em luto, porque a tristeza é mais intensa, proporcional à perda vivenciada. E o luto pode ser normal, quando esta proporção é mantida em intensidade e duração, ou patológico, quando esta proporção não se mantém. Nestes casos, a intervenção indicada não é a medicamentosa, mas sim a psicoterápica. A medicação é indicada apenas nos quadros depressivos de intensidade moderada ou grave, que se caracterizam não apenas pela tristeza, como também por outros sintomas associados: perda da energia e perda de interesse e do prazer pelas atividades habituais. Estes três sintomas formam a chamada tríade nuclear, ou o núcleo duro da depressão. Outros sintomas acessórios são frequentes: pessimismo, queda da autoestima, ideias de autoacusação ou culpa, diminuição da concentração, retardo ou agitação psicomotora, ideação suicida, alterações do sono e do apetite. A depressão é uma doença complexa, sistêmica e, frequentemente, de curso crônico. Se, por um lado, o exagero da medicação desnecessária é ruim - e isto é um fato no mundo todo -, por outro, deixar de medicar pacientes verdadeiramente depressivos é um mal ainda maior. A depressão não tratada está ligada a diversas patologias, como hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias, dismetabolias, alterações endócrinas, entre outras.” - Evandro Gomes de Matos, doutor em psiquiatria

Situações estressantes
“A tristeza ocorre nas mais variadas ocasiões e em diferentes graus de intensidade. Ela nos acompanha diuturnamente. Ficamos tristes ao nos deparar com uma notícia ruim na televisão, a violência urbana, o trânsito, as injustiças sociais, a corrupção das autoridades... Mas ninguém pensa em utilizar psicofármacos nessas ocasiões. Porém, há outras situações mais estressantes, como a morte de um parente, a perda de um amigo, a separação conjugal ou o desemprego. Aqui, preferimos falar em luto, porque a tristeza é mais intensa, proporcional à perda vivenciada. E o luto pode ser normal, quando esta proporção é mantida em intensidade e duração, ou patológico, quando esta proporção não se mantém. Nestes casos, a intervenção indicada não é a medicamentosa, mas sim a psicoterápica. A medicação é indicada apenas nos quadros depressivos de intensidade moderada ou grave, que se caracterizam não apenas pela tristeza, como também por outros sintomas associados: perda da energia e perda de interesse e do prazer pelas atividades habituais. Estes três sintomas formam a chamada tríade nuclear, ou o núcleo duro da depressão. Outros sintomas acessórios são frequentes: pessimismo, queda da autoestima, ideias de autoacusação ou culpa, diminuição da concentração, retardo ou agitação psicomotora, ideação suicida, alterações do sono e do apetite. A depressão é uma doença complexa, sistêmica e, frequentemente, de curso crônico. Se, por um lado, o exagero da medicação desnecessária é ruim - e isto é um fato no mundo todo -, por outro, deixar de medicar pacientes verdadeiramente depressivos é um mal ainda maior. A depressão não tratada está ligada a diversas patologias, como hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias, dismetabolias, alterações endócrinas, entre outras.” - Evandro Gomes de Matos, doutor em psiquiatria

Em parceria
“As manifestações de tristeza ocorrem ao longo da vida, mas devem ser analisadas à luz do contexto vivencial em que emergem. O psicólogo vai decidir se vale ou não a pena encaminhar para que o psiquiatra medique. Não tem sentido pensar que toda e qualquer tristeza será medicada, tampouco deixar de obter um alívio, a partir da medicação, por mera resistência. Muitos clínicos, psicólogos e psiquiatras sabem que certos medicamentos não resolvem os problemas vivenciais. Então, o remédio não tem o sentido de curar, mas, sim, de proporcionar alívio, o que é legítimo, porque não há necessidade de manter o sofrimento em um grau máximo para que a psicoterapia surja efeito. Assim, psicólogos podem trabalhar integradamente com psiquiatras, em muitos casos. Cada caso deve ser avaliado de forma individual por um profissional, levando em conta todo o contexto vivencial em que emergiu a tristeza.” - Cristiane Simões, psicóloga.

Cuidados necessários
“Estar triste é um estado afetivo momentâneo, ser depressivo é uma doença afetiva persistente. A tristeza é, então, um sentimento. A depressão é uma doença. A tristeza geralmente tem uma causa definida, a depressão não tem causa, embora as pessoas tentem descobrir algum motivo circunstancial. Existem muitos casos de tristeza que não são depressão, como quando há uma perda, uma decepção, uma frustração. Existem muitas depressões que não têm tristeza, mas, sim, outros sintomas, tais como apatia, desinteresse, desânimo, queixas físicas, pânico, ansiedade... Se nem tudo é depressão, então por que todos que procuram ajuda médica para o estado de sofrimento emocional acabam tomando antidepressivos? Porque o antidepressivo é a solução mais econômica e fácil. Depois de quinze ou vinte dias, a pessoa que toma antidepressivos começa a superar a angústia e, de certa forma, a tristeza. O ideal seria fazer um bom diagnóstico e instituir um tratamento adequado; em alguns casos terapia, outros medicação, ou os dois juntos. Em muitas circunstâncias, a tristeza é inevitável e não requer tratamento; a pessoa tem mesmo que passar por ela, superá-la, aproveitar para crescer e, conscientemente, valorizar tantos outros momentos felizes.” - Geraldo Ballone, psiquiatra.

Padrão de felicidade - “A sociedade estabelece um padrão de felicidade contínua, fazendo com que as pessoas esperem ser felizes o tempo todo ou que estejam sempre de bem com a vida, tornando-se intolerantes com sentimentos tristes. É como se a tristeza perdesse o direito de existir. E, por consequência, as pessoas acabam se sentindo culpadas e envergonhadas quando estão tristes ou têm problemas. Proibir uma tristeza provocada por uma separação amorosa, pela perda de um ente querido, por uma decepção pessoal, é eliminar um sentimento normal que deve ser vivido para que possa ser superado. Na verdade, muitas pessoas não sofrem de problemas psiquiátricos, mas apenas necessitam de apoio emocional por causa de uma intensa reação a alguma perda ou estresse em sua vida. O medicamento que atua diretamente no cérebro tem servido como uma solução mágica e toda solução rápida deveria ser questionada. O que se observa é que tais medicamentos têm servido mais como corrimão ou muleta e, por isso, não ensinam a pessoa a andar com as próprias pernas. Em outras palavras, não produz repertório que torne a pessoa independente. Ansiolíticos, antidepressivos e antipsicóticos não instalam comportamentos, não ensinam como a pessoa deve se comportar diante das adversidades. Por outro lado, é importante esclarecer que existem pessoas que precisam do tratamento medicamentoso e que, por isso, não podem jamais ficar sem tais fármacos e sem o acompanhamento médico especializado. Inclusive os medicamentos podem acelerar o processo psicoterapêutico.” - Reginaldo do Carmo Aguiar, psicólogo clínico comportamental.

Altos e baixos
“É normal sentir-se eventualmente triste, sem que esse estado configure uma depressão, como acontece após uma situação estressante real na vida. Somos seres cíclicos, com altos e baixos. Nossa sociedade tem como modelo ideal a pessoa que está bem em vários aspectos da vida, sempre, e há uma dificuldade para se lidar com os limites. A não tolerância a essas dificuldades impostas pela vida aumenta muito a quantidade de diagnósticos de quadros depressivos. Mas esse aumento não torna o diagnóstico um simples modismo e, sim, aponta para uma doença que é um reflexo do nosso tempo e da dificuldade em corresponder às demandas, sejam elas pessoais, da família, dos amigos ou da sociedade.” - Renata Yori Yonamine, psiquiatra.

Mecanismo emocional
“A tristeza não é uma inimiga. Atacá-la é confundir a causa com o efeito. Nos cursos de gerenciamento emocional, os nossos alunos aprendem como funciona o mecanismo emocional, como é possível alterar a forma de pensar para impedir que a tristeza ganhe proporções que levem ao descontrole. A tristeza é produzida pelo pensar. De fato, para sentir tristeza é preciso pensar de forma triste. Se não aceitar como válida uma interpretação triste de algum fato, o sujeito não conseguirá produzir a emoção de tristeza. Ao aprender formas de gerenciar as emoções, as pessoas deixam de usar antidepressivos e passam a modular a intensidade de suas emoções, de modo a mantê-las sempre dentro de limites benéficos, saudáveis e controlados. Quando alguém de fato ultrapassa a barreira da tristeza e mergulha na depressão patológica, o uso dos medicamentos é uma ajuda maravilhosa. Os antidepressivos podem neutralizar as condições cerebrais associadas à depressão, possibilitando ao paciente trabalhar para desenvolver um novo pensar, um pensar que, ao invés de produzir tristeza, crie emoções e sentimentos benéficos, revigorantes e motivadores. Aprender a gerenciar as emoções, superando a dependência dos medicamentos, devolve a sensação de estar no controle de si mesmo.” - Andrês De Nuccio, psicólogo e diretor do Instituto Ísvara.

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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Depressão e transtorno bipolar

O transtorno depressivo maior e o transtorno bipolar I possuem como patologia crítica os transtornos do humor, o estado emocional interno mais constante de uma pessoa, e não do afeto, a expressão externa do conteúdo emocional atual. O humor pode ser normal, elevado ou deprimido. As pessoas normais experimentam uma ampla faixa de humores. Os transtornos do humor constituem um grupo de condições clínicas caracterizadas pela perda de senso de controle e uma experiência subjetiva de grande sofrimento. Os pacientes com humor deprimido tem perda de energia e interesse, sentimentos de culpa, dificuldades para concentrar-se, perda de apetite, e pensamentos sobre morte e suicídio. Outros sinais e sintomas incluem alterações nos níveis de atividade, capacidade cognitivas, linguagem e funções vegetativas (como sono, apetite, atividade sexual e outros ritmos biológicos). Essas mudanças quase sempre comprometem o funcionamento interpessoal, social e ocupacional.

O transtorno depressivo maior é um transtorno comum, com uma prevalência durante a vida de cerca de 15% a 25% em mulheres. O transtorno bipolar I é menos comum do que o transtorno depressivo maior, com uma prevalência de cerca de 1%. A prevalência de depressão unipolar é duas vezes maior no sexo feminino, com idade média de início de 40 anos e que não tem relações interpessoais íntimas, são divorciadas ou separadas.
A base causal é desconhecida. Os fatores causais podem ser divididos em fatores biológicos, genéticos e psicossociais.

- Fatores Biológicos: um grande número de estudos relata várias anormalidades nos metabólitos das aminas biogênicas, como a noradrenalina que sugere uma regulagem para baixo dos receptores b
-adrenérgicos e receptores pré-sinápticos a 2-adrenérgicos, levando uma diminuição da quantidade de noradrenalina liberada. Outra amina biogênica relacionada é a serotonina, sendo que as evidências são que sua depleção pode precipitar a depressão e o fato de que os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e outros antidepressivos serotonérgicos foram eficazes no seu tratamento. A dopamina também estaria associada à fisiopatologia da depressão sendo que estaria diminuída na depressão e aumentada na mania.
- Fatores Genéticos: os dados genéticos indicam fortemente que a genética é um fator significativo no desenvolvimento de um transtorno de humor. O componente é mais forte para a transmissão do transtorno bipolar I do que para a transmissão do transtorno depressivo maior.
- Fatores Psicossociais: uma observação clínica relatada é que acontecimentos vitais estressantes precedem os primeiros episódios do humor. Outra associação ocorre entre o funcionamento da família e o início do curso dos transtornos do humor.

Diagnóstico

O diagnóstico do Transtorno Depressivo Maior é feito a partir da análise de critérios para um episódiodepressivo maior à parte dos critérios para diagnósticos relacionados à depressão. Os critérios são:

A) Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de 2 semanas e representam uma mudança no funcionamento anterior; pelo menos, um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda do interesse ou prazer:

1.humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjetivo (por ex., sente-se triste ou vazio) ou observações por outros (por ex., parece prestes a chorar). Obs: em crianças e adolescentes pode ser humor irritável
2.interesse ou prazer acentuadamente diminuídos por todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias
3.perda ou ganho significativo de peso quando não está realizando dieta ou diminuição ou aumento no apetite quase todos os dias
4.insônia ou hipersonia quase todos os dias
5.agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias
6.fadiga ou perda de energia quase todos os dias
7.sensação de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias
8.capacidade diminuída para pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias
9.pensamentos recorrentes sobre morte (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, ou uma tentativa de suicídio ou um plano específico para cometê-lo.

B) Os sintomas não satisfazem os critérios para um Episódio Misto.

C) Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou comprometimento no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

D) Os sintomas não são devido aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou uma condição médica geral.

E) Os sintomas não são melhor explicados por Luto, isto é, após perda de alguém amado, persistem por mais de 2 meses ou são caracterizados por acentuado comprometimento funcional, preocupação mórbida com inutilidade, ideação suicida, sintomas psicóticos ou retardo psicomotor.

Os critérios para especificar a gravidade e remissão para o Episódio Depressivo Maior são:

Leve: poucos sintomas em excesso daqueles exigidos para o diagnóstico e eles resultam, apenas, em pequeno comprometimento no funcionamento ocupacional, de atividades sociais habituais ou relacionamentos com outros.
Moderada: sintomas de comprometimento funcional entre "leves" e "severos".
Severo com aspectos psicóticos: delírios ou alucinações. Aspectos psicóticos congruentes como humor: delírios ou alucinações cujo conteúdo é inteiramente consistente com os temas depressivos
típicos de inadequação pessoal, culpa, doença, morte, niilismo ou punição merecida. Aspectos psicóticos incongruentes com o humor: delírios ou alucinações cujo conteúdo não envolve temas depressivos típicos de inadequação pessoal, culpa, doença, morte, niilismo ou punição merecida. Estão incluídos sintomas como delírios persecutórios, inserção de pensamentos, irradiação de pensamentos e delírios de controle.
Em remissão parcial: sintomas de um Episódio Depressivo Maior estão presentes, mas não são satisfeitos todos os critérios ou existe um período sem quaisquer sintomas significativos de um Episódio Depressivo Maior durando menos que 2 meses após o término de um Episódio Depressivo Maior.
Em remissão plena: durando os últimos 2 meses, ausência de sinais ou sintomas significativos da perturbação que estiveram presentes.

No Transtorno Bipolar, os critérios para o Episódio Maníaco são:

A) Um período distinto do humor expansivo anormal e persistentemente elevado ou irritável, durando pelo menos, uma semana.

B) Durante o período de perturbação do humor, 3 ou mais dos seguintes sintomas persistiram e estiveram presentes em um grau significativo:

1.auto-estima inflada ou grandiosidade
2.necessidade diminuída de sono
3.mais falante do que o habitual ou pressão para continuar falando
4.fuga de idéias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão correndo
5.distração
6.aumento na atividade dirigida ao objetivo ou agitação psicomotora
7.envolvimento excessivo com atividades agradáveis com um alto potencial para conseqüências dolorosas.

C) Os sintomas não satisfazem os critérios para Episódio Misto.

D) A perturbação do humor é suficientemente severa para causar comprometimento acentuado no funcionamento ocupacional ou nas atividades sociais ou relacionamentos costumeiros com outros, ou para exigir a hospitalização, como um meio de evitar danos a si mesmo e a outros, ou existem aspectos psicóticos.

E) Os sintomas não são devido ao efeito fisiológico direto de uma substância ou uma condição médica.

Características Trans-Seccionais dos Sintomas

O DSM–IV define três características sintomáticas adicionais que podem ser usadas na descrição dos pacientes com transtorno do Humor. Limitadas a descrição de episódios psicóticos: (características melancólicas e características atípicas). A características catatônica pode ser aplicada a episódios depressivos e a maníacos

A importância potencial da identificação de características melancólicas em episódios depressivos maiores consiste em identificar um grupo de pacientes que respondem melhor ao tratamento farmacoterápico que os que não tem características melancólicas. Os critérios são especificar se:

Com características melancólicas (pode ser aplicado ao episódio depressivo maior atual ou mais recente no transtorno Bipolar I ou Transtorno Bipolar II, apenas se este é o tipo mais recente de episódio do humor.

A) Qualquer um dos seguintes, ocorrendo durante um período mais severo do episódio atual.

1.perda do prazer por todas ou quase todas as atividades
2.falta de reatividade a estímulos habitualmente agradáveis (não sente muito melhor, mesmo temporariamente, quando algo de bom acontece)

B)Três ou mais dos seguintes

1.qualidade distinta do humor depressivo (isto se, o humor depressivo é experienciado como distintamente diferente da espécie de sensação experienciada após a morte de alguém amado)
2.depressão piora regularmente pela manhã
3.despertar nas primeiras horas da manhã (pelo menos 2 horas antes do horário normal de despertar)
4.acentuado retardo ou agitação psicomotora
5.anorexia ou perda de peso significativas
6.culpa excessiva ou inapropriada

A principal implicação para o tratamento das características atípicas é a de que os pacientes estão mais propensos a responderem a inibidores da monoaminoxidase do que a drogas tricíclicas. O assunto ainda é tema de controvérsias. Os critérios são especificar se:

Com características atípicas: (pode ser aplicado quando essas características predominam durante as 2 semanas mais recentes de um Episódio Depressivo Maior no transtorno Depressivo Maior ou no Transtorno bipolar I ou Transtorno Bipolar II, quando o episódio Depressivo maior é o tipo mais recente de episódio do humor, ou quando essas características predominam durante 2 anos mais recentes do Transtorno Distímico).

A) Reatividade do Humor ( isto é, o humor melhora em resposta a eventos positivos reais ou potenciais)

B) Dois (ou mais) dos seguintes aspectos:
1.ganho significativo de peso ou aumento do apetite
2.hipersonia
3.paralisia "como chumbo"( isto é, sensações de peso , "como chumbo" nos braços e nas pernas)
4.padrão duradouro de sensibilidade a rejeição interpessoal (não limitado a episódios de perturbação do humor) que resulta em comprometimento social ou ocupacional significativo

C) Não são satisfeitos os critérios para Com Aspectos Melancólicos ou Com Características Catatônicas durante o mesmo episódio.

Os sintomas principais da catatonia, podem ser vistos na esquizofrenia tanto catatônica quanto não catatônica, transtorno depressivo maior (freqüentemente com aspectos psicóticos e transtornos neurológicos). São, no entanto, mais freqüentes no transtorno Bipolar I.
A inclusão de um tipo catatônico específico dos transtorno do humor ajuda a equilibrar a diferença de um tipo catatônico de esquizofrenia. A presença de características catatônicas também se mostrará importante no diagnóstico e tratamento. Os critérios para especificar características catatônicas são:

Com características catatônicas (pode ser aplicado ao episódio depressivo maior, episódio maníaco ou Episódio Misto Atual, ou mais recente, no Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Bipolar I ou Transtorno Bipolar II.

O quadro clínico é dominado, por pelo menos, dois dos seguintes:

1.Imobilidade motora evidenciada por catalepsia (incluindo flexibilidade cérea) ou estupor
2.Atividade motora excessiva (aparentemente sem objetivo e não influenciada por estímulos externos)
3.Negativismo extremo (uma resistência aparentemente imotivada a todas as instruções ou
manutenção de uma postura rígida contra tentativas para ser motivado) ou mutismo
4.Peculiaridades do movimento voluntário, evidenciadas por posturas (adoção voluntária de posturas bizarras ou inapropriadas), movimentos estereotipados, maneirismos proeminentes
5.Ecolalia ou ecopraxia.

O DSM-IV inclui critérios distintos para três especificadores de curso dos transtornos do Humor.

Ciclagem rápida: pelo menos quatro episódios dentro do período de 12 meses

Padrão sazonal: Os pacientes com um padrão sazonal em seus transtornos do humor tendem a experimentar episódios depressivos durante alguns períodos do ano, mais habitualmente no inverno

Início no Pós-Parto: Se o início dos sintomas ocorre dentro de quatro semanas do pós parto.

Características Clínicas

Episódios Depressivos (Características que se somam aos critérios do DSM-IV)

Humor deprimido e perda de interesse ou prazer são os sintomas básicos da depressão. Freqüentemente descrevem o sintoma de depressão como sendo uma dor emocional lancinante. Cerca de 2/3 dos pacientes deprimidos pensam em suicídio e 10-15% cometem suicídio. Quase todos os pacientes deprimidos quixam-se de uma diminuição da energia que resulta em dificuldades para terminar tarefas, ir a escola e tem motivação diminuída para assumir novos projetos. 80% queixam-se de problemas para dormir. Muitos tem perda de apetite e perda de peso, mas o inverso pode se dar. A ansiedade atinge até 90% dos deprimidos. O paciente tem um elevado insight com relação à doença e maximizam os sintomas. Toda informação que o paciente depressivo informa, enfatiza excessivamente o lado ruim e menospreza o lado bom. A depressão é mais comum em idosos que na popula&c cedil;ão geral.
Episódios Maníacos (Características que se somam às dos critérios do DSM-IV para episódio maníaco)
Um humor elevado e expansivo é o marco característico de um episódio maníaco. O humor elevado é eufórico e freqüentemente contagiante . Há baixa tolerância à frustração. Jogo patológico com tendência para despir-se em locais públicos, bijuterias e roupas em cores berrantes em combinações incomuns e desatenção a pequenos detalhes são também característicos. Os pacientes em episódios Maníacos em 75% dos casos são agressivos ou ameaçadores. Apresentam julgamento em relação às suas ações diminuído e insight diminuído em relação à doença. Não são confiáveis em suas afirmações.

Diagnóstico Diferencial:

a.Transtorno Depressivo Maior: Diferenciá-lo de transtornos médicos (Ex.: uso de medicamentos); Condições Neurológicas (Doença de Parkinson), Doenças causadoras de Demência; doença cérebro-vasculares e epilepsia.; Luto sem Complicações ( não é considerado um transtorno mental,embora cerca de 1/3 de todos os cônjuges enlutados possam reunir os critérios diagnósticos para transtorno Depressivo Maior em determinado momento.
b.Transtorno Bipolar I: Diferenciá-lo de: Condições médicas (por exemplo: uso de antidepressivos, outros medicamentos); quando o paciente se apresenta em episódio de mania o diagnóstico diferencial inclui transtorno bipolar II, transtorno ciclotímico, transtorno do humor devido a uma condição médica geral; transtornos da personalidade boderline, narcisista, histriônica e anti-social; Esquizofrenia.

Curso e Prognóstico

a.Transtorno Depressivo Maior

Início: Cerca de 50% dos pacientes têm sintomas depressivos significativos antes de ser
identificado o primeiro episódio de transtorno depressivo maior. 50% dos episódios ocorrem antes do 40 anos de idade

Duração: Episódio depressivo não tratado: Dura de 6 a 13 meses; Tratado: dura cerca de 3 meses. O número médio de episódios depressivos ao longo de um período de 20 anos é cinco ou seis.

Desenvolvimento de Episódios Maníacos: 5 a 10% dos pacientes com um diagnóstico inicial de transtorno depressivo maior têm um episódio maníaco dentro de 6 a 10 anos após o primeiro episódio depressivo. Isso em geral se dá aos 32 anos após o paciente já ter tido 4 episódios depressivos.

Prognóstico

O transtorno depressivo não é um transtorno benigno. Ele tende a ser crônico e com recaídas.
Indicadores de bom prognóstico: Episódios leves, ausência de sintomas psicóticos e uma curta estada hospitalar, dentre outros
Indicadores de mau prognóstico: Coexistência de transtorno distímico, abuso de álcool, sintomas de transtorno da ansiedade, e história de mais de uma hospitalização por episódio anterior de depressão.

b.Transtorno Bipolar I

Geralmente inicia-se pela depressão e é um transtorno recorrente. Os episódios maníacos típicos tem um início rápido, mas podem evoluir ao longo de algumas semanas. Um episódio maníaco dura três meses em tratamento, e a medicação não deve ser suspensa antes que decorra este período.

O transtorno Bipolar I pode afetar tanto crianças jovens quanto idoso.

Prognóstico

Prognóstico pior do que os pacientes com transtorno depressivo maior.
Sinais de bom prognóstico: Duração curta dos episódio maníacos, início tardio, poucos pensamento suicidas e poucos problemas médicos ou psiquiátricos coexistentes pesam par um bom prognóstico.
Indicadores de mau prognóstico: Fraco estado ocupacional pré-mórbido, dependência de álcool, aspectos psicóticos, características depressivas entre os episódios depressivos e sexo masculino.

Tratamento:

O tratamento dos transtornos do humor deve ser dirigido para vários objetivos, como garantir a segurança do paciente, garantir uma completa avaliação diagnóstica e ter um plano de tratamento que aborde não apenas os sintomas imediatos, mas também o bem-estar futuro do paciente.

A maioria dos estudos indicam que a combinação da psicoterapia comportamental e da farmacoterapia é o tratamento mais efetivo para o transtorno depressivo maior.

Terapia Comportamental baseada em regras do indivíduo. Focaliza as distorções cognitivas supostamente presentes no transtorno depressivo maior. Os principais objetivos são oferecer alívio sintomático por alteração dos pensamentos-alvo, identificar regras autodestrutivas, modificar suposições errôneas específicas e promover autocontrole sobre padrões de pensamento relacionados a regras construídas ao decorrer de sua história. A maioria dos estudos descobriu que a terapia comportamental tem eficácia igual à da farmacoterapia, está associada com menos efeitos colaterais e com melhor seguimento que a farmacoterapia.

Terapia comportamental baseada no Treinamento de habilidades sociais e no reforçamento positivo. Procura oferecer alívio sintomático pela solução de problemas interpessoais atuais; reduzir estresse envolvendo família ou trabalho; melhorar habilidades de comunicação interpessoal. Este tratamento baseia-se na hipótese de que padrões comportamentais mal-adaptativos resultam no recebimento de pouco feedback positivo da sociedade, talvez, até mesmo de uma rejeição franca. Abordando os comportamentos mal-adaptativos na terapia, os pacientes aprendem a funcionar no mundo de modo a receberem reforço positivo.

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Depressão, tristeza

Depressão em crianças e adolescentes
O consenso atual é de que antes da fase escolar é incomum o surgimento de quadros depressivos. A depressão em crianças na fase escolar e, em especial, na adolescência não é mais questionada. Argumenta-se que a depressão em pessoas jovens e em adultos, assume formas de expressão diferenciadas. Por exemplo: tempo de duração.
Porém, temos que alguns sintomas manifestos na adolescência estão ausentes na infância.
Por exemplo: o conteúdo da depressão associa-se a relações afetivas desfeitas (namoro)
Isto provoca insônia, distúrbios alimentares no jovem.
Na criança: perda dos pais, perda de objeto ou animal de estimação. Isto provoca: Pesadelos.
Embora os critérios diagnósticos tenham sido um problema consensual em psicologia clínica, atualmente utiliza-se os mesmos índices diagnósticos para adultos e crianças utilizando o DSM IV de forma contextualizada .
A depressão na infância é mais um episódio (episódica) e menos um estados psicológico.
Estudos denotam que além da depressão ser um problema de saúde mental significativo em crianças e adolescentes estes problemas podem estar aumentando em termos de prevalência nestas populações.

A maior parte dos modelos de depressão, bem como, as formas de intervenção clinica na infância são adaptações de modelos depressivos em adultos.
Problemas com as adaptações de modelos e intervenção:
Os modelos podem ignorar processos inerentes a etapa de desenvolvimento cognitivo
afetivo e da organização da conduta na criança..
· A psicopatologia infantil vista como um fracasso na conquista de marcos fundamentais do desenvolvimento ou na aquisição de habilidades específicas. Exemplo na depressão: Capacidade de vincular-se/ aquisição da linguagem; Influencias da Rotulação/ Modelagem/Recompensa/ Punição vinda do ambiente

Ambiente


Genética / Ambiente ( fator preciptante)



A psicopatologia infantil vista genericamente como um transtorno inerente a pessoa e relativamente independente do seu ambiente.

A depressão é definida em termos de metáforas:

Metáfora do reforço

A depressão é vista como resultado de uma perda ou falta de reforço positivo da resposta contingente. Um ambiente de interações sociais pobre , em que a conduta não é recompensada ou é feita de forma insuficiente é um ambiente propicio para o desenvolvimento de quadros depressivos.
Lewinshon, propõe três formas de perda de reforço contingente:
1. Mudança ambiental:
Perda de pessoa significativa ou falta de apoio desta pessoa.
Intervenção: Trabalho com os pais e fontes de reforço significativa incentivando a criança /ou adolescente através de estilo e distúrbios de comunicação e formas de resolução de problema.
2- Falta de habilidades sociais.
Intervenção: treino de Habilidade Sociais.
3- Incapacidade de sentir o reforço disponível devido a ansiedade excessiva.
Intervenção:Treino de auto-controle ( manejo de si); Treinos de relaxamento.

Metáfora dos déficits de Habilidades sociais:
(inerente há muitos modelos)

Faltas de habilidades sociais levam a depressão por resultarem em problemas de relacionamento.
Estes déficits levam a dificuldades de resolução de problema, podendo resultar em escolhas ruins para lidar com o problema (por exemplo: abuso de drogas por jovens), ou falta de habilidades para resolver os problemas (por exemplo: isolamento, ou seja, ficar só quando perto da família).

Metáfora do desamparo e da desesperança.

Experiências aversivas incontroláveis levam a pessoa a um estado de desamparo generalizado.
Eventos positivos são atribuídos ao acaso e são recursos de fontes externas.
Eventos negativos são vivenciados como auto-atribuíveis (o indivíduo é a fonte de eventos negativos) e assume um comportamento evitativo nas interações.
Intervenção: Enriquecimento ambiental para que a pessoa vivencie sentimentos de eficácia. Treinamento de controle pessoal, no qual a pessoa aprende novas habilidades (sociais) para melhor controle da vida. Treinamento de resignação (abandonar um objetivo irreal em relação a qual se sentia desamparada). Retreinamento de atribuições (de valores) para si em relação a eventos positivos e negativos da vida.
Esquema geral do processo de resolução de problema:

1. Orientação para o problema:
A- Percepção do problema ( reconhecimento e classificação do problema);
B- Atribuições do problema ( quais as causas do problema);
C- Avaliação do problema; (significação do problema para o bem estar social pessoal e social)
D- Controle pessoal: 1- que se perceba o problema como controlável e com solução; 2- que o sujeito pense que pode resolver o problema através de seus esforços.
E- Compromisso de tempo e esforço: 1- estimativa precisa do tempo que se levará para solucionar o problema com êxito; 2- a disposição do individuo em dedicar tempo e esforço necessários para solucionar o problema.

2- Definição e Formulação do problema
A- coleta de informação: 1- informação sobre a tarefa; 2- informação sócio-cultural.
B- Compreensão do problema;
C- Estabelecimento de objetivos: 1- planejar os objetivos em termos específicos e concretos;2-evitar estabelecer objetivos pouco realistas e inalcançáveis.
D- Reavaliação do problema.

3- Levantamento de Alternativas
A- Principio de quantidade.
B- Principio de adiamento de julgamento.
C- Principio de variedade.

4- Tomada de Decisões
A- Antecipação dos resultados da decisão
B- Avaliação dos resultados de cada decisão
C- Preparação de uma solução

5- Pratica da Solução e Verificação
A- Realizar a solução escolhida ( caso não seja possível realizar a solução escolhida, pode-se: 1-voltar a etapas anteriores e escolher uma nova solução; 2-tentar remover os obstáculos para colocar em pratica a solução escolhida).
B-Auto registro: 1- auto observação da pratica da solução e/ou de seus resultados; 2- Registro (medição) da atuação e/ou de seus resultados.
C. Auto – avaliação: Solução do problema; Bem estar emocional; Quantidade de tempo e esforço empregados; Razão custo benefício.
D- Auto-reforçamento.
E- Recapitular e reciclar.

Metáfora do Manejo de si

Nesta concepção o indivíduo não tem habilidades de auto-controle

O auto controle é definido como a capacidade do indivíduo de estabelecer e esforçar-se no cumprimento de metas. Pessoas deprimidas tem dificuldade em estabelecer e cumprir metas a curta ou a longa distância no tempo.
Tem dificuldade de :
Auto –monitoração Auto-avaliação Auto reforço

Tem tendências seletivas de :
Maximizar eventos negativos e minimizar eventos positivos.
· Esperar apenas conseqüências imediatas para seus comportamentos.
Estabelecer padrões rigorosos de auto-avaliação.
Atribuir as causas de seus comportamentos a fatores negativos.
Atribuir a si próprias recompensas insuficientes.
Administrar-se punições rigorosas.

Intervenção:
1- Trabalhar a habilidade de auto-avaliação á partir de referências externas (como o outro me avalia)
2- Treinar estabelecimentos de metas de curto / médio e longo prazo.
3- Estabelecer auto-reforço a partir de auto verbalizações e atividades reforçadoras.
4- Treinar os pais a encorajar os filhos a mudarem de conduta e sempre reforça-los pelas vitórias.
5- Estabelecer formas de auto-controle.

Ex. de autoverbalizações: Sinto-me bem/ As pessoas gostam de mim/ Sou uma boa pessoa/ Minhas experiências me preparam para o futuro.

Ex de atividades: Planejar executar algo que aprecie / Praticar esporte/ Divertir-se em casa / Mostrar afeto físico.

Metáfora Interpessoal / Paterna ou materna

A depressão está ligada a interrupção nos relacionamentos interpessoais
Os déficits nas habilidades sociais não são responsáveis pela etiologia e manutenção da doença ( fatores precipitantes), são a sua própria origem ou etiologia.
Constatou-se que depressão nos pais tem forte correlação com depressão nos filhos (ex.: modelamento de condutas, rotulação negativa do comportamento da criança, estresse de viver com pais deprimidos).

Intervenção:
Terapia Interpessoal: Identificação dos problemas de relacionamento e aconselhamento para reparação ou ruptura adaptativa em relação a interação conflituosa.
Treinamento de pais. A depressão neste caso é vista como produto de uma relação paternal desadaptativa.
Terapia familiar centrada na habilidade de resolução de problemas
Modificação de crenças paternas e treinamento de atitudes nos pais:

Esquema do programa de treinamento de pais:

Fase 1 . Atenção diferencial
Fase 2 Treinamento no cumprimento de ordens

Atentar:

Descrever o comportamento da criança.
Instruções claras
Deixar de utilizar verbalizações vagas.
As verbalizações devem ser específicas e diretas
Seguir, não dirigir.

Sem perguntas/ordens.
Conseqüências

Reforçar as conseqüências positivas das verbalizações

Seguir regras fixas
Recompensas


Físicas

Verbais sem sinalizar

Verbais sinalizando

Ignorar:

Sem contato ocular ou sinais não verbais
Sem contato verbal
Sem contato físico

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terça-feira, 13 de março de 2007

Porque atualmente tantas pessoas estão com depressão e outras psicopatologias?

Atualmente as pessoas tendem a dizer que o número de pessoas com depressão, “pânico”, estresse, ansiedade, fobias, psicopatologias (“doenças da mente”) em geral e outras patologias referentes ao estresse estão em um alarmante crescimento. A causa deste aumento de quadros patológicos, ingenuamente, é devido unicamente ao excesso de estresse na nossa sociedade contemporânea. Como, por exemplo, o excesso de trabalho ou cobranças, a dupla jornada de trabalho das mulheres, o trânsito, a insegurança nas ruas, dentre outros... O ambiente em que estamos inseridos é muito aversivo e por isso nos sentimos desconfortados. Tendemos a acreditar que este caos, este pandemônio, é exclusivo deste período de nossa história atual. Este argumento é pobre, isto porque se compararmos a períodos de nossos ancestrais, imagine gerações bem anteriores as nossas que viviam basicamente da sobrevivência e reprodução, há 100.000 anos atrás em que o estresse ou pelo menos as condições ambientais aversivas reais que promoviam os medos eram 100 vezes maiores que as atuais. Não precisamos ir longe demais. O período da revolução industrial no século 18 e 19, onde as pessoas viviam trabalhando 18 horas diárias de deveres, dormindo mal e vivendo em lugares sub-humanos, que não lhes asseguravam suas saúdes e sem o mínimo de direitos. Ou, as guerras e suas conseqüências são exemplos bastante contemporâneos de ambientes inadequados para a sobrevivência humana. Isto quer dizer que falar que vivemos em um mundo problemático e em crise, jamais visto, devido ao mundo atual é um grande equívoco. Somado a isso dizem que este caos aumentou as psicopatologias nas pessoas.
Um argumento para este crescimento de psicopatologias deve envolver variáveis biológicas e históricas que influenciam o modo do homem se comportar. Uma evidência para o crescimento destes comportamentos “inadequados” deve-se a um melhor diagnóstico devido ao desenvolvimento das ciências experimentais que desenvolveram novas tecnologias para melhor identificar, analisar e propor tratamentos mais eficazes aos comportamentos não adaptados. Experimentos com algumas espécies animais dentro de laboratórios, pesquisas experimentais com humanos, análises estatísticas com amostras relevantes e adequadas, pesquisas aprimoradas, aparelhos de Ressonância Magnética e de tomografia, exames de rotina como o de sangue e polissonografias, e outras diversas ferramentas são contribuições importantes para a nossa sociedade. Isto quer dizer que sempre existiram pessoas que adoeceram por causa de câncer, depressão, ansiedade e psicose graves e assim por diante. No entanto, apenas nestas últimas décadas é que melhor estão sendo diagnosticadas devido ao desenvolvimento tecnológico vigente. Portanto, hoje estes problemas podem ser contabilizados porque são melhor identificados.
Uma segunda evidência para este aumento de “psicopatologias” deve-se aos meios de comunicação com fins lucrativos. Onde as informações apresentadas a cerca dos problemas psicológicos e psiquiátricos raramente são confiáveis. Vivemos em uma sociedade em que a televisão é o único meio de comunicação de milhões de pessoas no Brasil, um veículo de massa, que é símbolo de um encurtamento do tempo e do espaço. Ou seja, a mídia apresenta fatos que ocorrem no presente, todavia não contextualizam a partir de uma construção sócio-histórica. A televisão também reflete o encurtamento do espaço já que ela edita e seleciona apenas cenas que proporcionará maior audiência ou uma melhor estética; Ela vive do show business, da informação espetáculo. E esse show negociável geralmente não compete com a saúde psíquica dos cidadãos. Os fatos apresentados nela não focalizam a totalidade das informações relevantes, seja no espaço, seja no tempo. Uma vez vi uma matéria na televisão que falava sobre a depressão. A matéria foi exibida de maneira tão inadequada e com informações distorcidas em que o sentimento de tristeza eventual, esporádica, passageira que todos no dia-dia estamos sujeitos a sentir podia ser confundido com depressão. É importante salientar que para considerar um quadro de depressão é necessário que alguns critérios estejam evidenciados nos comportamentos sintomáticos (sintomas) do sujeito, levando em consideração alguns aspectos ou dimensões do comportamento: a intensidade, a freqüência, a latência, a topografia e a duração de um conjunto de comportamentos. Isto segundo a classificação dos transtornos mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-IV), mas, além disso, é necessário uma criteriosa entrevista comportamental. Imaginei a repercussão desta matéria, diversas pessoas provavelmente entraram em pânico porque confundiram tristeza com depressão e porque estavam tristes acreditaram estar depressivas. Daí a importância de assistir programas de televisão confiáveis ou buscar informações com um bom psicoterapeuta e psiquiatra para fazer uma boa anamnese (questionário de entrevista para avaliação bio-psico-social) no paciente.
Um outro argumento nesta mesma linha é o comportamento vicário (imitado), que é um comportamento imitativo aprendido através da observação feita ao outro. Isto foi muito vantajoso no decorrer da história evolutiva do homem porque ele poderia observar comportamentos adaptativos e desadaptativos de outros e saber suas conseqüências e resultados apenas observando. E com isso selecionar e emitir comportamentos mais vantajosos para as diferentes ocasiões que foram bem sucedidas pelos modelos. O comportamento vicário, no entanto, é uma faca de dois gumes. Algumas pessoas, por exemplo, que vêem suicídios na televisão tendem a desejar e a experimentar tentativas de suicídio e algumas infelizmente conseguem com êxito. Algumas pesquisas revelam o aumento de suicídios em lugares próximos ou em regiões quando são comunicados em noticiários ou informado pela população. Você já parou para pensar o quanto a televisão influencia o comportamento humano e qual a contribuição das novelas e alguns programas como modelo para os telespectadores?
Uma terceira evidência que está sendo bastante estudada hoje pela ciência é a crença em um Deus, e que tem haver com a espiritualidade humana. O “homem da caverna” acreditava em Deus ou em Deuses. Haja visto o grande número de pinturas rupestres (antigas representações pictóricas conhecidas - 40.000 a.C. - gravadas em abrigos ou cavernas, em suas paredes e tetos rochosos, ou também em superfícies rochosas ao ar livre, mas em lugares protegidos, normalmente datando de épocas pré-históricas) que demonstram os rituais as crenças religiosas da época. O período da Idade Média também foi marcado fortemente pela influência religiosa. Em oposição a estes períodos, no período moderno, René Descartes (1596-1650) radicalizou dizendo que fé e razão eram contraditórios e apenas a razão poderia levar a verdade. Esta valorização da razão chegou apenas a uma minoria abastada socialmente daquela época, mas este paradigma influencou e influencia cada vez mais um grande contingente de pessoas em nossa sociedade. Foi apenas no século XIX com o expoente filósofo Friedrich Nietzsche, é que o homem se viu sem rumo, sem referências, sem consolos metafísicos, sem esconderijos... Neste sentido, tanto a razão quanto Deus foram contestados como ilusões. A conseqüência disso é que o homem atual se vê perdido diante do seu potencial racional adquirido culturalmente e desprotegido desta idéia de Deus poderoso e protetor. Isto o deixou mais responsável perante seus problemas sem que com isso estivesse preparado a resolvê-los ou o deixou responsável por tantas variáveis que seriam de responsabilidade de um Estado, na maioria das vezes, decadente. O homem logo se viu impotente.
A quarta evidência é a falta de políticas públicas em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento na área da saúde, educação, cultura e segurança. A consequência disto são paises com um dos maiores índices de comportamentos desadaptados (estresse, depressão, distúrbios do sono etc.) no mundo. Logo, se não ocorrer políticas coerentes e eficazes nada adiantará.
Uma quinta evidência e uma das mais importantes é que o medo do “homem das cavernas” era muito mais real, físico e por isso ele poderia ter estratégias mais eficazes para solucionar seus problemas e se ver livre e sem preocupações. Diferentemente do homem moderno e contemporâneo em que seu medo é muito mais abstrato, simbólico, fantasioso, aguçado e criando com isso um imaginário mais sofisticado e desadaptativo ao homem que não apenas enxerga o medo físico real. Isto proporcionou desvantagens porque este medo diante do estímulo aversivo não é deixado de lado. É levado até suas últimas consequências, o sujeito leva seu medo para casa, generaliza para suas relações, catastrofiza, fica sob controle de estímulos aversivos, vive no passado ou no futuro etc... Portanto, um conjunto de variáveis explicitam o fenômeno psicopatológico, seja por causa dos melhores diagnósticos, por causa do desserviço da mídia, pela descrença espiritual e religiosa, pelo excesso de atividades no dia-dia, pela falta de políticas públicas eficazes e do homem atual ser mais simbólico do que os seus ancestrais comuns. Isto abre um histórico para um aumento desastroso nos quadros afetivos e ansiogênicos (que produz ansiedade) de nossa sociedade. Uma das alternativas para esta demanda, mas não somente, é procurar bons profissionais da saúde e políticos que entendam o homem a partir de um contexto bio-psico-social. E a priori são nestes profissionais que devemos apostar. A terapia comportamental parte desta perspectiva e tem colaborado e ajudado muitas pessoas proporcionando resultados muito satisfatórios para os diversos comportamentos inadequados. Ela é objetiva, clara e parte de um trabalho árduo de pesquisas e práticas que são comprovados cientificamente visando sempre a história do indivíduo (pré-disposição genética, ambiente e cultura).

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