segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Vocabulário de Análise Experimental do Comportamento

Autoria: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior / Co-autoria: Maria Aparecida Oliveira de Souza e Marcela França Dias
Orientação: Sérgio Dias Cirino/Pesquisador colaborador André Luiz Freitas Dias
Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal do Pará
Informações gerais: este vocabulário foi elaborado para atender alunos e professores que vejam nesse tipo de material uma boa opção didática para auxílio do ensino e aprendizagem de conceitos da Análise do Comportamento. A lista dispõe de 335 verbetes, com definições simples e objetivas de uma larga variedade de conceitos usados na área. Essa lista pretende abranger o maior número de termos usados pela Análise do Comportamento e excluir aqueles que não são tão importantes para um estudo inicial da abordagem. A lista inclui, por exemplo, alguns conceitos usados em metodologia, termos de outras ciências, e palavras de uso
cotidiano, tudo isso sob a perspectiva da Análise do Comportamento. Por outro lado, termos de áreas muito específicas, distantes da abordagem ou de emprego igual ao encontrado em dicionários foram excluídos. Por
uma questão de tempo, alguns conceitos filosóficos e termos muito específicos usados na clínica comportamental, por exemplo, não foram incluídas nessa versão, mas espera-se incluí-los em versões futuras.
Da mesma forma, também não se preocupou nesse trabalho em traçar evoluções teóricas dos conceitos, comparação entre autores ou alternativas de definições. Dentro da disponibilidade que se tinha, optou-se
propositalmente por definições ao máximo claras e didáticas, para fazer desse um material de consulta que fosse principalmente prático. Nesse sentido, o trabalho seria melhor caracterizado como “vocabulário, ao invés de “dicionário”. As definições não são tão elaboradas como em outros materiais, mas, podem ser consideradas possíveis dentro dos princípios teóricos e empíricos da Análise do Comportamento. Apesar da simplicidade de algumas definições, uma grande parte dos verbetes possui explicações complementares e/ou exemplos ilustrativos para facilitar sua aprendizagem. Estes verbetes estão assinalados com um asterisco (*), e a lista de anexos encontra-se no final da lista principal de termos. Como já foi dito, o principal objetivo desse material é ser um manual de consulta rápida. Não se pretende que ele sirva como um material completo para entendimento teórico da abordagem, mas sim que auxilie principalmente alunos que já estejam em contato com a área, a definir e diferenciar conceitos, bem como pesquisar por termos ainda desconhecidos. Seu uso deve ser cuidadoso, sendo aconselhável utilizá-lo tendo como base outras bibliografias e/ou uma disciplina ou professor de suporte. Assim como toda seleção, as escolhas são arbitrárias e podem refletir significativamente as preferências e tendências regionais do grupo que o elaborou. Um esforço para constante revisão e atualização do material será feito disponibilizando o trabalho pelo site http://www.fafich.ufmg.br/~vocabularioac. Sugestões e críticas também podem ser mandadas aos autores pelo mesmo endereço, ou diretamente pelo e-mail vocabulárioac@gmail.com. Espera-se com isso promover um intercâmbio mais próximo entre professores,estudantes, profissionais e pesquisadores.

Lista de Definições
Abstração: discriminação baseada em uma propriedade singular do estímulo.

Abulia (ou estafa): baixa freqüência de comportamento por custo alto da resposta.

Acompanhamento público: forma de aprender a responder a eventos privados, onde um sujeito observa estímulos que produzem estimulação privada*

Adaptação: redução de um comportamento operante, por apresentação prolongada de um estímulo.

Ambiente: todo conjunto de eventos que afetam e são afetados pelo comportamento dos organismos.

Ameaça: tipo de regra em que seu fornecedor especifica e medeia conseqüências aversivas para seu não cumprimento.
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.2

Análise Aplicada do Comportamento (AAC): área de intervenção e aplicação do conhecimento produzido pela Análise do Comportamento.

Análise do Comportamento (AC): área de investigação conceitual, empírica e aplicada do comportamento.

Análise Experimental do Comportamento (AEC): área de pesquisa e produção empírica da Análise do Comportamento.

Ansiedade: resposta emocional que ocorre frente a um estímulo pré-aversivo*

Aprendizagem: processo pelo qual um comportamento é adicionado ao repertório do organismo*

Aprendizagem estado-dependente: aprendizagem que tem maior probabilidade de ser demonstrada quando o aprendiz está no mesmo contexto em que ocorreu a aprendizagem original.

Aprendizagem implícita: demonstração de aprendizagem, sem ter ocorrido discriminação de regras pelo aprendiz.

Aprendizagem incidental: ocorrência de aprendizagem sem ter havido arranjo de contingências.

Aprendizagem intencional: ocorrência de aprendizagem tendo havido arranjo de contingências.

Aprendizagem latente: desempenho sutil de aprendizagem que não envolve reforçadores usuais (alimento,água, etc)*

Aprendizagem vicariante: aprendizagem baseada no responder de outro organismo, e em suas conseqüências*

Atenção: é um operante discriminado com base na história de reforçamento de responder a um estímulo ou a propriedade de um estímulo.

Ato falho: emissão de uma resposta verbal com baixa probabilidade de ser reforçada pela audiência, no lugar de uma resposta verbal que teria maiores chances de estar sob seu controle*

Atraso de reforço: tempo longo entre a emissão de uma reposta e o fornecimento do reforço*

Audiência: estímulos discriminativos que controlam a emissão de comportamentos verbais.

Auto-estima: nome que descreve comportamentos de pessoas que possuem grande histórico de obtenção de reforços positivos em situações de interação social.

Auto-reforço: apresentação de um reforçador, por parte do próprio indivíduo, para um comportamento que ele mesmo emitiu.

Auto-regras: tipo de regras emitidas e seguidas pelo próprio sujeito, e que exercem controle sobre seu comportamento*

Autoclítico: operante verbal que modifica o próprio comportamento verbal e que aumenta a discriminação pela audiência da verbalização do falante.
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col. 3

Auto-confiança: nome que descreve comportamentos de pessoas que possuem grande histórico de obtenção de reforços positivos em situações de manipulação do ambiente não social.

Autocontrole: nome dado a um responder que se encontra mais sob controle de consequências atrasadas do que de imediatas*

Behaviorismo Metodológico: base filosófica adotada nos primórdios do surgimento do Behaviorismo*

Behaviorismo Radical: área que serve de base para o estudo filosófico, conceitual e histórico da Análise do Comportamento*

Bloqueio: interferência no condicionamento respondente com um estímulo devido a um condicionamento prévio com outro.

Cadeia comportamental: comportamentos unidos por estimulação comum*

Ciências do comportamento: conjunto de áreas do conhecimento que têm algum interesse no estudo do comportamento dos organismos*

Classe: grupo de estímulos ou respostas que partilham propriedades ou características comuns, tais como topografia ou função.

Classe de conseqüências: grupo de estímulos conseqüentes que são similarmente efetivos no controle de uma resposta*

Classe de equivalência: grupo de estímulos arbitrários que partilham as propriedades de equivalência*

Classe de estímulos: grupo de estímulos antecedentes que são capazes de evocar uma mesma resposta*

Classe de respostas (ou operante): grupo de comportamentos que possuem a mesma função frente a uma estimulação*

Coerção: controle do comportamento por meio de reforçamento negativo ou punição.

Colagem de estímulos: somatório de todos os estímulos presentes no ambiente em um dado momento.

Competição: comportamentos de dois ou mais sujeitos em relação a um reforçador que não beneficia todos os envolvidos.

Competição de resposta: redução de uma resposta pelo tempo ou esforço envolvido no responder concorrente.

Comportamento: interação entre um organismo e seu mundo histórico e imediato.

Comportamento adjuntivo: comportamento excessivo que ocorre em função da alteração do valor reforçador de uma outra contingência e que não possui relação direta com as variáveis que usualmente controlariam a
resposta*

Comportamento colateral: comportamento que aparece conjuntamente e sistematicamente com um comportamento reforçado, mas que não possui relação com a contingência (reforçado por acaso).
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.4

Comportamento de ordem superior: tipo de comportamento com base em uma discriminação relacional.

Comportamento governado por regras: comportamentos operantes controlado por descrições das contingências ambientais*

Comportamento intermediário: variações no responder, que geralmente ocorrem no início ou no meio do intervalo entre estímulos*

Comportamento intrusivo: comportamentos de origem filogenética que surgem no meio de desempenhos operantes.

Comportamento modelado pelas contingências: comportamentos operantes controlados diretamente pelas contingências ambientais*

Comportamento operante (ou instrumental): tipo de comportamento onde sua maior fonte de controle encontra-se nos de estímulos conseqüentes.

Comportamento privado ou encoberto: comportamentos aos quais só a própria pessoa que os emite tem acesso*

Comportamento respondente (ou reflexo): tipo de comportamento onde a maior fonte de controle encontra-se nos estímulos antecedentes.

Comportamento social: comportamento de duas ou mais pessoas em relação a uma outra ou em conjunto, em relação a um ambiente comum*

Comportamento supersticioso: tipo de comportamento modificado, mantido ou estabelecido devido a uma relação acidental com um reforçador*

Comportamento verbal: comportamento que exige a presença de reforço mediacional e treino específico do falante e ouvinte na comunidade verbal para que ocorra*

Comunidade verbal: grupo de pessoas que possuem treino semelhante na emissão de comportamentos verbais.

Conceito: uma classe de estímulos onde seja possível observar processos de generalização intraclasse e discriminação interclasses.

Condicionamento: é uma alteração no responder, sob influência do ambiente.

Condicionamento avaliativo: mudança do valor hedônico de estímulos através de condicionamento Pavloviano.

Condicionamento clássico, pavloviano ou respondente: processo pelo qual um estímulo neutro adquire funções similares as de um estímulo incondicionado através de emparelhamentos prévios*

Condicionamento de atraso: tipo de condicionamento respondente onde o estímulo neutro é apresentado em
um intervalo longo (maior que cinco segundos) antes do início da ocorrência do estímulo incondicionado – o estímulo neutro fica presente ao longo do intervalo.
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.5

Condicionamento de ordem múltipla: é a mistura de condicionamentos respondentes simples, de segunda ordem e/ou de nível mais elevado.

Condicionamento de segunda ordem (ou de ordem superior): tipo de condicionamento respondente onde o estímulo neutro é emparelhado com um estímulo que já foi condicionado, e não por um estímulo incondicionado.

Condicionamento de traço: tipo de condicionamento respondente onde o estímulo neutro é apresentado em um intervalo longo (maior que cinco segundos) antes do início da ocorrência do estímulo incondicionado – o estímulo neutro desaparece durante o intervalo.

Condicionamento diferencial: tipo de condicionamento respondente onde um primeiro estímulo torna-se um estímulo condicionado por preceder o estímulo incondicionado, enquanto um segundo estímulo não adquire essa mesma função porque nunca o precede.

Condicionamento falso (pseudo-condicionamento): a eliciação do responder por um estímulo como resultado de sua apresentação no mesmo contexto que outro, embora nenhum dos dois tenha sido apresentado de umaforma contingente*

Condicionamento operante: processo pelo qual uma resposta tem sua freqüência alterada, devido às conseqüências passadas dessa ação.

Condicionamento reverso: tipo de condicionamento respondente onde o estímulo neutro é apresentado após o término da ocorrência do estímulo incondicionado*

Condicionamento simultâneo: tipo de condicionamento respondente onde o estímulo neutro é apresentado em um intervalo menor ou igual a cinco segundos antes do início da ocorrência do estímulo incondicionado*

Condicionamento temporal: tipo de condicionamento respondente onde o estímulo incondicionado é apresentado repetidas vezes em intervalos regulares.
Conflito: são alterações em um desempenho que ocorrem devido à existência de comportamentos ou conseqüências incompatíveis em um mesmo contexto de emissão*

“Congruence” (congruência): comportamento de seguir regras no qual o ouvinte é controlado tanto pelas suas relações com seu ambiente, quanto pelas suas relações com o fornecedor da regra.

Conhecimento explícito: domínio de determinado repertório de forma verbal*

Conhecimento tácito: domínio de determinado repertório de forma não verbal*

Consciência: nome usado quando um organismo se encontra em estado de vigília; quando emite tatos sobre alguma situação; ou quando discrimina variáveis de controle de algum comportamento.

Conseqüência: evento que ocorre após uma resposta e que possui alguma relação de controle sobre a mesma.

Contigüidade: justaposição de dois ou mais eventos que ocorrem simultaneamente ou muito próximos um do outro*

Contingência: componentes das relações comportamentais que apresentam relação de dependência entre si*
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.6

Contingência de reforçamento: unidade de análise no nível ontogenético - relação entre os comportamentosdo indivíduo e suas conseqüências.

Contingência de sobrevivência: unidade de análise nível filogenético - relação entre os comportamentos da espécie e suas conseqüências.

Contingência próxima: contingência mais imediata que mantém o comportamento governado por regras*

Contingência última: contingência de longo prazo que mantém o comportamento governado por regras*

Contingências entrelaçadas: é quando o comportamento de um indivíduo tem papel de ação e de ambiente comportamental para a ação de outros indivíduos*

“Contra-pliance”: tipo de pliance onde a resposta dada pelo ouvinte é contrária à especificada pela regra, porém ainda sob o controle do falante*

“Contra-tracking”: tipo de tracking onde a resposta dada pelo ouvinte é contrária à especificada pela regra, porém ainda sob o controle da relação com o meio físico*

Contra-condicionamento: imposição de um novo condicionamento respondente a um anterior que possua propriedades antagônicas.

Contracontrole: resposta comum decorrente de um processo de punição que visa esquiva da estimulação aversiva ou ataque ao agente punidor.

“Contrance” (contraste): comportamento de seguir regras no qual o ambiente e o fornecedor das regras provêm conseqüências conflitivas para o ouvinte (uma reforçadora e outra aversiva).

Controle de estímulos: refere-se à extensão na qual o valor de um estímulo antecedente determina a probabilidade de ocorrência de uma resposta.

Cooperação: comportamentos entre dois ou mais sujeitos em relação a um reforçador que beneficia todos os envolvidos.

Cópia: resposta verbal escrita derivada de estimulação verbal também escrita*

Correspondência ponto a ponto: é uma relação entre um estímulo discriminativo e a resposta que ele controla, na qual cada componente do estímulo controla sua parte correspondente da resposta*

CR (ou RC) - sigla que indica a resposta condicionada em um paradigma respondente.

Criatividade: nome usado para indicar a emissão de um comportamento que difere de outros emitidos nas mesmas circunstâncias (comportamento novo).

CS (ou EC) - sigla que indica o estímulo condicionado em um paradigma respondente.

Cultura: conjuntos de comportamentos que são ou não reforçados e/ou punidos por um grupo de pessoas em um ambiente comum.
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.7

Custo da resposta: condições necessárias para uma resposta ocorrer*

Desamparo aprendido: retardamento na aquisição do responder de fuga e esquiva, produzido por uma história em que o responder durante estímulos aversivos não teve conseqüências reforçadoras*

Desempenho incompatível: tipo de efeito de um operante concorrente, onde os desempenhos com probabilidade semelhante de ocorrer, são impossíveis de ocorrer ao mesmo tempo.

Deslocamento: é um processo em que um comportamento com alta probabilidade que não pôde ser emitido,
ocorre em um contexto similar, mas com baixa probabilidade de ser punido*

Determinismo probabilístico: chance relativa de um determinado evento X causar uma resposta Y.

Diferenciação de respostas: restrição dos efeitos do reforço, extinção ou punição dentro dos limites de uma classe operante.

Discriminação condicional: procedimento de discriminação que envolve estímulos condicionais*

Discriminação de estímulos: é um responder de maior probabilidade frente a um estímulo, em comparação com outro.

Discriminação interclasses: processo de discriminação de estímulos pertencentes a classes diferentes*

Discriminação relacional (ou aprendizagem relacional): é um responder a uma relação observada entre estímulos e não às suas propriedades físicas*

Discriminação temporal: discriminação baseada em propriedades temporais dos estímulos.

Ditado: resposta verbal escrita derivada de estimulação vocal.

DRA: reforçamento diferencial de comportamento alternativo*

DRH: reforçamento diferencial de altas taxas de respostas*

DRI: reforçamento diferencial de comportamento incompatível*

DRL: reforçamento diferencial de taxas baixas de respostas*

DRO: reforçamento diferencial de qualquer outro comportamento (que não um em especial)*

DRP: reforçamento diferencial de responder espaçado*

Ecóico: uma resposta verbal vocal derivada de estimulação também vocal*

Efeito de Garcia: um estímulo gustativo se torna facilmente um CS eliciando uma CR de aversão depois de emparelhamentos com um US que elicia uma UR de enjôo*

Eliciar: termo que se relaciona à ocorrência de uma resposta respondente.

Elo de cadeia: estímulos dentro de uma cadeia comportamental - função de ocasião e de reforço.
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col. 8

Emitir: termo que se relaciona à ocorrência de uma resposta operante.

Emoção: nome usado para descrever uma série de comportamentos principalmente respondentes, de ocorrência pública ou privada, de natureza orgânica ou aprendida, de acordo história do falante e cultura.

Emparelhar: dispor estímulos diferentes de forma contingente e sistemática em procedimentos respondentes*

Ensinar: arranjar contingências de reforço.
Episódio verbal: termo utilizado para descrever uma situação onde há a presença de comportamentos de ouvinte e falante.

Equivalência de estímulos: relação entre estímulos produzida por discriminação condicional, que partilham entre si todas as propriedades das relações emergentes de reflexividade, simetria e transitividade.

Esquema: especificação dos critérios pelos quais as respostas tornam-se elegíveis para produzir reforçadores.

Esquema ajustável: esquema que varia em função de alguma propriedade de desempenho.

Esquema alternativo: esquema em que uma resposta é reforçada quando qualquer um dos dois ou mais requisitos é satisfeito.

Esquema compassado: esquema que faz uso do DRP.

Esquema composto: esquema que combina dois ou mais esquemas componentes.

Esquema conjuntivo: esquema que reforça uma resposta quando cada um dos dois ou mais requisitos dos esquemas são satisfeitos.

Esquema de intervalo: esquema em que um tempo mínimo deve transcorrer antes que uma resposta seja reforçada*

Esquema de razão: esquema em que um número específico de respostas deve ser emitido antes que a última seja reforçada*

Esquema de tempo: esquema em que um tempo mínimo deve transcorrer antes que uma resposta seja reforçada - a apresentação do reforçador independe de qualquer resposta.

Esquema encadeado: esquema composto, no qual os reforçadores são produzidos pelo completar sucessivo de mais de um esquema componente - presença de estímulos diferentes.

Esquema encadeado concorrente: esquemas concorrentes em que os reforçadores são em si mesmos esquemas que operam separadamente e na presença de diferentes estímulos.

Esquema intercruzado: esquema em que as propriedades de intervalos entre respostas variam juntos de acordocom alguma função comum (um afeta o outro).

Esquema misto: esquema composto com dois ou mais componentes que operam em alternação na presença do mesmo estímulo.
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col. 9

Esquema múltiplo: esquema composto com dois ou mais componentes que operam em alternação na presença de estímulos diferentes.

Esquema progressivo: esquema em que os requisitos mudam progressivamente em cada reforçador.

Esquema Tandem: esquema composto, no qual os reforçadores são produzidos pelo completar sucessivo de mais de um esquema componente - presença de um mesmo estímulo.

Esquemas concorrentes: dois ou mais esquemas que operam simultânea e independentemente, cada um para uma resposta diferente.

Esquemas conjuntos: dois ou mais esquemas componentes, geralmente envolvendo diferentes reforçadores, operando para uma única resposta.

Esquemas fixos: baseados em número fixo de respostas, intervalo ou tempo para liberar reforçador.

Esquemas randômicos: baseados em uma probabilidade para liberação do reforçador - número de respostas, intervalo ou tempo aleatórios.

Esquemas variáveis: baseados em média de respostas, intervalo ou tempo para liberar reforçador.

Esquiva: prevenção de uma estimulação aversiva por uma resposta.

Estímulo: qualquer evento físico ou combinação de eventos relacionados com a ocorrência de uma resposta.

Estímulo apetitivo ou estímulo reforçador: qualquer evento que quando apresentado aumenta a freqüência de um comportamento e que quando retirado diminui a sua freqüência.
Estímulo aversivo ou estímulo punidor: qualquer evento que quando apresentado diminui a freqüência de um comportamento e que quando retirado aumenta sua freqüência.

Estímulo condicionado: estímulo que adquire as propriedades do estímulo incondicionado por acompanhá-lo fidedignamente em um processo de aprendizagem*

Estímulo condicional: estímulo que sinaliza qual contingência de três termos está em vigor*

Estímulo contextual: estímulo que sinaliza qual contingência de quatro termos está em vigor*

Estímulo incondicionado: estímulo que possui suas propriedades de reforçamento, aversividade ou eliciação devido à história filogenética*

Estímulo neutro: estímulo que, sem condicionamento, não elicia respostas reflexas*

Estímulo pré-aversivo: estímulo que precede seguramente um estímulo aversivo*
Estímulo verbal: estímulo produzido por um comportamento verbal.

Evento antecedente: quaisquer eventos que ocorram antes da emissão de uma resposta - com ou sem relação de contingência.
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col. 10

Evento subseqüente: evento que ocorrem após a emissão de uma resposta e que não possui relação de controle sobre a mesma.

Evocar: termo utilizado quando se tem dúvidas se um comportamento foi emitido ou eliciado*

Explicação circular: é quando a explicação de um dado evento é a sua própria evidência*

Extinção operante: quebra da relação de contingência entre uma resposta e uma conseqüência pela suspensão do reforçamento*

Extinção respondente: quebra da relação de contingência entre um estímulo antecedente e uma resposta pela apresentação sucessiva do CS sem o US.

“Fading” (esvaecimento): é a transferência gradativa do controle de um comportamento de um estímulo para outro.

“Fading in”: é a transferência gradativa do controle de um comportamento, de um número pequeno de estímulos para um número maior.

“Fading out”: é a transferência gradativa do controle de um comportamento, de um número grande de estímulos para um número menor.

“Feedback”: estímulo ou propriedade de estímulo relacionado ao, ou produzido pelo, próprio comportamento do organismo. O estímulo pode mudar o comportamento, que, por sua vez, pode mudar o estímulo.

FI (ou IF): sigla que indica esquema de intervalo fixo.

Ficção explanatória: consiste em dar um nome ao que se pretende explicar*

Filogênese: história evolucionária da espécie.

Fixação funcional: tentativa repetida de solucionar um problema da mesma maneira.

FR (ou RF): sigla que indica esquema de razão fixa.

Freqüência de respostas: total de respostas por um tempo fixo.

FT (ou TF): sigla que indica esquema de tempo fixo.

Fuga: é a interrupção de uma estimulação aversiva por uma resposta.

Generalização de estímulos: é um responder de probabilidade similar na presença de estímulos diferentes.

Generalização intraclasse: processo de generalização de estímulos pertencentes a uma mesma classe*

Gradiente: medida do responder durante diferentes estímulos como uma função de sua localização ao longo deum contínuo*
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.11

Grupo controle: grupo de sujeitos de um procedimento experimental que não são submetidos à variável independente.

Grupo experimental: grupo de sujeitos de um procedimento experimental que são submetidos à variável independente.

Hábito: comportamento recorrente ou altamente resistente à mudança.

Habituação: redução no comportamento respondente, ao longo de repetidas apresentações de um estímulo.

História comportamental: condições a que um organismo tem sido exposto e que afetam seu comportamento presente.

Imediaticidade: conseqüenciação de um comportamento logo após sua emissão*

Impulsividade: nome dado a um responder mais sob o controle de conseqüências imediatas do que de atrasadas*

Inconsciente: nome usado quando um organismo não se encontra em estado de vigília; quando não se emite tatos sobre alguma situação; ou quando não discrimina variáveis de controle de algum comportamento.

Independência funcional: observação de relação entre eventos, sem manipulação direta dos mesmos.

Indução de respostas: é a difusão dos efeitos do reforço, punição ou extinção para fora dos limites de uma classe operante.

Inibição condicionada: é quando um estímulo (A) antes emparelhado com alta correlação com US deixa de produzir CR devido a um outro emparelhamento com um estímulo (B) de baixa correlação com US (estímulo composto A+B).

Inibição latente: é o impedimento, por algum motivo, de um estímulo neutro se tornar um CS.
“Insight”: solução súbita de um problema, sem tentativas aparentes ou sem clareza dos passos de sua resolução.

Instrução: Sd verbal que descreve seqüências de comportamentos.

Instrutor: pessoa que se comporta como modelo, ensinando os passos para se emitir algum desempenho final.

Inteligência: nome que indica sucesso na emissão de algum comportamento específico.

Intraverbal: resposta verbal controlada por estimulação também verbal*

IRT (ou TER): tempo entre duas respostas.

Lapso de memória: interrupção repentina do comportamento de falar ou pensar sobre um tema específico*

Latência: intervalo de tempo entre o aparecimento de um estímulo e a evocação de uma resposta.

“Learning set” (aprender a aprender): melhoria no desempenho, velocidade e acurácia em um processo de aprendizagem, devido à exposição a outros treinos de aprendizagem no passado.
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.12

Lei da igualação: taxas relativas de diferentes respostas tendem a se igualar às taxas relativas de reforços que elas produzem.

Lei do efeito: todo ato que produz satisfação tende a se repetir, enquanto todo ato que produz desconforto tende a não se repetir*

Lembrar/recordar: resposta privada ocasionada por um estímulo que já não está presente publicamente.

Liberdade: diz da emissão de comportamentos sem presença de coerção.

Limiar absoluto: intensidade mínima de um estímulo para evocar uma resposta.

Limiar diferencial: é o valor mínimo para descobrir a diferença de intensidade de um estímulo.

Linguagem: práticas verbais compartilhadas por membros de uma comunidade verbal.

Linha de base (ou nível operante): medida estável de um desempenho inicial sobre o qual são aplicados os procedimentos experimentais.

Magnitude: força de uma resposta*

Mando: resposta verbal controlada por uma operação estabelecedora*

Mando distorcido: resposta verbal com controle diferente do especificado*

Mando impuro: resposta verbal com forma de mando e função de tato*

Mando mágico: generalização do comportamento de “mandar” para situações onde o controle verbal é impossível*

Mando supersticioso: estabelecimento do comportamento de “mandar” devido a reforço acidental*

“Match-to-sample”: procedimento de escolha conforme o modelo que envolve discriminação condicional*

Membro de cadeia: respostas dentro de uma cadeia comportamental.

Mentalismo: tipo de eventos mentais que são usados para explicar comportamentos.

Metacontingência: unidade de análise no nível cultural - relação entre práticas culturais e suas conseqüências.

Método experimental: um dos métodos usados pela ciência, que visa descobrir as relações de dependência entre os eventos da natureza*

Modelação: apresentação de um comportamento a ser imitado*

Modelagem: modificação gradual de alguma propriedade do responder através do reforço diferencial por aproximações sucessivas.

NS (ou EN): sigla que indica estímulo neutro em um paradigma respondente.
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.13

Ocasião: circunstâncias sob as quais uma resposta opera.

Ofuscação: é quando um dos elementos de um estímulo composto emparelhado com US adquire um poder maior de eliciar o CR do que o outro elemento (maior saliência).

Ontogênese: história de aprendizagem de um organismo.

Operação estabelecedora: é uma operação que altera o valor reforçador de uma conseqüência e que aumenta a probabilidade de ocorrência de comportamentos relacionados a estes estímulos*

Operação estabelecedora condicionada: tipos de operações estabelecedoras de origem ontogenética.

Operação estabelecedora condicionada reflexiva: envolve uma relação entre a apresentação sistemática de um evento e a retirada de um estímulo aversivo. Este estímulo adquire propriedades motivacionais de esquiva*

Operação estabelecedora condicionada substituta: envolve uma correlação temporal de um evento, previamente neutro, que antecede sistematicamente uma operação estabelecedora incondicionada ou condicionada, adquirindo assim suas funções motivacionais*

Operação estabelecedora condicionada transitiva: relaciona-se com o conceito de reforçador condicionado condicional. Estabelece condições para que reforçadores condicionados adquiram funções motivacionais, apartir de uma outra operação estabelecedora condicionada*

Operação estabelecedora incondicionada: tipos de operações estabelecedoras de origem filogenética*

Operacionalização de termos: explicar conceitos com base nas operações que eles descrevem.

Operante discriminado: comportamento operante sob o controle de certos estímulos, e não de outros.
Operante livre: é a condição na qual o organismo fica para emitir a próxima resposta, após ter finalizado uma anterior.

Operantes concorrentes: duas ou mais classes de respostas alternativas com probabilidade semelhante de ocorrência (compatíveis ou incompatíveis).

Organismo: fonte de emissão de comportamentos.

Pensamento: comportamento privado que ocorre no estado de vigília.

Período crítico: qualquer período de tempo ao qual se limita à operação de um processo comportamental.

Perito: pessoa que se comporta como modelo, apresentando apenas o passo final de algum desempenho.
Personalidade: nome usado para descrever padrões comportamentais relativamente estáveis em determinadas
condições ambientais.
“Plience” (complacência): comportamento de seguir regras sob o controle das relações do ouvinte com o
fornecedor da regra*
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.
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Potenciação: aumento, ao longo de apresentações repetidas, no comportamento respondente eliciado por um
estímulo*
Prática cultural: conjunto de contingências entrelaçadas de reforçamento, no qual o comportamento e os
produtos comportamentais de cada participante funcionam como eventos ambientais com os quais o
comportamento de outros indivíduos interagem*
Pré-condicionamento sensorial: tipo de condicionamento de ordem superior em que uma relação contingente
entre dois estímulos precede a ocasião em que um deles será empregado como CS*
Precorrente: respostas que antecedem uma resposta final de solução de um problema e que aumentam a
probabilidade de sua ocorrência (verbal ou não verbal).
Princípio de Premack: estímulos reforçadores e punidores são definidos pela alteração na freqüência dos
comportamentos que os produziram*
Privação: redução na disponibilidade de um reforçador - aumenta a probabilidade de ocorrência de
comportamentos que produzam esse estímulo.
Probabilidade: é a freqüência que um evento ocorre dividido pela freqüência possível.
“Probe” (sondagem): dica verbal na qual o falante não discrimina a resposta final.
Problema: é a baixa probabilidade de emissão de uma resposta frente a uma determinada estimulação.
Processo comportamental: é uma mudança no comportamento no tempo (ou tentativas no tempo) em que um
procedimento constante é mantido em efeito.
“Prompt” (incitação): dica verbal na qual o falante discrimina a resposta final.
Propriedades comuns: forma de aprender a responder a eventos privados, que se caracteriza basicamente por
um processo de generalização: uma resposta pública possui função similar à mesma resposta de forma privada*
Punição: processo comportamental utilizado para reduzir a freqüência de um comportamento*
Punição negativa: processo operante em que a retirada de um estímulo conseqüente (reforçador), diminui a
freqüência de uma resposta.
Punição positiva: processo operante em que a apresentação de um estímulo conseqüente (aversivo), diminui a
freqüência de uma resposta.
Punidor primário: tipo de estímulo punidor que teve sua função estabelecida devido à história filogenética.
Punidor secundário: tipo de estímulo punidor que teve sua função estabelecida devido à história ontogenética.
Quadro relacional: descrição das relações que caracterizam uma classe de ordem superior, especialmente em
casos de controle de estímulos complexo*
Recompensa: fornecimento de benefício ou premiação frente a determinado comportamento*
Agosto 2005
Vocabulário da Análise do Comportamento: Ronaldo Rodrigues Teixeira Júnior e col.
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Recuperação espontânea: um aumento no responder após um período de decréscimo ou ausência de respostas*
Redução da resposta: forma de aprender a responder a eventos privados, onde um resposta pública, ganha
gradativamente, controle privado*
Reflexividade: uma vez apresentado um estímulo A como modelo, ser capaz de responder a ele também como
comparação (A-A)*
Reflexo condicionado: eliciação de uma resposta condicionada (CR) por um estímulo que fora condicionado
(CS)*
Reflexo incondicionado: eliciação de uma resposta incondicionada (UR) por um estímulo incondicionado
(US)*
Reforçador arbitrário: tipo de estímulo reforçador que para ser eficaz depende de um estado de privação de
uma segunda pessoa*
Reforçador extrínseco: tipo de estímulo reforçador que possui uma relação arbitrária com as respostas que o
produzem*
Reforçador generalizado: tipo de estímulo reforçador secundário que se relaciona com vários reforçadores
primários*
Reforçador intrínseco: tipo de estímulo reforçador que possui uma relação direta com as respostas que o
produzem*
Reforçador natural: tipo de estímulo reforçador que para ser eficaz depende do estado de privação da própria
pessoa*
Reforçador primário: tipo de estímulo reforçador que teve sua função estabelecida devida à história
filogenética.
Reforçador secundário: tipo de estímulo reforçador que teve sua função estabelecida devido à história
ontogenética.
Reforçador social: tipo de estímulo reforçador que depende da mediação de um outro organismo para ser
liberado*
Reforçamento: processo comportamental utilizado para aumentar a freqüência de um comportamento*
Reforçamento acidental: processo onde se nota uma coincidência entre a ocorrência de um comportamento e a
liberação de um reforçador*
Reforçamento contínuo (ou CRF): processo de reforçamento de todas as respostas dentro dos limites de uma
classe operante.
Reforçamento diferencial: processo onde algumas respostas são escolhidas para serem reforçadas e outras
não*
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Reforçamento intermitente: processo de reforçamento de algumas, mas não de todas as respostas dentro dos
limites de uma classe operante.
Reforçamento negativo: processo operante em que a retirada de um estímulo conseqüente (aversivo), aumenta
a freqüência de uma resposta.
Reforçamento positivo: processo operante em que apresentação de um estímulo conseqüente (reforçador),
aumenta a freqüência de uma resposta.
Regra: descrição verbal de uma contingência que exerce controle sobre o comportamento*
Regra descritiva (ou implícita): regra em que um ou mais termos da contingência que está em vigor não estão
descritos*
Regra prescritiva (ou explícita): regra em que há a descrição dos três termos da contingência em vigor*
Relação emergente: é uma relação que emerge de subprodutos ou generalizações de estímulos ou respostas,
sem nunca ter havido treino direto*
Relação funcional: efeito de uma contingência, onde a ocorrência de um evento afeta a ocorrência do outro
(relação se... então...).
Repertório: comportamento que um organismo pode emitir, no sentido de que o comportamento existe em um
nível acima de zero, foi modelado ou, se extinto, pode ser rapidamente reinstalado.
Resistência: aumento de um limiar, pela apresentação de pequenas intensidades sucessivas de um estímulo.
Resposta: unidade de comportamento que afeta e é afetado por estímulos.
Resposta colateral: forma de aprender a responder a eventos privados, onde um sujeito observa um resposta
que geralmente acompanha uma estimulação privada*
Resposta controladora: resposta emitida que altera a probabilidade de ocorrência de uma outra resposta*
Resposta de observação: resposta que produz ou clarifica um estímulo discriminativo e que pode ser mantida
pela efetividade do estímulo como reforçador condicionado.
Resposta de orientação: resposta que coloca um organismo em posição de emitir outras respostas, ou que
permite que ele entre em contato com estímulos discriminativos.
Ressurgência (ou regressão): reaparecimento de um comportamento que já não estava ocorrendo no presente,
mas que era freqüente no passado*
S_ (S-delta): sinaliza a indisponibilidade de reforço e estabelece a ocasião para ocorrência de respostas que
evitem contato com estimulação aversiva.
Saciação: apresentação continuada de um reforçador - diminui a probabilidade de ocorrência de
comportamentos que produzam esse estímulo.
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Sd (estímulo discriminativo): sinaliza a disponibilidade de reforço e estabelece a ocasião para a ocorrência de
respostas que produzam reforçadores.
Seleção por conseqüências: modelo de explicação do comportamento formulado por Skinner, que postula que
os comportamentos da espécie, do indivíduo e as práticas culturais, são mantidas por suas conseqüências*
Sensibilização: rebaixamento de um limiar, pela apresentação de um outro estímulo no passado*
Sentimento: nome usado para descrever uma série de comportamentos principalmente operantes, de ocorrência
pública ou privada, de natureza orgânica ou aprendida, de acordo história do falante e cultura.
Significado: usos que fazemos das palavras, ou de outros comportamentos, de acordo com nossa história de
reforçamento.
Simetria: uma vez treinada uma relação A (modelo) = B (comparação), ser capaz de responder de forma
inversa (B-A)*
Simetria da transitividade: uma vez treinada uma relação A (modelo) = B (comparação) e outra B (modelo) =
C (comparação), ser capaz de responder diretamente a relação C-A.
Solução de problema: emissão de uma resposta que estava com probabilidade baixa frente à determinada
estimulação.
Sombreamento: atenuação do condicionamento respondente com um estímulo, por causa da presença de outro.
Sonho: comportamento privado que ocorre no estado de repouso.
Sublimação: é um processo em que um comportamento com alta probabilidade que não pôde ser emitido,
ocorre em um contexto diferente, mas com baixa probabilidade de ser punido*
Suborno: tipo de regra em que seu fornecedor especifica e medeia conseqüências reforçadoras para seu
cumprimento.
Sujeito ingênuo: organismo que participa de pesquisa, sem história prévia em outros procedimentos.
Supressão condicionada: redução no responder produzida direta ou indiretamente por um estímulo aversivo.
Tato: resposta verbal controlada por estímulos discriminativos não verbais*
Tato distorcido: resposta verbal com controle diferente do especificado*
Tato genérico: generalização dos efeitos do tato para estímulos que possuem várias características semelhantes
àquele que foi aprendido*
Tato impuro: resposta verbal com forma de tato e função de mando*
Tato metafórico: generalização dos efeitos do tato para um estímulo que possua pelo menos uma característica
semelhantes àquele que foi aprendido*
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Tato metonímico: generalização dos efeitos do tato para estímulos que não possuem características
semelhantes àquele que foi aprendido, somente o acompanharam no passado*
Tato por solecismo (ou catacrese): generalização dos efeitos do tato para estímulos que não possuem
características semelhantes àquele que foi aprendido, mas o substitui na ausência de um termo mais apropriado*
Tatos não tateáveis: tipo de resposta verbal que dificulta que o ouvinte entre em contato com as condições
reais do ambiente*
Tautologia: vício da linguagem que consiste em se falar, de diferentes maneiras, da mesma coisa*
Taxa de respostas: número de respostas por unidade de tempo.
Textual: resposta verbal vocal derivada de estimulação escrita.
“Time out” (pausa): período em que se retira um organismo do contato com reforçadores, visando diminuir a
freqüência de um comportamento específico*
Topografia de um comportamento: descrição de um comportamento com base na sua forma ou estrutura.
“Tracking” (trilha): comportamento de seguir regras sob controle das relações do ouvinte com seu ambiente*
Transitividade: uma vez treinada uma relação A (modelo) = B (comparação) e outra B (modelo) = C
(comparação), ser capaz de responder diretamente a relação A-C.
Treino: repetição das condições de condicionamento entre uma resposta e uma conseqüência em procedimentos
operantes*
UR (ou RI): sigla que indica a resposta incondicionada em um paradigma respondente.
US (ou EI): sigla que indica o estímulo incondicionado em um paradigma respondente.
Variável dependente: é o efeito observado na manipulação da VI*
Variável experimental: variável que é manipulada pelo experimentador*
Variável independente: são as variáveis que o experimentador manipula*
Variável sob observação: qualquer mudança ambiental que possa ter ou não relação com a variável
experimental*
Verbalização: emissão de respostas verbais por um falante.
Vernáculo: expressão da linguagem cotidiana que nomeia eventos do mundo*
VI (ou IV): sigla que indica esquema de intervalo variável.
VR (ou RV): sigla que indica esquema de razão variável.
VT (ou TV): sigla que indica esquema de tempo variável.
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“wordblend” (fusão de palavras): respostas verbais concorrentes que geram uma resposta verbal fundida, com
dois controles diferentes.
Lista de Anexos
*Acompanhamento público: Ex. ver alguém sendo picado por uma cobra e perguntar: “você está passando
mal?”, ou ver o número de horas que a pessoa passou acordada e falar: “você deve estar cansado”.
*Ansiedade: pode ser caracterizada por uma baixa emissão geral de comportamentos na ausência deste
estímulo ou por uma alta emissão de comportamentos de fuga ou esquiva.
*Aprendizagem: algumas formas pelas quais pode ocorrer a aprendizagem: por generalização, regras,
modelação com instrução, modelação sem instrução, modelagem, diferenciação de respostas, etc (em geral
observamos essa ordem quando queremos saber a velocidade de aquisição – da mais rápida a mais lenta).
*Aprendizagem latente: Ex. rato que explora um labirinto sem haver liberação de comida ou água, por
exemplo (o mero explorar seria reforçador).
*Aprendizagem vicariante: fatores que aumentam a probabilidade de ocorrer a aprendizagem vicariante:
similaridade entre o modelo e o observador; semelhança entre atividades realizadas; quando há a liberação de
reforçador por observar o modelo; quando o comportamento do modelo é saliente; quando o comportamento do
modelo é compatível com repertório do observador; quando o modelo entra em contato com conseqüências
reforçadoras após se comportar.
*Ato falho: tal fato ocorre devido a similaridade topográfica ou funcional com outra palavra e/ou por forte
operação estabelecedora em vigor. Ex. uma pessoa pode estar privada de comida e falar que quer um “pão” ao
invés de um “pano”, ao pedir ajuda a um amigo pra limpar sua mesa.
*Atraso de reforço: em geral quanto maior o atraso, menor a efetividade do reforço.
*Auto-regras: o falante e o ouvinte são a mesma pessoa (relação com autocontrole).
*Autocontrole: 1) em geral envolve: a) a de troca de um reforçador de menor magnitude a curto prazo, por
outro de maior magnitude a longo prazo; ou b) a submissão a uma condição aversiva de menor magnitude no
presente para evitar uma outra de maior magnitude no futuro; 2) técnicas: restrição física (tampar o nariz e a
boca para não espirrar), mudança de estímulos (sair com pouco dinheiro pra não comprar muita coisa), privação
(não fazer lanches durante o dia pra comer melhor nas refeições), saciação (fazer compras depois de jantar para
não comprar muita coisa de comer), manipulação de condições emocionais (pedir um favor para a pessoa
sorrindo), uso de estimulação aversiva (usar despertador para acordar), drogas (usar estimulantes para trabalhar
ficar acordado de madrugada), auto-reforço (programar alguns minutos de folga após horas de trabalho), etc.
*Behaviorismo Metodológico: terminologia decorrente da ênfase dada ao método utilizado (somente o estudo
de comportamentos observáveis).
*Behaviorismo Radical: duas explicações para o termo radical: a) nega radicalmente a existência de qualquer
metafísica no controle de comportamentos; b) estuda radicalmente todos os comportamentos.
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*Cadeia comportamental: um mesmo estímulo possui tanto função de reforçador condicionado para um
comportamento anterior da cadeia, quanto função estímulo discriminativo para a ocorrência do comportamento
seguinte.
*Ciências do comportamento: Ex. Análise do Comportamento, Etologia, Antropologia, etc.
*Classe de conseqüências: Ex. aluno que estuda sob controle de várias conseqüências: para obter elogios dos
pais, para evitar sermões dos professores e porque quer entrar em uma faculdade.
*Classe de equivalência: presença de bidirecionalidade – um mesmo estímulo pode funcionar como modelo ou
comparação Ex. um desenho de uma casa me permite dizer a palavra “casa” e a palavra “casa” me permite fazer
o desenho de uma casa.
*Classe de estímulos: Ex. ver um pastor alemão ou um dálmata permitem emitir a resposta verbal “cachorro”.
*Classe de respostas (ou operante): Ex: chorar ou fazer birra podem ser efetivos para uma criança conseguir
atenção.
*Comportamento adjuntivo: geralmente observada em esquemas longos de FI (também em extinção e
punição).
*Comportamento governado por regras: 1) em geral a aprendizagem é mais rápida, o comportamento é
menos preciso e é menos sensível à variações ambientais imediatas; 2) sempre envolve duas contingências:
próxima e última; 3) três critérios para se determinar se um comportamento está sendo controlado por regras - a)
uma regra deve anteceder a ocorrência do comportamento, b) a descrição da regra deve ser correspondente ao
comportamento emitido, c) o desempenho não varia substancialmente ao se alterar as conseqüências imediatas
da contingência.
*Comportamento intermediário: observados principalmente em comportamentos de superstição e ou no
condicionamento temporal.
*Comportamento modelado pelas contingências: em geral a aprendizagem é mais lenta, o comportamento é
mais preciso e mais sensível a variações ambientais imediatas.
*Comportamento privado ou encoberto: 1) são observáveis, porém com uma maior probabilidade de
discordância pública Ex: sonho e pensamento. 2) formas de aprender respostas privadas: acompanhamento
público, resposta colateral, redução da resposta, propriedades comuns.
*Comportamento social: Ex. dar prato de comida para necessitado. 1) a topografia de comportamentos sociais
e não sociais pode ser a mesma, com funções diferentes; 2) para ser social, a maior parte do controle do
comportamento deve atender ao estado de privação da outra pessoa, e não dela mesma.
*Comportamento supersticioso: não há relação de contingência (geralmente observado em esquemas de FT
curtos).
*Comportamento verbal: 1) apenas o comportamento do falante é verbal (o do ouvinte é considerado um
responder discriminado); 2) três situações onde reforço mediacional não é verbal: quando estes são equivalentes
a eventos físicos, eliciados ou acidentais; 3) operantes verbais: fala, mando, intraverbal, ecóico, cópia, ditado e
textual.
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*Condicionamento clássico, pavloviano ou respondente: 1) componentes de um condicionamento reflexo:
US-UR-N-CS-CR; 2) tipos de condicionamento: simultâneo, de traço, de atraso, temporal, reverso, diferencial,
de ordem superior - ou 2a ordem.
*Condicionamento falso (pseudo-condicionamento): Ex: um grande susto pode fazer com que um organismo
emita respostas semelhantes a outros estímulos que estavam presentes no momento.
*Condicionamento reverso: é considerado o tipo de condicionamento menos efetivo, geralmente observado
com o uso de estímulos aversivos.
*Condicionamento simultâneo: é considerado o tipo de condicionamento mais efetivo.
*Conflito: tipos: a) aproximação–esquiva: uma mesma resposta produz reforçadores e punidores, b)
aproximação–aproximação: duas ou mais respostas produzem diferentes reforçadores, c) esquiva-esquiva: duas
ou mais respostas evitam, cada uma, um de dois ou mais estímulos aversivos.
*Conhecimento explícito: Ex. descrever como se dirige (“saber” sobre).
*Conhecimento tácito: Ex. dirigir com certa habilidade (“saber” como).
*Contigüidade: não há relação de contingência.
*Contingência: 1) no caso do comportamento respondente, se trabalha com as relações entre estímulo e
resposta. Já no caso do comportamento operante, é mais comum se trabalhar com as relações entre estímulo
antecedente, resposta e conseqüência (contingência de três termos). 2) contingências de quatro termos incluem o
estímulo condicional na contingência de três termos, e as contingências de cinco termos incluem o estímulo
contextual na contingência de quatro termos.
*Contingência próxima: geralmente envolve reforçadores sociais.
*Contingência última: geralmente não envolve reforçadores sociais.
*Contingências entrelaçadas: este se diferencia de encadeamento de respostas por envolver necessariamente a
relação entre estímulos e comportamentos de duas pessoas – na cadeia pode ser do próprio indivíduo.
*”Contra pliance”: Ex. uma pessoa pede a outra para que não abra a porta, e esta abre somente para provar à
primeira que ela não aceita ordens.
*”Contra tracking”: Ex. em um jogo de vôlei, pode-se imaginar um jogador que sempre erra o palpite quando
grita se as bolas vão cair dentro ou fora da quadra. Em uma jogada que ele falar “fora”, os parceiros do seu time
podem achar que está dentro e irem atrás da bola.
*Cópia: presença de correspondência ponto a ponto.
*Correspondência ponto a ponto: os estímulos discriminativos e as respostas precisam ter dois ou mais
componentes. Ex. a palavra escrita “gato” e a palavra falada “gato”. A letra G da palavra escrita controla a letra
G da palavra falada e assim também para todas as outras letras.
*Custo da resposta: em geral observa-se que quanto maior o custo da resposta menos provável é sua
ocorrência (e vice-versa).
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*Desamparo aprendido: Ex. rato toma choque independentemente do comportamento que emitir. Nota-se que
com o tempo este para de emitir comportamentos comuns de fuga ou esquiva (relação com depressão em
humanos).
*Deslocamento: 1) mesma função com topografia semelhante; 2) em geral envolve estimulação aversiva.
Ex. sujeito é xingado pelo chefe e briga com a família em casa.
*Discriminação condicional: base para estudos de equivalência de estímulos.
*Discriminação interclasses: se relaciona com o processo de formação de conceitos.
*Discriminação relacional (ou aprendizagem relacional): Ex. “maior que...”, “menor que...”, etc.
*DRA: Ex. em uma situação clínica, um terapeuta que nota que um cliente apresenta freqüência muito alta de
relatos sobre os problemas que lhe aconteceram durante a semana, pode liberar os mesmos reforçadores quando
ele começar a relatar avanços no processo psicoterapico.
*DRH: Ex: tempo necessário para os dois cliques do mouse serem efetivos para abrir programas no computador.
*DRI: Ex. em um contexto escolar, processo de reforçar o comportamento de alunos indisciplinados quando
estes se assentam perto do professor, quando estes conversam apenas no fundo da sala.
*DRL: Ex: tempo necessário para abrir algumas portas de geladeira, após já tê-la aberto antes.
*DRO: Ex. pais reforçam qualquer comportamento do filho, menos o de fazer bagunça.
*DRP: Ex. datilografia, dança, música – necessitam de um ritmo específico.
*Ecóico: presença de correspondência ponto a ponto.
*Efeito de Garcia: poucos emparelhamentos são necessários e se pode transcorrer longos períodos de atraso
entre CS e US.
*Emparelhar: os estímulos podem adquirir funções similares aos dos estímulos que foram emparelhados.
*Esquema de intervalo: o intervalo é medido a partir de algum evento: o início de um estímulo, o último
reforçador ou o final do outro intervalo. Após esse intervalo a primeira resposta é reforçada (as resposta que
ocorrem antes do intervalo não têm efeito).
*Esquema de razão: as respostas que ocorrem antes são cumulativas.
*Estímulo condicionado: também chamados de punidores ou reforçadores secundários (no caso do
comportamento operante) ou CS (no caso do comportamento respondente).
*Estímulo condicional: também chamado de 4o termo da contingência (alguns o consideram apenas como um
tipo de estímulo composto).
*Estímulo contextual: também chamado de 5º termo da contingência (alguns o consideram apenas como um
tipo de estímulo composto).
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*Estímulo incondicionado: também chamados de punidores ou reforçadores primários (no caso do
comportamento operante) ou US (no caso do comportamento respondente).
*Estímulo neutro: estímulo que não afeta o responder (no caso do comportamento operante), ou representado
pela sigla NS (no caso do comportamento respondente).
*Estímulo pré-aversivo: também chamado de estímulo aversivo condicionado (relação com ansiedade).
*Evocar: a dúvida pode ser decorrente em um caso onde a topografia dos dois comportamento seja semelhante,
ou em um caso onde haja duplo controle.
*Explicação circular: Ex. pergunta 1:“por que ele foi agressivo”? resposta 1: “por causa do ID”. Pergunta 2:
“como se sabe que o ID existe”? Resposta 2: “pela sua agressividade”.
*Extinção operante: 1) no início do procedimento a taxa da resposta a ser extinta aumenta consideravelmente e
aos poucos se reduz até atingir níveis semelhantes aos obtidos antes de ser aprendida; 2) em geral, a extinção é
conhecida por ser um processo mais lento, menos aversivo e com efeitos mais permanentes do que os
observados na punição.
*Ficção explanatória: Ex. pergunta: “por que um objeto cai quando eu o jogo no chão”? resposta: “por causa
da gravidade”.
*Generalização intraclasse: se relaciona com o processo de formação de conceitos.
*Gradiente: tipos: gradiente de generalização, de extinção, de discriminação, etc.
*Imediaticidade: facilita estabelecimento de relação de contingência.
*Impulsividade: em geral envolve: a) a de troca de um reforçador de maior magnitude a longo prazo, por outro
de menor magnitude a curto prazo; ou b) a submissão a uma condição aversiva de maior magnitude no presente
ao invés de entrar em contato com uma outra de menor magnitude no futuro.
*Intraverbal: relação arbitrária.
*Lapso de memória: geralmente devido à presença de alguma função aversiva (sem haver discriminação deste
controle pelo sujeito que está se comportando).
*Lei do efeito: formulada por Thorndike.
*Magnitude: geralmente é proporcional à intensidade de um estímulo.
*Mando: 1) possui reforçador específico e beneficia mais o falante; 2) Ex. pedidos e ordens; 3) extensões do
mando: supersticioso, mágico, etc.
*Mando distorcido: Ex.: perguntar “quantas horas?” quando se queria dizer “já quer ir embora?”
*Mando impuro: Ex.: perguntar “você tem carro?” quando se que dizer “eu tenho carro”.
*Mando mágico: Ex. falar “pára chuva!”.
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*Mando supersticioso: Ex. em um jogo de baralho falar “venha valete, venha...” e a carta pedida aparecer –
fortalece comportamento de pedir (tipo de comportamento supersticioso).
*”Match-to-sample”: muito usado em estudos de equivalência de estímulos.
*Mentalismo: Ex. pergunta: “por que ele brigou com a namorada”? resposta: “porque ele estava com raiva”.
*Método experimental: é necessária a existência de três condições para um método ser considerado
experimental: é preciso que haja manipulação de variáveis, controle de manipulação de variáveis e
randomização da amostra.
*Modelação: um modelo pode ser perito ou instrutor.
*Operação estabelecedora: tipos: operação estabelecedora incondicionada e condicionadas (substituta,
reflexiva, transitiva).
*Operação estabelecedora condicionada reflexiva: Ex. a luz do painel do carro emparelhada com a parada do
carro por falta de combustível. Aumenta a probabilidade de emissão do comportamento de abastecer o carro.
*Operação estabelecedora condicionada substituta: Ex. dinheiro que sempre aparece juntamente com
apresentação de comida em estado de privação, também adquire propriedades motivacionais.
*Operação estabelecedora condicionada transitiva: Ex. um telefone público seria uma operação
estabelecedora condicionada transitiva para o comportamento de procurar um cartão no bolso.
*Operação estabelecedora incondicionada: Ex. estimulação dolorosa, variações da temperatura em níveis
extremos (alta e baixa), administração de drogas, estimulação proprioceptiva, e variações nas operações de
privação e saciação de variáveis relacionadas à estimulação sexual, alimento, água, oxigênio, atividade, sono e
estimulação sensorial.
*”Pliance” (complacência): maior relação com o comportamento do falante “mando”, e com a obtenção de
reforçadores arbitrários (maior benefício do falante).
*Potenciação: principalmente sob estimulação aversiva.
*Prática cultural: Ex. conjunto de ações comunitárias de uma sociedade que envolve dar alimento a pessoas
necessitadas – uma pessoa doa comida, outra reúne os necessitados, outra os leva para casa, etc.
*Pré-condicionamento sensorial: ordem de fases inversa ao condicionamento de segunda ordem.
*Princípio de Premack: não há funções intrínsecas dos estímulos (diz sobre a relatividade e a possibilidade de
reversibilidade dos conceitos).
*Propriedades comuns: Ex. aprender a falar a palavra casa, e ser capaz de pensar na mesma palavra.
*Punição: 1) desvantagens de seu uso (principalmente da punição positiva): produção de respostas emocionais
aversivas, conflito de respostas e contracontrole; 2) vantagens do seu uso: efeito imediato, não exige grande
treino do agente punidor e seu efeito não varia de acordo com privação e saciação.
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*Quadro relacional: Ex. se as relações AB e BC fazem parte do quadro “o oposto de”, então a relação BC faz
parte da relação “o mesmo de”.
*Recompensa: pode ou não funcionar como um estímulo reforçador. Tal função só pode ser determinada
observando o efeito que a apresentação do estímulo tem sobre o responder futuro do organismo.
*Recuperação espontânea: observado após aplicação de procedimentos de extinção respondente e operante.
*Redução da resposta: em geral envolve estimulação aversiva. Ex. falar tudo o que acha de alguém e ser
punido, aumenta a probabilidade de posteriormente a pessoa falar cada vez menos, até chegar ao ponto de só
pensar sobre o assunto.
*Reflexividade: desempenho emergente (sem treino direto) que pode ser observado em procedimentos de
match-to-sample (uma das três propriedades necessárias para poder se observar uma relação de equivalência
entre estímulos).
*Reflexo condicionado: efeito semelhante ao observado na relação entre US e o UR (necessita de treino para
sua ocorrência).
*Reflexo incondicionado: relação com base na história filogenética (não necessita de treino para sua
ocorrência).
*Reforçador arbitrário: relação com obtenção de reforço negativo. Ex.: mudar comportamentos porque o
terapeuta pediu.
*Reforçador extrínseco: Ex: músico que toca por dinheiro.
*Reforçador generalizado: Ex.: dinheiro.
*Reforçador intrínseco: Ex. músico que toca pela estimulação sensorial que o instrumento produz.
*Reforçador natural: relação com obtenção de reforço positivo Ex.mudar porque os novos comportamentos
produzem contato com novos reforçadores.
*Reforçador social: respostas mais flexíveis e, em geral, relacionadas com esquemas intermitentes
*Reforçamento: 1) vantagens do seu uso: evita subprodutos da punição; 2) desvantagens do seu uso
(principalmente do reforçamento positivo): desempenhos hedonistas (sem obrigações), ausência de respostas de
esquiva (defesa de perigos), menor resistência à frustração.
*Reforçamento acidental: resulta em um aumento na freqüência do comportamento, mesmo sem haver relação
de contingência com o estímulo.
*Reforçamento diferencial: resulta em uma diferenciação de respostas.
*Regra: 1) pode possuir múltiplas funções como, por exemplo, as funções de estímulo discriminativo, operação
estabelecedora, etc; 2) sempre envolve duas contingências (próxima e última); 3) uma regra pode ser descritiva
ou prescritiva.
*Regra descritiva (ou implícita): menor custo para sua emissão, mas diminui a efetividade de seu seguimento.
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*Regra prescritiva (ou explícita): maior custo para sua emissão, mas aumenta a efetividade de seu seguimento.
*Relação emergente: observado, por exemplo, em procedimentos de equivalência de estímulos.
*Resposta colateral: Ex. ver alguém com o braço segurando a mandíbula e ver alguém perguntar “seu dente
está doendo?” ou ver alguém ficando vermelho e ouvir “acho que você está com vergonha”.
*Resposta controladora: presença de discriminação das variáveis que controlam sua ação (relação com
autocontrole).
*Ressurgência (ou regressão): geralmente por uma ausência de repertório, suspensão de reforço em uma
situação presente ou punição de comportamento antes reforçado.
*Seleção por conseqüências: 1) abrange os níveis filogenético, ontogenético e cultural de determinação do
comportamento; 2) análogo ao modelo darwinista de seleção natural (restrito ao nível filogenético).
*Sensibilização: Ex. dar um choque elétrico em uma pessoa, pode tornar mais provável que um ruído intenso
subseqüente produza uma reação de sobressalto.
*Simetria: desempenho emergente (sem treino direto) que pode ser observado em procedimentos de match-tosample
(uma das três propriedades necessárias para poder se observar uma relação de equivalência entre
estímulos).
*Simetria da transitividade: desempenho emergente (sem treino direto) que pode ser observado em
procedimentos de match-to-sample (usado como forma direta de se testar se houve equivalência).
*Sublimação: 1) mesma função com topografia diferente; 2) em geral envolve estimulação aversiva. Ex.
ninfomaníaco é punido pela sociedade por expressar suas fantasias sexuais e começa a pintar quadros obscenos.
*Tato: 1) esta resposta possui reforçador generalizado e beneficia mais o ouvinte; 2) Ex. avisos e conselhos; 3)
extensões do tato: genérica, metafórica, metonímica, etc.
*Tato distorcido: Ex.: falar “eu fiz o dever” quando na verdade outra pessoa fez o dever (mentira).
*Tato genérico: somente a primeira resposta sofreria essa classificação – as demais são devido à reforçamento
Ex. aprender a falar cachorro na presença de um pastor alemão e depois emitir o mesmo comportamento na
presença de um fila.
*Tato impuro: Ex.: falar “estou com sede” quando se queria dizer “você pode pegar água pra mim?”
*Tato metafórico: somente a primeira resposta sofreria essa classificação – as demais são devido à
reforçamento Ex. “aquela senhora é um doce”.
*Tato metonímico: somente a primeira resposta sofreria essa classificação – as demais são devido à
reforçamento Ex. “O palácio do planalto aprovou a nova lei” (o presidente).
*Tato por solecismo (ou catacrese): somente a primeira resposta sofreria essa classificação – as demais são
devido à reforçamento Ex. “todos puderam embarcar no avião” (palavra originalmente usada somente para
embarcações).
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*Tatos não tateáveis: Ex. “ninguém me ama”, “todos os homens são iguais”.
*Tautologia: Ex. pergunta: o que é memória? resposta: é uma rede de memória...
“Time out” (pausa): alguns autores utilizam esse conceito como sendo um exemplo de extinção, e outros como
de punição negativa.
*”Tracking” (trilha): maior relação com o comportamento do falante “tato”, e com a obtenção de reforçadores
naturais (maior benefício ouvinte).
*Transitividade: desempenho emergente (sem treino direto) que pode ser observado em procedimentos de
match-to-sample (uma das três propriedades necessárias para poder se observar uma relação de equivalência
entre estímulos).
*Treino: de forma geral, pode-se observar que quanto maior o número de repetições, mais fortalecida a relação.
*Variável dependente: 1) no caso da análise do comportamento é o comportamento 2) eixo Y, ordenada.
*Variável experimental: termo substituto para variável independente (o nome do último já pressupõe relação
antes da investigação).
*Variável independente: 1) no caso da análise do comportamento é o que controla o comportamento /
respondente = estímulo antecedente / operante = conseqüências; 2) eixo X, abscissa.
*Variável sob observação: termo substituto para variável dependente (o nome do último já pressupõe relação
antes da investigação).
*Vernáculo: Ex. força de vontade, Deus, etc.
Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.
Endereço: Av. José de Souza Campos (Norte-Sul) n. 494
CEP: 13092-123. Bairro: Nova Campinas Cidade: Campinas-SP
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Fone: (19) 33263700

sábado, 17 de novembro de 2007

Transtorno bipolar / Distúrbio Bipolar / Campinas Psicólogo

Distúrbio bipolar:
Distúrbio de temperamento em que períodos de mania e depressão se alternam, às vezes com períodos de humor normal entre eles.

Distúrbios de temperamento:
• A maioria das pessoas apresenta ampla variação emocional, mas em algumas pessoas com distúrbios de temperamento, essa variação é bastante restrita.
• Elas parecem estar presas a um ou outro extremo do espectro emocional, ou podem alternar períodos de mania e de depressão.
• Alterações no humor ou no estado emocional prolongado.
–Depressão
–Mania
–Distúrbio bipolar

Depressão:
• Distúrbio de temperamento caracterizado por sentimentos esmagadores de tristeza.
• Falta de interesse em atividades.
• Às vezes, sentimentos intensos de inutilidade e culpa.

O DSM-IV distingue entre duas formas de depressão clínica.
– O distúrbio depressivo maior é um episódio de tristeza intensa que pode durar vários meses.
– A distimia envolve uma tristeza menos intensa, mas persiste com pouco alívio por um período de dois anos ou mais.

Mania:
• Distúrbio de temperamento caracterizado por estados de euforia:
– Extrema atividade física.
– São excessivamente falantes.
– Distraem-se facilmente.
– Às vezes, os maníacos se sentem grandiosos.

Causas dos distúrbios de temperamento:
A maioria dos psicólogos acredita que os distúrbios de temperamento resultam de uma combinação de:
– Fatores biológicos.
– Fatores psicológicos.
– Fatores sociais.

Fatores biológicos:

• A genética parece desempenhar um papel importante no desenvolvimento dos distúrbios de temperamento.
• A evidência mais forte do papel da genética vem do estudo de gêmeos.
• Certos desequilíbrios químicos no cérebro têm sido relacionados aos distúrbios de temperamento.

Fatores psicológicos:
• Distorções cognitivas podem levar ao desenvolvimento de distúrbios de temperamento.
• Distorções cognitivas:
–Resposta ilógica e não-adaptativa a eventos ocorridos durante a infância e que leva a sentimentos de incompetência e de invalidez; é reativada sempre que surge uma situação semelhante aos eventos originais.

Tipos de pensamento ilógico:
• Inferência arbitrária
• Abstração seletiva
• Supergeneralização
• Ampliação e minimização

Fatores sociais:
• Dificuldades em relações interpessoais podem levar a distúrbios de temperamento.
• A ligação entre depressão e relações problemáticas pode explicar o fato pelo qual as mulheres tendem a sofrer mais de depressão – as mulheres tendem a ser mais orientadas pelos relacionamentos do que os homens.

Carbonato de lítio:
• O lítio é um sal natural que é usado no tratamento do distúrbio bipolar.
• O lítio ajuda a equilibrar as oscilações de humor entre níveis elevados de alegria e de depressão.


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DDA, TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade Campinas psicologia

O que é o TDAH? Como é caracterizado?
O TDAH é caracterizado por uma falha na captação do neurotransmissor dopamina pelos neurônios. Em uma pessoa normal, a dopamina é liberada por um neurônio com o intuito de estimular outro neurônio. Após esse processo ela volta ao neurônio original, em um ciclo ininterrupto. No cérebro de quem sofre com o transtorno esse processo acontece mais rapidamente. Como conseqüência, a dopamina tem pouco tempo para ativar os neurônios vizinhos. Doença diagnosticável a partir dos cinco anos de idade, o TDAH, se não tratado desde cedo, persiste em 75% dos adultos que apresentaram sintomas na infância. Este é um transtorno de inicio precoce (antes dos sete anos) e estão presentes na maioria dos ambientes como lar, escola e comunidade. O transtorno tende a ser crônico, e 50% ou mais das crianças com TDAH continuarão a apresentar sintomatologia significativa na adolescência e na idade adulta. 5% dsa crianças e jovens tem este problema. Eles apresentam problemas educacionais, comportamentais e sócio-emocionais. É caracterizado por déficits de atenção, atividade motora excessiva e crônica e impulsividade ou falta de controle e não se relacionam com a idade da criança. Há discrepância entre níveis de desenvolvimento cognitivo e os problemas manifestos de autocontrole.

Como é a evolução do distúrbio hiperativo?
As manifestações condutuais do distúrbio hiperativo variam com o nível de desenvolvimento da criança:
Idade pré-escolar: déficit de atenção, atividade motora excessiva, falta de autocontrole, problemas na alimentação/sono, inquietação excessiva e episódios de negativismo ou birra.
Idade escolar: mesma sintomatologia acima e uma série de perturbações secundárias que afetam as relações interpessoais e aprendizagem escolar.

Como fica o ambiente familiar, escolar, interpessoal e pessoal de um indivíduo com TDAH?
Os pais se sentem impotentes diante da atividade exagerada da criança e de suas condutas opositoras e temem conseqüências negativas do comportamento que podem levar ao isolamento social da mesma.
As interações com os iguais são reduzidas em função da impulsividade e agressividade da criança. Carecem, portanto, de experiências sociais e o isolamento e rejeição social interferem diretamente na valorização de si mesmo.
No que se refere à aprendizagem escolar, em função dos aspectos atencionais do distúrbio, há uma dificuldade da criança em perceber estímulos relevantes para estruturação e execução adequada das tarefas.
Na adolescência as alterações secundárias se exacerbam, aparecendo, com freqüência, condutas anti-sociais, ao passo que o nível de auto-estima do indivíduo é afetado.


Quais as intervenções Cognitivo-Comportamentais existentes?
1) Treinamento de auto-instrução.
2) Discurso de auto-orientação:
(o autocontrole é regulado pelo discurso oculto. Essas crianças têm um retardo no desenvolvimento do discurso autodirigido (falar consigo mesma)).
Procedimento:
1. as auto-afirmações são moldadas pelo instrutor verbalmente;
2. a criança faz as mesmas tarefas com a orientação do instrutor;
3. a criança a mesma tarefa enquanto instrui a si mesma em voz alta;
4. a criança desempenha a tarefa enquanto sussurra as instruções;
5. a criança faz a tarefa enquanto orienta sua conduta por meio do discurso privado.
O auto-reforço faz parte de todas as etapas da auto-instrução.

3) Treinamento de Resolução de Problemas
O treinamento é dirigido para engajar a criança com TDAH no sentido de seguirem uma série de passos cognitivos antes de dar a resposta para uma situação social problemática.
a) reconhecer a existência de um problema;
b) geração de alternativas para a solução de problemas;
c) avaliação das conseqüências de diferentes alternativas;
d) revisão dos resultados da alternativa selecionada;
e) reforço.
4) Retreinamento de atribuições e os procedimentos de inoculação de estresse.

5) Auto-monitoramento: A criança parece não ter consciência do próprio comportamento. É importante ensinar a criança a observar aspectos específicos e registros do comportamento.
As crianças não conseguem avaliar cuidadosamente seu desempenho na tarefa ou verificar a qualidade de seu trabalho.
6) Treinamento de correspondência. (aumentar a correspondência entre o que uma pessoa diz que vai fazer e o seu real comportamento).
O medicamento para TDAH deve ser indicado?
Atualmente o tratamento para esta doença é feito a partir do metilfenidato, uma substância psicoestimulante, princípio ativo do medicamento Ritalina. Esse composto químico bloqueia a recaptação da dopamina, cortando o ciclo. Com isso, a dopamina fica por mais tempo disponível entre os neurônios, aumentando suas chances de ser absorvida por algum deles. O problema é que o metilfenidato age no cérebro da mesma forma que a cocaína, podendo produzir dependência química nos seus usuários. Por conta disto, todos os medicamentos que possuem esse composto em sua formação têm a venda controlada e levam uma tarja preta do Ministério da Saúde.
As crianças com Transtorno por Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) que tem disfunções estritamente orgânicas respondem precocemente aos estímulos devido a uma disfunção no lóbulo frontal do cérebro. Segundo, o reconhecido psicólogo comportamental Hélio Guilhardi, há casos, porém, nos quais o organismo é diagnosticado como não intacto(problema somente orgânico), por profissionais da área médica, mas é um diagnóstico puramente conceitual, não biológico. Neste caso, até que se demonstre factualmente que o organismo não é intacto, o analista de comportamento deve se ater, exclusivamente, às contingências de reforçamento (história de vida do indivíduo) que selecionaram e mantêm os padrões comportamentais da queixa. Atende-se, desta forma, a uma das atitudes básicas da ciência, qual seja a parcimônia: sempre comece a investigação pela explicação mais simples. Assim, uma criança classificada como hiperativa, portadora de déficit de atenção(TDAH) pode ter tido um repertório de déficits ou excessos comportamentais específico modelado por atenção; pode não possuir nos contextos de vida cotidiana repertório de comportamentos incompatíveis com os indesejados, que possam produzir reforços generalizados – explicações compatíveis com determinação por contingências de reforçamento –; e não apresentar tal repertório de déficits e excessos em função de alterações neurológicas presumidas, mas não demonstradas. A propriedade de uma explicação ou outra deve provir do manejo de variáveis de intervenção e não de preferências profissionais. E, finalmente, mesmo que haja alterações neurológicas, o papel do analista do comportamento se faz essencial: alterações orgânicas não determinam comportamento; contingências de reforçamento, sim. Organismo intacto ou não intacto é o locus de ação das contingências de reforçamento, e a funcionalidade bio-fisiológica interage com a funcionalidade do ambiente; não se excluem. Reconhecer a interação não significa confundir objeto de estudo, nem procedimentos próprios de cada área.
Neste sentido associar a terapia com a medicação psicoestimulante pode ser interessante em alguns casos que a análise comportamental seja bem feita para verificar se o organismo não é intacto ou seja que o problema é mais orgânico que construído comportamentalmente.

O que se pode fazer para ajudar o educador/professor que trabalha com um indivíduo com TDAH?
O psicoterapeuta tem que orientar o profissional da educação para a:
- Seleção adequada de estímulos relevantes para a execução da tarefa a fim de evitar excesso de informação contaminadora.
- Esclarecimento da tarefa e de seus aspectos chaves.
- O controle de elementos externos, tanto físicos quanto humanos que sejam potenciais dispersores.
- Favorecer grupos de trabalho reduzidos.
- Sequenciação de atividades adequadas para não incitar a frustração da criança.
Graduação do problema para evitar saltos dos problemas fáceis para os difíceis

A cafeína pode ser usado para tratar o TDAH?
Imagine tratar com café os pacientes do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, o TDAH. É o que sugere um recente estudo do Laboratório de Psicofarmacologia, do Departamento de Farmacologia da UFSC. Chamado de “O sistema adenosinérgico como alvo farmacológico na terapêutica do prejuízo atencional em um modelo animal do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade”, o projeto é coordenado pelo professor Dr. Reinaldo N. Takahashi e realizado pelos estudantes de pós-graduação Rui Daniel S. Prediger e Fabrício A. Pamplona desde seu início, no segundo semestre de 2003. Os pesquisadores da UFSC verificaram é que a cafeína, substância presente em várias bebidas, entre elas o café, também age como estimulante da dopamina. Mas, ao contrário do metilfenidato, que bloqueia o ciclo desse neurotransmissor, a cafeína aumenta a liberação da dopamina que, em maior quantidade, pode atingir e ativar mais neurônios vizinhos. As grandes vantagens do uso da cafeína são de que além de ser uma substância mais barata que o metilfenidato, apresenta um menor risco de causar dependência química.
Esse resultado foi obtido após seis meses de testes em cerca de 150 ratos de duas linhagens distintas: uma normal, chamada Wistar, e outra hipertensa, conhecida pela sigla SHR (spontaneously hypertensive rat, em português, “rato espontaneamente hipertenso”). Essa linhagem foi usada porque se sabe que além de ser hipertensa, ela apresenta uma série de características semelhantes às dos pacientes de TDAH.
Como parte da pesquisa, os ratos foram avaliados em uma espécie de ‘piscina’ cheia de água chamada de “labirinto aquático”. Com dimensões de 1,7 metro de diâmetro por 0,8 metro de altura, essa piscina contém uma plataforma transparente e submersa (invisível aos ratos). O experimento consistia em treinar os ratos a achar essa plataforma. Era dado um minuto para cada animal atingir esse objetivo, que foi repetido por dez sessões consecutivas com cada animal. Em média os ratos Wistar aprenderam a achar o caminho já na terceira tentativa, enquanto que os SHR demoraram mais: só na sétima vez eles conseguiram encontrar a plataforma.
Uma quantidade pequena de cafeína, equivalente à contida em uma xícara de café, foi aplicada em outros ratos hipertensos cerca de meia hora antes dos experimentos. Após essa injeção, eles foram submetidos aos mesmos testes. Sob influência da cafeína, viu-se que eles achavam a plataforma já na terceira sessão, de maneira semelhante aos ratos Wistar. Por esta razão, os pesquisadores da UFSC propõem, com as devidas ressalvas, que a cafeína pode representar no futuro uma nova alternativa para o tratamento do TDAH.
Eles destacam o fato da cafeína já ter sido estudada em crianças com transtorno entre os anos 70 e 80, apresentado resultados muito promissores. Para Prediger, que coordenou os testes deste projeto, as pesquisas com a cafeína podem ter sido interrompidas no passado em virtude da descoberta do metilfenidato, e um possível “lobby” da indústria farmacêutica na constante procura por medicamentos mais rentáveis.
Outra descoberta importante deste estudo é que a cafeína não alterou os níveis de pressão dos ratos hipertensos, demonstrando que estas duas características parecem não estarem correlacionadas. “Estamos dando para os ratos uma substância que melhora sua atenção sem alterar a sua pressão”, comemora Prediger.
Essa é a primeira fase das pesquisas. Para se tornar um medicamento disponível em farmácias, a cafeína precisa ser testada em humanos, o que não deve acontecer nos laboratórios da UFSC. “No Brasil é difícil achar um banco de dados confiável de portadores de TDAH para aplicar essa pesquisa”, lamenta. Para um estudo como este, seriam necessárias mais de cem pessoas dispostas a passar por um prolongado cronograma de testes.
Os resultados das pesquisas com a cafeína em ratos SHR foram apresentados pela primeira vez no Congresso do Colégio Internacional de Neuropsicofarmacologia (CINP), realizado em Montreal, no Canadá, em setembro de 2004. A revista inglesa International Journal of Neuropsychopharmacology apresentou as conclusões deste estudo recentemente. No segundo semestre deste ano, o estudo será apresentado pelo Prof. Reinaldo Takahashi e o doutorando Rui Daniel S. Prediger durante a Semana da Biologia na UFSC."
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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

APRENDA A DIZER NÃO

Esta matéria foi escrita pela jornalista Graziela Delalibera a partir de uma entrevista que dei para o jornal Bom Dia de São Jose do Rio Preto, Jundiaí e de Sorocaba. A matéria abaixo é do dia 29/10/2007 publicada nos três jornais.
APRENDA A DIZER NÃO.

Satisfazer os outros para evitar conflitos é atitude que deve ser evitada.
Elizabeth no jardim: ela desmarca compromissos por visita

A professora aposentada Elizabeth Belatti Fendi, 52 anos, está inserida no grupo dos indivíduos com dificuldade para expressar suas vontades, posicionar-se e dizer não. Várias vezes desmarcou compromissos para receber aquela visita de última hora. Também já participou de reuniões e cursos, quando lecionava, em ocasiões em que nenhum dos colegas se dispunha a representar a escola. “Isso era muito comum acontecer. Por um motivo ou outro, ninguém podia ir. Quando me perguntavam, não conseguia negar.”Mesmo depois de trabalhar esse lado da personalidade nas sessões de terapia por um ano e meio, até hoje, para agradar a terceiros, acaba se colocando em situações indesejadas.De acordo com o psicólogo gestalt-terapeuta Hugo Ramón Oddone, de Rio Preto, para emitir comportamentos assertivos, dizendo não na hora certa e de maneira correta – sem ser agressivo –, o aprendizado começa muito cedo. “É preciso dizer à criança que o que ela fez está errado, por isto e por aquilo, e, ao mesmo tempo, dar um abraço, desvincular a idéia de que estar errado ou negar-se a alguma coisa é inadequado. Ou seja, precisamos saber que podemos errar, que podemos dizer não, sem medo de perder as pessoas que amamos.” Ele diz que, quando ocorre o contrário, surgem sentimentos como medo, ansiedade, insegurança, e, principalmente, baixa auto-estima.“Não digo que devemos incentivar o egocentrismo na criança, porém, a explicação é muito mais proveitosa do que a bronca. Isso pode resultar em um adulto com problemas de aceitação do seu próprio ser”, observa a hipnoterapeuta Angela Rey, de Jundiaí. O psicólogo clínico comportamental do Instituto de Terapia de Contingências de Reforçamento de Campinas, Reginaldo do Carmo Aguiar, explica que a assertividade envolve a defesa dos direitos pessoais e a expressão de pensamentos, sentimentos e crenças de formas direta, honesta e apropriada, e que não desrespeita os direitos de outras pessoas. “A mensagem básica é: ‘isto é o que eu penso, isto é o que eu sinto e esta é a maneira como eu vejo esta situação’.”
Comportamento gera raiva.
“Às vezes falo ‘sim’ para certas coisas com medo de a pessoa não entender e acabo me prejudicando. Já emprestei dinheiro mesmo sem ter muito, fiz trabalho de faculdade para um monte de gente madrugada a dentro.” A história é da publicitária Cláudia Oliveira, 23 anos. Hoje formada, ela diz sim à praticamente todos os favores solicitados pelo colegas de trabalho. Para o psicólogo Reginaldo do Carmo Aguiar, pessoas com esse comportamento tendem inicialmente a se sentir feridos e ansiosos e, a longo prazo, com raiva. Ele observa, porém, que uma pessoa pode ser inassertiva no seu ambiente de trabalho, mas com sua esposa, por exemplo, assertiva, já que para cada ambiente temos uma resposta. “A inassertividade envolve a violação dos direitos da própria pessoa pela incapacidade de se expressar com honestidade, permitindo que as outras pessoas o desrespeitem”, explica. Aumento de conflitos interpessoais, liderança obscura, indireta e ineficaz são alguns dos seus reflexos. “O objetivo da inassertividade é satisfazer os outros e evitar conflitos a qualquer custo.” Uma das dicas para mudar é observar pessoas assertivas. “Se tiver alguma intimidade com estas pessoas pergunte como elas se sentem e quais são as vantagens e desvantagens a curto e longo prazo em emitir comportamentos mais assertivos.” Confira mais dicas no quadro abaixo.
Saiba mais
Dicas:
1) Leia textos referentes aos direitos humanos e cidadania.
2) Dê preferência à leitura de obras sobre comportamentos assertivos, que são mais científicos e claros do que considerados “auto-ajuda” e que prometem resultados a curto prazo.
3) Invista em cursos e workshops sobre o treino da assertividade.
4) Comece a observar como as pessoas assertivas ao seu redor se comportam. Pergunte como se sentem e quais são as vantagens e desvantagens a curto e longo prazo de serem dessa forma.
5) Aguçe a capacidade de auto-observação e de identificação dos comportamentos socialmente aceitos.
6) Em alguns casos a psicoterapia pode ser mais eficaz e acelerar o processo de aprendizagem do treino das Habilidades Sociais.
Como são os assertivos
1) Acreditam profundamente no que dizem; são espontâneos e calmos.
2) Conhecem seus direitos e os direitos dos outros.
3) Conhecem seus limites e os respeitam.
4) Não permitem que controlem suas vidas.
5) Sabem o quanto podem recuar e quando impor limites.
6) São diretos no que dizem; falam de forma clara e com postura firme.
7) Agem objetivamente; são diretos e práticos.
Fontes: Psicólogos Reginaldo do Carmo Aguiar e Hugo Ramón Oddone
28/10/2007
Jornalista Graziela Delalibera da Agência Bom Dia
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Impotência, disfunção erétil, "broxa", impotente? Há soluções para resolver este problema? O que um psicólogo pode fazer para ajudar? Campinas

A estátua de Davi de Michelangelo simboliza o ideal clássico de masculinidade de sua época. Se Michelangelo pudesse refazer a estátua de acordo com a contemporaneidade ele provavelmente faria o Davi com o pênis gigante e ereto.

Como se define a disfunção erétil?

Segundo o DSM IV revisado a característica essencial do transtorno erétil também denominado de transtorno de ereção masculina e impotência masculina é a incapacidade ou inabilidade persistente ou recorrente de se obter ou manter uma ereção adequada e satisfatória para o desempenho até a conclusão da atividade sexual. É um transtorno muito comum: estima-se que cerca de 300 milhões de homens sofram de transtorno erétil em todo o mundo.

Existe algum ciclo que define um padrão sexual normal? E em que fase deste ciclo o psicoterapeuta deve atuar?
Há um ciclo sexual com cinco fases bastante distintas e definidas. São elas:
a) desejo - ocorre depois que um indivíduo vê uma pessoa atraente ou em reação a uma insinuação que a faz pensar em sexo. É importante esclarecer que as fantasias sexuais podem ocorrer na ausência de qualquer insinuação sexual.
b) excitação/ereção – o pênis consiste de três massas cilíndricas de tecido erétil: dois corpos cavernosos que estão lado a lado e acima, o corpo esponjoso uretral, que transmite a uretra. As extremidades distais dos corpos cavernosos formam a glande. Os corpos cavernosos expandidos se estendem pela linha mediana até o ponto de entrada da uretra prostática e é também recoberto por um tecido de músculo esquelético, o bulbo cavernoso. O tecido erétil do corpo cavernoso é um sistema semelhante a uma esponja de espaços vasculares irregulares que estão nos espaços entre artéria e veias. No estado flácido estes espaços são mais ou menos colapsados e contém pouco sangue; durante a ereção eles se tornam cavidades muito grandes distendidas com sangue. Na excitação, o corpo se prepara para a atividade sexual contraindo músculos e aumentando a frequência cardíaca e fluxo sanguíneo no pênis, tornando-o ereto. A ereção peniana é resultante de uma massiva vasocongestão (concentração de sangue nos vasos sanguíneos nos três corpos cavernosos que percorrem toda a extensão do pênis). Quando o homem fica excitado, a primeira mudança que ocorre no pênis é um aumento no comprimento. Só então é que o volume começa a aumentar - até por fim alcançar um aumento de 200 por cento - a medida que o sangue aflui às artérias do pênis. Quando estas se dilatam, a pressão força o sangue - agora com oito vezes a quantidade que ocorre no pênis flácido - a ocupar os espaços cavernosos. Dentro dos corpos cavernosos, o sangue é absorvido pelos tecidos erétil e esponjoso, com seu sistema de espaços infláveis. Assim, a ereção é um processo de duas partes: a glande e o tecido esponjoso fornecem o volume, enquanto os tecidos cavernosos fornecem a rigidez. A firmeza da ereção depende da manutenção de uma alta pressão nos corpos cavernosos, e isso depende das veias. O sistema de vazão do sangue deve se fechar para que se evite escape; caso contrário, a ereção não se manterá. Observa-se também um umento no pulso e pressão sanguínea. E um umento no suprimento sanguíneo à superfície do corpo resultando no aumento da temperatura da pele, respiração rápida, e um aumento geral da contração muscular.

c) platô/ereção – o organismo estabiliza-se excitado. A fase refere-se a um breve período de tempo antes do orgasmo. Aqui, a respiração se torna mais rápida e os músculos se tornam mais tensos. O pênis, que alcança ereção completa durante a fase de excitação, mostra um leve aumento em sua circunferência durante este estágio. Um aumento no tamanho testicular se torna aparente. A glande se incha e os testículos se alargam.
Na iminência do orgasmo, um fluído pré-ejaculatório originado na glândula de Cowper pode ser secretado e chegar à glande. Frequentemente, ele contém esperma ativo. A aproximação é acompanhada por vermelhidão na face, pescoço, peito e algumas vezes ombros e coxas.

d) orgasmo – fase da descarga das tensões acumuladas. A fase orgásmica está associada com sentimentos de inevitabilidade de ejaculação no homem. A relação sexual culmina e termina no orgasmo, um processo no qual o homem expele sêmen, contendo células espermáticas e um plasma seminal que contém água, sais, nutrientes celulares e metabólitos. A capacidade masculina de produzir e secretar sêmen, assim como de funcionar sexualmente, é dependente de hormônios andrógenos, que circulam no corpo masculino. Como a ejaculação e depois o orgasmo são essenciais para a fertilização, e desde que as respostas masculinas são geralmente mais rapidamente induzidas, o homem alcança o orgasmo mais consistentemente durante o coito do que a mulher. No orgasmo, o pênis se contrai ritmicamente para expelir o esperma e o sêmen, um processo chamado ejaculação.

e) resolução - Diminuição na excitação ocorrida após o orgasmo. O homem entra no período refratário durante o qual as reações não são possíveis por um período de tempo. A vermelhidão se dissipa e a perspiração algumas vezes é vista no período pós-orgásmico. Perda de inchaço do pênis ocorre com a perda de vasocongestão localizada. O escroto se relaxa e começa a aparecer uma diminuição geral da contração muscular.

A disfunção passou a ser caracterizada pela ausência de algumas dessas fases. Sendo função do psicoterapeuta sexual a recuperação do ciclo.

O cérebro tem parte importante na ereção?
As reações fisiológicas, psicológicas e comportamentais que acompanham o ato sexual são mediadas por um complexo mecanismo envolvendo:

a) O Sistema Nervoso Periférico (somático e autônomo).
b) O Sistema circulatório periférico ao nível da genitália.
c) A medula espinhal e nervos periféricos do abdômem inferior.
d) O Sistema Nervoso Central(SNC).
e) O sistem endócrino (hormônios sexuais).

Todos estes sistemas interagem entre eles de uma forma complexa para produzir a ereção, mas quem gerencia é o cérebro.
O funcionamento do pênis no coito está sob controle total do SNC (cérebro e medula espinhal). Portanto, o transtorno erétil pode ser causado por qualquer distúrbio que afete nos circuitos nervosos que conectam o pênis ao SNC. A ereção é o produto final de uma série de eventos orquestrados com maestria pelo SNC. Mesmo quando o pênis está em repouso o SNC está trabalhando duro, através do sistema nervoso simpático, que trabalha continuamente para limitar o fluxo sanguíneo ao pênis. Desta forma ele se mantém flácido a maior parte do tempo.
A resposta sexual masculina reflete um equilíbrio dinâmico finamente regulado entre forças excitatórias e inibitórias. Por um lado o sistema nervoso simpático inibe a ereção enquanto o parassimpático funciona como uma das muitas vias excitatórias.
Quais são as fontes de excitação no nosso corpo para produzir a ereção?
A excitação sexual pode vir de várias fontes:
A) Nível local (Processo ascendente. Informações das regiões erógenas até a medula espinhal independente de regiões mais superiores). O toque e a estimulação mecânica da genitália externa no homem e na mulher (pressão, tato, atrito etc), além das regiões erógenas provocam a excitação de vários tipos de receptores sensoriais localizados na pele, mucosa e tecido subcutâneo. Esta excitação viaja através de nervos sensoriais, do abdômem inferior à medula sacral e inicia numerosos reflexos autonômicos (simpáticos e parassimpáticos), os quais controlam o afluxo seletivo de sangue a estas regiôes, secreções de glandulas e a contração de músculos lisos nos órgãos sexuais. Estas reações ocorrem independentemente de porções mais altas do Sistem Nervoso (cérebro, por exemplo), elas até podem ser provocadas, por exemplo, em indivíduos tetraplégicos que tiveram suas medulas seccionadas por acidentes em níveis mais altos. Isso pode ser comprovado por observações feitas em veteranos de guerra lesionados na medula espinhal, por ocasião da segunda guerra mundial, que mostraram que, apesar de paralisados e com perda de controle de muitas funções, cerca de dois em cada três soldados paraplégicos podiam ter ereções. Alguns, surpreendentemente, podiam ter intercurso vaginal e orgasmo. Hoje sabemos que existe um “centro de geração de ereções”, no segmento sacral da espinha (logo acima do fim da espinha, entre a vértebra S3 e T12). A ereção neste caso é reflexa, gerada intensamente pela espinha dorsal, em resposta à estimulação do pênis. A capacidade de reprodução é algo tão importante que a seleção natural permitiu uma ereção desencadeada apenas pela circuitaria nervosa da base da medula espinhal. A estimulação física do pênis envia sinais através do nervo pudendo à este centro, cujos interneurônios estimulam os neurônios parassimpáticos próximos. Esses neurônios parassimpáticos, por sua vez, enviam sinais que induzem o pênis à ereção. É surpreendente constatar que, quando o cérebro está desconectado do “centro de geração de ereções” na espinha, ocorre uma facilitação das ereções, e não o contrário. É preciso menos estimulação táctil e acontecem ereções com muito maior freqüência. Isto só seria possível se o cérebro exercer um efeito inibitório. Um estudo com ratos onde as vias que ligam o cérebro ao centro foram cirurgicamente desligadas mostrou um espantoso aumento de mais de 1000% no número de ereções. Somente em 1990 é que estas observações foram reforçadas com a identificação de um núcleo cerebral que tem a função de frear as ereções reflexas medulares. Este grupo de neurônios especializados foi chamado Núcleo Paragigantocelular (P.N.G.- paragigantocelular nucleus). A destruição deste núcleo no cérebro de ratos machos produz ereções muito mais freqüentes e intensas.
B) Nível Central (Processo descendente). O córtex sensorial e o sistema límbico, além de suas funções sinalizadoras, excitam o hipotálamo e outras estruturas que controlam o Sistema Nervoso Autonômico, com o resultado que reflexos da medula espinhal acompanhando o coito se tornem ainda mais estimulados. Isto quer dizer que o estímulos sensoriais como cheiros, visão ou mesmo pensamentos produzem sinais excitatórios que são transmitidos do cérebro para regiões inferiores como o hipotálamo que excita a hipófise que libera hormônio que é capturado pelos ovários e testículos que produzem hormônios gonadais como o FSH, LH e oxitocina que produzem a ereção do pênis, que responde secretando neurotransmissores pró–erécteis, como o óxido nítrico (NO) e acetilcolina. Estas substâncias fazem com que os músculos das paredes das artérias relaxem. Deste modo, aumenta o fluxo sangüíneo, enchendo com sangue as câmaras que existem dentro do pênis, no corpo cavernoso. Quando essas câmaras se expandem ocorre uma compressão nas veias que normalmente drenam o sangue do pênis. Essa compressão aumenta até que as veias fiquem praticamente fechadas, encurralando o sangue dentro das câmaras. Assim ocorre a ereção. Este processo descendente proporcionou muitas vantagens evolutivas maximizando a possibilidade de ter descendentes.
C) Local depois de excitado pelo Sistema Central (processo ascendente). Durante uma ereção, o pênis não só recebe como também envia sinais ao SNC(processo ascendente), através dos seus receptores táteis, existentes em alta densidade. Os impulsos sensoriais saem da genitália ereta, em resposta ao tato e às respostas locais e envia informações para a medula espinhal, cérebro, córtex sensorial e ao sistema límbico(cérebro emocional). Onde eliciam percepção consciente e reações prazerosas.
O que acontece depois da excitação diminuir ou depois do orgasmo?
Depois da excitação diminuir ou do orgasmo, o sistema nervoso simpático novamente limita o fluxo sanguíneo para o pênis, que retorna ao seu estado flácido. E o pênis pode ficar flácido com estímulos que aumentam a atividade simpática, como frio ou estresse.

O que ocorre com o pênis durante o sono REM?
Já a desativação temporária do sistema nervoso simpático aumenta as ereções, como ocorre durante os sonhos. Cinco ou seis vezes por noite, entramos na chamada "fase R.E.M." (iniciais em inglês que significa movimento rápido dos olhos). Numa destas fases, os neurônios do sistema nervoso simpático são "desligados" a partir de um núcleo situado no tronco encefálico, chamado locus coeruleus. As mulheres experimentam enturgescimento labial, vaginal e clitoriano, e os homens têm ereções na fase R.E.M. Especula–se que este mecanismo evoluiu para reenergizar o pênis e o aparelho genital feminino com o sangue rico em oxigênio. Seja qual for a natureza, orgânica ou psicológica, a impotência tem cura e o primeiro passo para a cura é, obviamente,o diagnóstico correto.

Um dos exames realizados para estes diagnóstico é a eletroneuromiografia, ou teste de intumescência peniana noturna, realizada com auxílio de um equipamento denominado Rigiscan, em laboratório de sono. Como todo homem tende a ter ereção dormindo, o aparelho mede a sua qualidade e a quantidade durante a fase do sono chamada REM (sigla inglesa para RAPID EYES MOVIMENT, ou movimento oculorrápido). O equipamento possui dois anéis conectados a eletrodos, colocados em volta do pênis, que analisam a qualidade das ereções noturnas e traçam um gráfico completo. Se as ereções espontâneas forem satisfatórias, isto significa que o sangue chega ao pênis e é corretamente represado. O distúrbio, portanto, tem fundo psicológico.

Quais os efeitos do uso de antidepressivos em relação as funções sexuais?O versátil neurotransmissor serotonina (5-HT) atua neste caso com efeito inibitório. Os neurônios do P.N.G. estão conectados com o “centro de geração de ereções”, enviando seus axônios cujas terminações liberam serotonina. Como a serotonina se antagoniza com os efeitos dos neurotransmissores pró-erécteis, acontece uma inibição das ereções.
Quais as implicações desta descoberta? O consumo mundial de antidepressivos vem atingindo proporções gigantescas, com milhões de pessoas tomando drogas chamadas “inibidores seletivas de recaptação/reabsorção de serotonina” (como o Prozac e o Paxil), que aumentam os níveis deste neurotransmissor. O que é observado como efeito colateral nestes casos é justamente ejaculação retardada ou bloqueada nos homens e desejo reduzido e dificuldade de atingir o orgasmo nas mulheres, fenômenos facilmente compreensíveis quando consideramos a ação inibitória da serotonina no “centro de geração de ereções” medular, via P.N.G.

O cérebro se comunica com os hormônios do corpo?
O hipotálamo é uma estrutura cerebral importantíssima na reprodução, pois faz o papel de intermediar relações entre o sistema endócrino e o S.N.C. Uma região do hipotálamo chamada “area pré-ótica medial” (M.P.O.A. – Medial Preoptic Area), quando estimulada eletricamente ou por meio químico causa ereção em ratos. Essa região parece integrar estímulos de muitas partes do cérebro fazendo parte dos circuitos nervosos que organizam padrões mais sofisticados de comportamento sexual. Em modelos animais, evidências apontam que pode estar envolvida no reconhecimento do parceiro sexual, por exemplo.
O núcleo paraventricular do hipotálamo funciona como um centro de processamento que envia e recebe sinais de diferentes partes do cérebro e medula espinhal. Ocorre liberação de oxitocina quando estamos sexualmente estimulados. Este neurohormônio é conhecido pela capacidade de produzir lactação e contrações uterinas, já tendo sido apelidado de “neurohormônio do amor”, pelo envolvimento na ligação (bonding) de par e mesmo social (social attachments). O toque físico eleva a ocitocina, daí a contribuição da massagem na erotização em ambos os sexos. Níveis elevados deste neurohormônio promovem o impulso de tocar, o comportamento afetuoso e parental.
A oxitocina tem um poderoso efeito pró- erétil no homem, ligando-se a receptores e estimulando as vias nervosas que vão do centro de geração de ereções na medula até o pênis. A ejaculação é acelerada, a sensibilidade do pênis é aumentada e aumenta a receptividade sexual em ambos os sexos.

Qual a incidência do problema de disfunção erétil no Brasil? E quantos procuram ajuda?
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) a disfunção erétil atinge entre 10 a 50 % da população. E tende a aparecer como episódio isolado ao menos uma vez na vida. Estima-se que no Brasil existam 10 milhões de homens com algum grau de dificuldade de ereção.
Apenas cerca de 30% buscam atendimento profissional.

Quais fatores relacionados a saúde do indivíduo influenciam na disfunção erétil?
Problemas físicos/orgânicos como: estreitamento dos vasos sanguíneos (arterosclerose), hipertensão, diabetes, deficiências hormonais, distúrbios neurológicos, patologias penianas e problemas circulatórios são os principais problemas que aparecem em clínicas especialistas . A isso soma-se o uso freqüente do cigarro e o alcool que tem demonstrado em diversas pesquisas que vem afetando o desempenho sexual dos indivíduos. Contudo, mesmo um homem com saúde impecável está sujeito a sofrer um bloqueio mental na cama. Quanto mais jovem a pessoa afetada, tanto mais as atenções se voltam para fatores psicológicos. Muitos urologistas despreparados buscam atribuir os distúrbios de ereção apenas a causas orgânicas. Apesar de um grande número de pesquisas médicas relacionarem a disfunção erétil exclusivamente a fatores orgânicos, relegando os fatores psicológicos a segundo plano, não é isto que se observa na prática clínica. Na verdade em 80% dos homens com este problema as causas são de natureza psíquica. É difícil as pessoas entenderem que a história de vida delas é construída a partir de ambientes dos mais diversos que ela viveu e que aprendeu informações adequadas e inadequdas e isto altera a sua interpretação de determinadas situações que podem afetar seus desempenhos sexuais. Logo, a perturbação orgânica é apenas uma expressão de uma interpretação inadequada fundada em crenças e regras disfuncionais desenvolvidas a partir de uma história de contingências de reforçamento (aprendizagens durante a vida) .

O que é o Viagra e como atua o Viagra?
O Viagra é um nome comercial do componente ativo que é o Citrato de Sildenafil, é um composto que mimetiza o óxido nitroso que atua diminuindo a ação de uma enzima que decompõe um dos agentes químicos que mantém os músculos relaxados, mantendo o sangue no pênis. Portanto, a ação do Viagra é diretamente no pênis, mas necessita ainda do estímulo psicogênico (libido). Em um de cada três casos, o efeito potencializador da ereção permanece demasiadamente fraco. Estão em estudo drogas de uma nova geração que irão agir diretamente no cérebro e que prometem ser mais eficazes.
O homem que faz uso de medicamentos orais para tratamento da ereção, sem acompanhamento psicológico, dificilmente aprende a lidar com sua real dificuldade sexual, cada vez mais presente na vida dos casais, e acaba, em alguns casos, indiretamente dependente do medicamento. Também percebe-se nesses clientes a perda da referência de como ocorre uma ereção “normal”, já que a droga gera uma grande facilidade para se obter ereção.

O que o profissional da Psicologia pode fazer para ajudar este indivíduo com o problema da disfunção erétil?
a)
Fazer uma avaliação psicológica centrada na entrevista comportamental. Isto para conhecer o histórico da pessoa, suas necessidades, esperanças e preocupações. E Identificar a auto imagem e as expectativas de desempenho do indivíduo.
b) Dar aconselhamentos e ensinar exercícios para realizar em casa: exercícios de relaxamento, massagens, carícias mútuas (casal) etc. Isto com o objetivo dos parceiros sexuais reaprenderem a se confrontar sem medo e a experimentar o contato físico como algo agradável e natural.
c) Discutir questões relacionadas a comunicação interpessoal, bem como à assertividade. Caso sejam precárias instalar repertório de comportamentos mais assertivos.
d) É função do psicoterapeuta: distribuir as responsabilidades entre os parceiros sexuais, estimular o indivíduo a fazer uso de suas fantasias, mudar a visão sobre o sexo extremamente genitalizada, para uma visão mais lúdica, prazerosa e descomprometida de normas e regras.
e) Eliminar regras como: “Sexo só faz sentido com penetração e orgasmo”; “A ereção deve ocorrer rapidamente ao menos contato sexual”; “A(o) parceira(o) só terá prazer se eu tiver uma boa ereção etc". E propor regras mais adaptadas como: "Prazer antes da excitação", "Sexo não envolve performace".

f) Ensinar técnicas de aprimoramento para melhora da ereção.

É importante deixar claro que a psicoterapia sexual não é uma prestação de serviços como a que se recebe num cabeleireiro, onde se senta, e deixa-se que façam o trabalho e pronto. Na psicoterapia o cliente tem que participar ativamente das atividades durante o processo de tratamento.

O que o profissional da Medicina pode fazer para ajudar este indivíduo?
Exames laboratoriais entre eles: Dosagem hormonal de glicose, de colesterol e triglicéris. A eletroneuromiografia ou teste de intumescência peniana noturna. Este equipamento mede a qualidade e a quantidade de ereções penianas durante o sono. Isto elimina a probabilidade de ser uma causa estritamente orgânica. Outro recurso é o Duplex scan ou ecodoppler peniano, que mede o fluxo arterial do pênis e identifica eventuais obstruções.

Muitos médicos prescrevem drogas vasoconstrictoras injetáveis. São drogas que são aplicadas na hora que vai iniciar o sexo e tem menos efeitos colaterais que o Viagra por exemplo. É importante esclarecer que isto não resolve o problema caso for de ordem psíquica.

Quais são as causas psicológicas da disfunção erétil?
Essa disfunção tem muitas causas, que vão desde fatores puramente fisiológicos, até o estresse e outros mecanismos psicológicos. O transtorno erétil é chamado psicogênico quando o organismo funciona adequadamente quanto à fisiologia sexual, mas apresenta um transtorno na ereção sob determinadas circunstâncias. Citarei duas causas bastante oportunas:
Inicialmente é importante enfatizar o ambiente que o indivíduo está inserido. E depois constatar o clamor pela capacidade de desempenho e por potência sexual em detrimento ao prazer da intimidade física em si que é hoje onipresente na nossa sociedade. A obrigação imposta por uma ereção e uma ejaculação leva o homem a uma enorme pressão, a qual acaba, paradoxalmente, por interferir no mecanismo de ereção. A publicidade se vale cada vez mais de imagens e símbolos com carga sexual para vender automóveis, lâminas de barbear ou cerveja. Por toda parte, os meios de comunicação falam em sexo “bom” ou “melhor”, como se não pudesse desfrutar do sexo ruim ocasionalmente. Desse modo, é comum que já na puberdade se sedimentem nos homens mitos sexuais irrealistas: só quem é capaz de fazer sexo muitas vezes ou demoradamente vale alguma coisa. E no amor não há lugar para fraquezas ou medos. Homens com problemas de potência sexual muitas vezes dão a esses mitos créditos acima da média. Como em tudo na vida contemporânea, também no sexo o que conta é apenas o desempenho. Assim também a idéia que os homens fazem das exigências sexuais femininas é, com freqüência exagerada. O resultado é, que tão logo se abre o caminho para um contato sexual, eles se observam e se avaliam de fora, como se fossem outra pessoa, e consequentemente se intimidam. Diante desta ideologia que multiplica incapacidades, gerando frustrações, mas prometendo um mundo de emoções, deparamo-nos com o cliente que apreesenta a queixa sexual, presa fácil desse sistema. Logo expectativas de desempenho, profecias auto realizadoras, regras inadequadas instalam o comportamento desadaptado.
Todo aquele que aprende a ter mais satisfação no convívio com a parceira, em vez de precisar assumir o papel de garanhão, já terá dado um grande passo na direção certa.
Um segundo ponto importante, que é conseqüência do primeiro, é que o comportamento adotado na hora do ato sexual é um dos principais fatores na falha sexual. Há uma regra de que a o prazer decorre da ereção. Ou seja a ereção vem primeiro e depois o prazer. Dessa forma, somente sentem prazer quando excitados, mas a excitação deve ser conseqüência do prazer sexual e não ao contrário.
Se o indivíduo prioriza a ereção ao invés de priorizar o prazer e o desejo o que ocorre comportamentalmente?
Usando esta regra inadequada o indivíduo prioriza a ereção, durante o ato, fica preocupado em se observar e em auto-avaliar, colocando-se em um papel de espectador. Este ciclo vicioso envolve as seguintes etapas de um encadeamento comportamental:
1) Falha na resposta de excitação.
2) Auto observação.
3) Desligamento dos estímulos eróticos.
4) Dificuldade de ereção.
5) Ansiedade.
6) Inibição da resposta sexual.
7) Falha sexual.


Tela o grito de Munch

Qual a explicação existente para dizer que o estresse provoca a disfunção erétil?
Em humanos e algumas espécies, as ereções são hemodinâmicas, dependendo de um fluxo aumentado de sangue e do bloqueio da saída. Em roedores e outros animais, as ereções são musculares, acionadas pela contração de músculos específicos. As ereções hemodinâmicas tem a desvantagem de serem mais lentas do que as musculares, mas em compensação duram mais.
O estresse patológico (distress) acarreta duas conseqüências imediatas importantes para as funções sexuais masculinas. A primeira está ligada ao fato de que o estresse e a ansiedade implicam em predomínio da atividade simpática, e ereções necessitam do sistema nervoso parassimpático ativado, resultando deste descompasso autonômico uma disfunção erétil psicogênica. Segundo, se um sujeito estressado e ansioso consegue a ereção, cognições negativas podem bloqueá-la ou um acionamento simpático pode levar a ejacular antes do tempo (ejaculação precoce).
Segundo o neurocientista Robert Sapolsky, mais da metade das visitas masculinas a consultórios médicos por queixas de disfunção erétil se devem à impotência psicogênica(psicológica) e não orgânica. Nas disfunções orgânicas, não ocorrem ereções durante o sono R.E.M., quando o sistema nervoso simpático é desligado momentaneamente pelos neurônios do locus coeruleos. Com a ativação simpática excessiva, a ereção simplesmente não ocorre. Uma ampla gama de espécies animais exibe enorme sensibilidade ao estresse, não conseguindo ereções nestas condições.
Um dos fatores mais influentes na etiologia do T.E. psicogênico é a interação que se estabelece entre o processamento cognitivo do sujeito e microssurtos de adrenalina e ativação simpática. A reação de luta ou fuga envolve uma imediata paralisação das atividades do organismo que não são prioritárias para a sobrevivência. Nossos antepassados, quando sob ameaça, só conseguiram sobreviver inibindo respostas como alimentação, sono e sexualidade e adaptando-se a demanda momentânea com o conjunto de reações que facilita o ataque ou a defesa. Nessa situação, nosso comportamento fica voltado ao que seria prioritário, deixando o sexo para depois.
No entanto, processos cognitivos podem levar à percepção de ameaças (reais ou fantasiosas) e desencadear um microssurto de adrenalina em resposta a seqüências de pensamentos, mesmo na ausência de um perigo externo objetivo. O medo de não conseguir uma ereção frente a uma garota atraente e sexualmente agressiva pode ocasionar secreção de adrenalina e acionamento do sistema nervoso simpático, o que derrota facilmente uma ereção, fechando um circuito de retroalimentação negativa. A queda da responsividade do pênis alimenta pensamentos catastróficos (associados à rejeição, depreciação, ridicularização, abandono, etc) que aumenta o fluxo de adrenalina no sistema, impedindo completamente qualquer possibilidade de ereção.
Ou seja, cognições levam a respostas fisiológicas cujos efeitos retroalimentam cognições mais ansiogênicas, que desencadeiam por sua vez reações mais intensas e assim por diante, estabelecendo uma disfunção erétil mesmo em um organismo perfeitamente apto (a presença de ereções durante o sono pode fornecer evidência objetiva), nos demais aspectos, ao desempenho sexual satisfatório.
O que deve ficar claro é que o estresse não causa disfunção erétil. O que causa disfunção erétil é a interpretação feita diante de um estímulo como estímulo ameaçador e a maneira como se comportam diante do sexo apenas como desempenho (alívio) e não como satisfação.
Há este mito de que o estresse causa a impotência. Há esta imagem do executivo angustiado e cobrado em demasia que falha na cama é um lugar comum ultrapassado. Quando alguém submetido a uma situação estressante, como por exemplo, o período de provas na faculdade-falha sexualmente, não seria em si o estresse o culpado, mas uma falsa percepção de si mesmo e da interpretação que se faz da situação a partir da sua história de contingências . Em muitos casos transfere-se para a vida sexual a pressão por desempenho a que se está submetido. Nesses casos, também o amor passa de um jogo prazeroso a uma tarefa penosa, que precisa a todo custo ser cumprida com maestria.

Qual o melhor tratamento psicológico para o tratamento da disfunção erétil?
A terapia comportamental é o mais indicado neste caso porque tem demonstrado em pesquisas resultados mais eficazes, uma vez que trabalham identificando e modificando os pensamentos, regras e crenças disfuncionais que são estímulos inadequados para respostas respondentes (fisiológicas) que disparam a adrenalina, além de procurar substituir os condicionamentos mal adaptados estabelecidos por aprendizagem em experiências de fracasso anteriores por novos padrões comportamentais. Os condicionamentos de medo e ansiedade, associados à experiências sexuais negativas anteriores podem ser decisivos, fazendo a amígdala disparar quando existe reconhecimento de estímulos presentes nas situações originais. As psicoterapias comportamentais fazem um trabalho para resignificar as informações contidas na amígdala.

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