quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sobre paixão e o amor, flutuações do amor

Entrevista concedida dia 15 de Julho a jornalista Francine Moreno que é repórter do jornal Diário da Região (O Diário da Região é o maior jornal da região Noroeste do Estado, circula em 96 municípios e tem tiragem diária de 23,5 mil exemplares, com 29 mil exemplares aos domingos.)
Matéria especial sobre as flutuações do amor (passado o frenesi da paixão o casal vive uma outra fase do amor, mais tranquila, em que os parceiros começam a retomar a individualidade) e neste caso é preciso esforço para não por em risco a relação.
A entrevista editada está na página: http://www.diarioweb.com.br/novoportal/Divirtase/Comportamento/24590,,Conheca+os+estagios+do+amor.aspx
Para o caderno Vida & Arte.
Entrevista na íntegra 

1) Passado o frenesi da paixão o casal vive uma outra fase do amor, mais tranquila, em que os parceiros começam a retomar a individualidade. Porque isso acontece?
Embora eu finja aceitar sem julgamento as formas de amar encontradas pelas pessoas, secreta ou nem tão secretamente eu as classifico como sendo de bronze, prata e ouro, na ordem de sua escassez e valor. Assim divido em três formas de amar: a) paixão (amor com êxtase, amor erótico) b) amor fílico (amor relacionado as aprendizagens do indivíduo) e c) amor agápico (amor ao próximo).
Por mais que muitos não queiram ouvir, segundo os psicólogos evolucionistas, o sentimento de paixão é a forma mais primitiva de amar e está relacionado a perpetuação da espécie. A paixão é um sentimento de dedicação absoluta em relação a alguém que surge e nos torna devotos, adoradores, ao ponto de prestarmos um culto àquela pessoa que nos apareceu. O amor erótico está ligado à atração física muito mais que ao espírito. É um tipo de amor que exige amor em troca. A descoberta deste amor geralmente ocorre na adolescência e consiste em uma estranha e doce euforia associada à mera presença de uma moça ou rapaz em particular, e incontáveis vezes, mais tarde, uma excitação ao se encontrarem próximas de uma mulher ou homem atraente. Ao mesmo tempo em que a relação é intensa, é também frágil. É este o amor que milhões de pessoas espalhadas por este universo pontilhado por estrelas sentem e vivem. É um amor de caráter estritamente sexual que podem ir da grosseria à delicadeza extrema, da mediocridade emocional à paixão intensa.
Alguns neurocientistas que pesquisam com o uso de aparelhos de ressonância magnética funcional descobriram recentemente que o sentimento de paixão dura no máximo três anos. A não ser se tiver privações (distanciamentos do parceiro amoroso) e esquemas de reforçamento intermitente (contatos com interrupções) mantendo a pessoa presa a paixão. No mais, em média, a paixão dura de um a dois anos. Neste sentido, a paixão tem data para terminar e inicia-se uma nova etapa: o que poderia ser chamado de um amor mais profundo. Isto é o normal, é o que acontece naturalmente nas relações humanas. O problema é que muitas pessoas não estão preparadas para desenvolver outras formas de amar e por isso quando a paixão (amor juvenil) termina pulam para outro barco para viverem uma nova fase de êxtase.

2) A mudança pode acontecer em tempos diferentes para cada um. E aquele que continua apaixonado não entende o que se passa ou se sente rejeitado. O que é preciso fazer nestes casos?
Quando as pessoas estão apaixonadas elas se entregam muito. Dão muitos beijos, ligam muitas vezes, declaram amor, fazem as mais diversas carícias... Todavia, quando um deles tem a paixão diminuída ou terminada começa a se doar menos na relação. Aquele que continua apaixonado sente-se rejeitado, carente, inconformado. Nestes casos é preciso ter um diálogo para descrever e explicar o que está acontecendo e investir no próprio relacionamento em formas mais maduras de amar.
Nesta conversa valeria a pena separar muito bem a paixão do amor ao apaixonado, apesar de ser para muitos deles incompreensível. A paixão é um estado ou sentimento puramente egoístico, fisiológico, e que tem data para terminar. Ainda bem. Se não deixaríamos sempre nosso trabalho e outros afazeres apenas para viver uma grande paixão. Todavia, acredito também que as pessoas precisam passar por esta fase de graça de vez em quando. Neste mesmo contexto, Romeu e Julieta é apenas uma história de paixão. Algumas pessoas mais críticas, vão ainda mais longe dizendo que se trata de uma história camuflada de sexo. Neste sentido, paixão é um eufemismo criado pela sociedade para lidar melhor com os desejos e comportamentos sexuais. Outros ainda acrescentam que se Romeu e Julieta se conhecessem mais e permanecessem por mais tempo juntos, não existiria mais história de amor, ou melhor, paixão, porque a vida rotineira eliminaria qualquer resquício de amor ainda mais porque se desconhece se eles tinham repertório afetivo prévio para desenvolver o amor agápico, o amor mais profundo.
De antemão, o amor maduro é uma mistura de sentimentos produzidos a partir de uma história de contingências de paixão e amor, com predominância de um repertório doce, nobre, amigo... cujo os indivíduos pensam a médio e longo prazo se comportando no presente, sendo sensíveis, tolerantes ao outro, com um poder equivalente e regado a muito afeto. Por fim, segundo Judith Viorst: “Paixão é quando você pensa que ele é sexy como o Brad Pitt, inteligente como o Albert Einstein, nobre com Martin L. King, engraçado como o Woody Allen e atlético como um campeão de Jiu-Jitsu. Amor é quando você descobre que ele é tão sexy como o Woody Allen, inteligente como o lutador de Jiu-Jitsu, engraçado como Martin L. King, atlético como Albert Einstein e nada parecido com o Brad Pitt - mas você fica com ele mesmo assim!” Portanto, amar profundamente exige não idealizar.

3) A não dedicação total e afastamento mostra que o outro vive um processo de sentimentos que estavam latentes?Até que ponto podemos dizer que é apenas um individualismo ou algo mais, como falta de desejo?
O indivíduo pode se distanciar de seu par por várias razões, entre elas:
a) Perdeu a admiração pelo ser amado.
b) A fase da paixão acabou ou diminuiu e a pessoa começou a dar prioridade a outras atividades incompatíveis a paixão. O que não quer dizer que o amor ao outro tenha acabado.
c) A fase da paixão terminou e não há repertório afetivo que mantenha o casal unido. Este repertório é a verdadeira cola que mantém as pessoas unidas. Inclusive ele é aprendido com os pais, familiares ou pessoas importantes durante a formação e desenvolvimento cognitivo e emocional.

4) Por outro lado, porque é importante que cada um tenha sua individualidade e olhe para os lados, para fora da relação apaixonada?
A paixão é uma fase de um relacionamento que tem data para terminar. E por incrível que pareça o indivíduo apaixonado ama a própria fantasia e não a outra pessoa. Neste sentido, estar apaixonado é idealizar o outro. Ou seja, a grosso modo, a paixão é um amor egoísta. Embora quem esteja apaixonado não queira e nem aceite saber.
Um relacionamento mais saudável deve prezar e respeitar as individualidades dos parceiros. Além disso, os parceiros precisam desenvolver repertórios para serem mais independentes emocionalmente. O amor ao próximo, o compromisso, o respeito, as boas amizades, a intimidade, o companheirismo são as melhores regras para iniciarmos a nos valorizar e dar importância as pessoas do nosso redor tendo como objetivos sermos mais afetivos e fortes. E isso leva de médio a longo prazo. Como disse o psicólogo Robert J. Sternberg: “A paixão é a primeira a surgir e a primeira a desaparecer. A intimidade necessita de mais tempo para se desenvolver, e o compromisso, mais ainda.”

5) Há uma forma de chegar ao equilíbrio?
As três formas de amar - paixão, amor fílico e amor agápico - em conjunto interagem e resultam em produtos os mais diversos e únicos. Dessa forma, o processo de vir a amar implica numa longa construção de repertórios de comportamentos de fazer por, fazer para e fazer com o outro; envolve amplo repertório de receber; supõe saber rir e saber chorar genuinamente; pede tolerância e paciência; sexo e beijos etc. Assim, não é de se estranhar que amar é uma tarefa árdua e que o amor pleno e ideal é aquele composto pela interação equilibrada dos três níveis de amor.

6) O esforço virá mais facilmente daquele que já passou o período de paixão. Ele terá condições de compreender e acolher a incompreensão do parceiro, sem se revoltar com o que poderá ser sentido como tentativa de controle e dominação?
Isso vai depender da história de vida e de seu histórico amoroso. O que se observa é que pessoas mais afetivas quando terminam a paixão não se separam porque tem repertório para entrar em contato com outras formas de amar com seu parceiro. Em oposição, indivíduos mais egoístas e imediatistas, em geral, não se mantém em uma relação sem paixão.

7) Neste cenário, muitos casais também não suportam as mudanças e terminam antes da hora?
Muitas pessoas não se livram das paixões porque gostam de fortes emoções ou porque não discriminam ou não experimentaram outras formas de amar. Se para o casal amar envolve só paixão, quando a paixão termina, termina o sentido que os faz estarem juntos. É o que acontece, por exemplo, comumente no mundo das celebridades.

8) Dê dicas para ser feliz e realizado nestes momentos no relacionamento?
É ingênuo supor que o amor está no interior do homem como se fosse algo natural que surgisse inexplicavelmente do nada. Amor é produto de uma construção de uma relação envolvendo os mais distintos sentimentos e comportamentos. A música do Titãs chamada “Provas de amor” tem algumas rimas que me chamaram a atenção. Veja essa: “Combinamos destruir, mas sempre estamos enganados vendo-o ressurgir.” e tem o refrão bastante marcante: “Existem provas de amor (...), não existe o amor.” O amor vale pela ação, pelo comportar-se. Neste sentido, o amor é aprendido e quando a sensação desaparece o casal pode reacendê-lo com paciência e dedicação (ação) ao outro tornando-o cada vez mais profundo. Além disso, o amor aprendido pelo ser humano pode ter várias formas, vários desenhos tornando-o uma das mais belas aquisições humanas. Todavia, o amor depende de comportamento, de como você o cultiva. Por isso não se pode dizer que é um sentimento eterno, mas depende de contingências que produzem tal sentimento. Frequentemente, penso no amor maduro como o amor ao ser e ao crescimento do outro, que é o Amor Agápico. Lao Tse disse certa vez: “Amar não é apoderar-se do outro para completar-se, mas dar-se ao outro para completá-lo.” Este amor envolve profundidade e cumplicidade o que torna a relação mais saborosa e proveitosa. Para experienciar este novo amor é necessário aceitar como as pessoas são e parar de querer reformá-las, como diz a sabedoria oriental: “Paixão é cegueira... Amor... é lidar com os defeitos do outro.” Além disso, desenvolver tolerância, empatia, uma boa comunicação com o parceiro etc.

Copyright © 2010 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.
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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

Parece, mas não é

Revista Metropole

Parece, mas não é

Diagnóstico: psiquiatras e psicólogos falam de tristeza, um sentimento comum, às vezes confundido com depressão, tema de livro escrito por dois especialistas

Por Janete Trevisani

janete@rac.com.br

Équando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. Como bem sintetiza a escritora gaúcha Martha Medeiros em um de seus textos, “dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada”. Mas, atualmente, parece que é feio sentir tristeza. Pior que isso, um mero aborrecimento ganha contornos de depressão severa.
Para os professores americanos Allan V. Horwitz e Jerome C. Wakefield, a psiquiatria contemporânea confunde tristeza normal com transtorno mental depressivo. No livro A tristeza perdida - como a psiquiatria transformou a depressão em moda, os autores mostram que a tristeza, comum a todo ser humano, vem sendo tratada como doença.
O objetivo é mostrar como os profissionais de saúde mental podem evitar transformar em doença reações emocionais normais aos estressores da vida, ao identificar com precisão aqueles que sofrem de transtornos depressivos genuínos. Para os autores, a psiquiatria fez avanços surpreendentes nas últimas décadas e hoje há muitas técnicas eficazes à disposição para descobrir as causas dos transtornos depressivos.
Nesta matéria, psicólogos e psiquiatras de Campinas são unânimes: a sociedade moderna é intolerante aos sentimentos tristes, como se fosse possível ser feliz o tempo todo.

Sem tempo para sofrer
“As pessoas vivenciam seus lutos e perdas como se fossem doenças, como se as dores e sofrimentos não fizessem parte da condição humana. Não querem, não se permitem entristecer-se, angustiar-se. Preferem se identificar ou procuram quem as identifiquem como doentes, tomando remédios que amenizem ou retirem completamente qualquer tipo de incômodo, como se todo incômodo fosse algo negativo, abandonando seus próprios recursos internos em prol de soluções imediatas e vindas do exterior. Por outro lado, a correria do mundo globalizado busca a perfeição, não prioriza a qualidade de vida e das relações, o que pode ocasionar um grande isolamento e senso de competição. Tudo isso gera um desgaste muito grande. Não há tempo para sofrer nossas perdas, reconhecer nossos medos, chorar nossas tristezas. Ignoramos tanto o que nosso corpo e mente demonstram que nos tornamos mais vulneráveis ao adoecimento emocional e físico.” - Shirley Miguel, psicóloga

Situações estressantes
“A tristeza ocorre nas mais variadas ocasiões e em diferentes graus de intensidade. Ela nos acompanha diuturnamente. Ficamos tristes ao nos deparar com uma notícia ruim na televisão, a violência urbana, o trânsito, as injustiças sociais, a corrupção das autoridades... Mas ninguém pensa em utilizar psicofármacos nessas ocasiões. Porém, há outras situações mais estressantes, como a morte de um parente, a perda de um amigo, a separação conjugal ou o desemprego. Aqui, preferimos falar em luto, porque a tristeza é mais intensa, proporcional à perda vivenciada. E o luto pode ser normal, quando esta proporção é mantida em intensidade e duração, ou patológico, quando esta proporção não se mantém. Nestes casos, a intervenção indicada não é a medicamentosa, mas sim a psicoterápica. A medicação é indicada apenas nos quadros depressivos de intensidade moderada ou grave, que se caracterizam não apenas pela tristeza, como também por outros sintomas associados: perda da energia e perda de interesse e do prazer pelas atividades habituais. Estes três sintomas formam a chamada tríade nuclear, ou o núcleo duro da depressão. Outros sintomas acessórios são frequentes: pessimismo, queda da autoestima, ideias de autoacusação ou culpa, diminuição da concentração, retardo ou agitação psicomotora, ideação suicida, alterações do sono e do apetite. A depressão é uma doença complexa, sistêmica e, frequentemente, de curso crônico. Se, por um lado, o exagero da medicação desnecessária é ruim - e isto é um fato no mundo todo -, por outro, deixar de medicar pacientes verdadeiramente depressivos é um mal ainda maior. A depressão não tratada está ligada a diversas patologias, como hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias, dismetabolias, alterações endócrinas, entre outras.” - Evandro Gomes de Matos, doutor em psiquiatria

Situações estressantes
“A tristeza ocorre nas mais variadas ocasiões e em diferentes graus de intensidade. Ela nos acompanha diuturnamente. Ficamos tristes ao nos deparar com uma notícia ruim na televisão, a violência urbana, o trânsito, as injustiças sociais, a corrupção das autoridades... Mas ninguém pensa em utilizar psicofármacos nessas ocasiões. Porém, há outras situações mais estressantes, como a morte de um parente, a perda de um amigo, a separação conjugal ou o desemprego. Aqui, preferimos falar em luto, porque a tristeza é mais intensa, proporcional à perda vivenciada. E o luto pode ser normal, quando esta proporção é mantida em intensidade e duração, ou patológico, quando esta proporção não se mantém. Nestes casos, a intervenção indicada não é a medicamentosa, mas sim a psicoterápica. A medicação é indicada apenas nos quadros depressivos de intensidade moderada ou grave, que se caracterizam não apenas pela tristeza, como também por outros sintomas associados: perda da energia e perda de interesse e do prazer pelas atividades habituais. Estes três sintomas formam a chamada tríade nuclear, ou o núcleo duro da depressão. Outros sintomas acessórios são frequentes: pessimismo, queda da autoestima, ideias de autoacusação ou culpa, diminuição da concentração, retardo ou agitação psicomotora, ideação suicida, alterações do sono e do apetite. A depressão é uma doença complexa, sistêmica e, frequentemente, de curso crônico. Se, por um lado, o exagero da medicação desnecessária é ruim - e isto é um fato no mundo todo -, por outro, deixar de medicar pacientes verdadeiramente depressivos é um mal ainda maior. A depressão não tratada está ligada a diversas patologias, como hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias, dismetabolias, alterações endócrinas, entre outras.” - Evandro Gomes de Matos, doutor em psiquiatria

Em parceria
“As manifestações de tristeza ocorrem ao longo da vida, mas devem ser analisadas à luz do contexto vivencial em que emergem. O psicólogo vai decidir se vale ou não a pena encaminhar para que o psiquiatra medique. Não tem sentido pensar que toda e qualquer tristeza será medicada, tampouco deixar de obter um alívio, a partir da medicação, por mera resistência. Muitos clínicos, psicólogos e psiquiatras sabem que certos medicamentos não resolvem os problemas vivenciais. Então, o remédio não tem o sentido de curar, mas, sim, de proporcionar alívio, o que é legítimo, porque não há necessidade de manter o sofrimento em um grau máximo para que a psicoterapia surja efeito. Assim, psicólogos podem trabalhar integradamente com psiquiatras, em muitos casos. Cada caso deve ser avaliado de forma individual por um profissional, levando em conta todo o contexto vivencial em que emergiu a tristeza.” - Cristiane Simões, psicóloga.

Cuidados necessários
“Estar triste é um estado afetivo momentâneo, ser depressivo é uma doença afetiva persistente. A tristeza é, então, um sentimento. A depressão é uma doença. A tristeza geralmente tem uma causa definida, a depressão não tem causa, embora as pessoas tentem descobrir algum motivo circunstancial. Existem muitos casos de tristeza que não são depressão, como quando há uma perda, uma decepção, uma frustração. Existem muitas depressões que não têm tristeza, mas, sim, outros sintomas, tais como apatia, desinteresse, desânimo, queixas físicas, pânico, ansiedade... Se nem tudo é depressão, então por que todos que procuram ajuda médica para o estado de sofrimento emocional acabam tomando antidepressivos? Porque o antidepressivo é a solução mais econômica e fácil. Depois de quinze ou vinte dias, a pessoa que toma antidepressivos começa a superar a angústia e, de certa forma, a tristeza. O ideal seria fazer um bom diagnóstico e instituir um tratamento adequado; em alguns casos terapia, outros medicação, ou os dois juntos. Em muitas circunstâncias, a tristeza é inevitável e não requer tratamento; a pessoa tem mesmo que passar por ela, superá-la, aproveitar para crescer e, conscientemente, valorizar tantos outros momentos felizes.” - Geraldo Ballone, psiquiatra.

Padrão de felicidade - “A sociedade estabelece um padrão de felicidade contínua, fazendo com que as pessoas esperem ser felizes o tempo todo ou que estejam sempre de bem com a vida, tornando-se intolerantes com sentimentos tristes. É como se a tristeza perdesse o direito de existir. E, por consequência, as pessoas acabam se sentindo culpadas e envergonhadas quando estão tristes ou têm problemas. Proibir uma tristeza provocada por uma separação amorosa, pela perda de um ente querido, por uma decepção pessoal, é eliminar um sentimento normal que deve ser vivido para que possa ser superado. Na verdade, muitas pessoas não sofrem de problemas psiquiátricos, mas apenas necessitam de apoio emocional por causa de uma intensa reação a alguma perda ou estresse em sua vida. O medicamento que atua diretamente no cérebro tem servido como uma solução mágica e toda solução rápida deveria ser questionada. O que se observa é que tais medicamentos têm servido mais como corrimão ou muleta e, por isso, não ensinam a pessoa a andar com as próprias pernas. Em outras palavras, não produz repertório que torne a pessoa independente. Ansiolíticos, antidepressivos e antipsicóticos não instalam comportamentos, não ensinam como a pessoa deve se comportar diante das adversidades. Por outro lado, é importante esclarecer que existem pessoas que precisam do tratamento medicamentoso e que, por isso, não podem jamais ficar sem tais fármacos e sem o acompanhamento médico especializado. Inclusive os medicamentos podem acelerar o processo psicoterapêutico.” - Reginaldo do Carmo Aguiar, psicólogo clínico comportamental.

Altos e baixos
“É normal sentir-se eventualmente triste, sem que esse estado configure uma depressão, como acontece após uma situação estressante real na vida. Somos seres cíclicos, com altos e baixos. Nossa sociedade tem como modelo ideal a pessoa que está bem em vários aspectos da vida, sempre, e há uma dificuldade para se lidar com os limites. A não tolerância a essas dificuldades impostas pela vida aumenta muito a quantidade de diagnósticos de quadros depressivos. Mas esse aumento não torna o diagnóstico um simples modismo e, sim, aponta para uma doença que é um reflexo do nosso tempo e da dificuldade em corresponder às demandas, sejam elas pessoais, da família, dos amigos ou da sociedade.” - Renata Yori Yonamine, psiquiatra.

Mecanismo emocional
“A tristeza não é uma inimiga. Atacá-la é confundir a causa com o efeito. Nos cursos de gerenciamento emocional, os nossos alunos aprendem como funciona o mecanismo emocional, como é possível alterar a forma de pensar para impedir que a tristeza ganhe proporções que levem ao descontrole. A tristeza é produzida pelo pensar. De fato, para sentir tristeza é preciso pensar de forma triste. Se não aceitar como válida uma interpretação triste de algum fato, o sujeito não conseguirá produzir a emoção de tristeza. Ao aprender formas de gerenciar as emoções, as pessoas deixam de usar antidepressivos e passam a modular a intensidade de suas emoções, de modo a mantê-las sempre dentro de limites benéficos, saudáveis e controlados. Quando alguém de fato ultrapassa a barreira da tristeza e mergulha na depressão patológica, o uso dos medicamentos é uma ajuda maravilhosa. Os antidepressivos podem neutralizar as condições cerebrais associadas à depressão, possibilitando ao paciente trabalhar para desenvolver um novo pensar, um pensar que, ao invés de produzir tristeza, crie emoções e sentimentos benéficos, revigorantes e motivadores. Aprender a gerenciar as emoções, superando a dependência dos medicamentos, devolve a sensação de estar no controle de si mesmo.” - Andrês De Nuccio, psicólogo e diretor do Instituto Ísvara.

Copyright © 2010 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.


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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

Quer recasar comigo? (publicação na revista Metrópole)

Publicada em 11/7/2010 Revista Metropole

Quer recasar comigo?

Vaivém: ponto alto do romantismo típico de novelas da TV, casais que voltam às boas após separação são um assunto complexo na vida real.

Por Vilma Gasques


vilma@rac.com.br

O casamento acabou e cada um segue seu caminho, tentando tocar a carreira-solo. É nesse momento que o casal descobre que ainda existe amor, e ele continua forte. Os encontros voltam a acontecer e não tarda para a constatação: é melhor voltar a viver juntos. O casamento é, então, retomado. Há exemplos em que o casal chega a se separar no papel, na presença do juiz. E depois volta a se casar, de novo no papel.
“O casal constrói laços ao longo do tempo, não somente afetivos e sexuais. Alguns deles não se rompem com a separação, deixando aberta a possibilidade de retomada do relacionamento”, explica a terapeuta de casais e professora de psicologia clínica da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Diana Tosello Laloni.
O que ocorre, segundo a especialista, é que muitos imaginam que estão juntos apenas porque gostam um do outro e se entendem sexualmente. Entretanto, o casal estabelece laços econômicos, sociais, familiares e de status. Isso forma um conjunto de prazeres. “E a probabilidade de um casal retomar os laços rompidos após um tempo é grande, principalmente quando um ou ambos os parceiros não conseguiram, ao longo da separação, estabelecer vínculos com outras pessoas.” Diana ressalta que há uma tendência natural na vida de todos em buscar aquilo que foi bom no passado. “Se, em algum momento, sentir que falta alguma coisa, a tendência é retomar a boa experiência do casamento”, destaca. Diana não se arrisca a dizer que o recasamento é pior ou melhor para os envolvidos. “Tenderia a ser melhor, mais duradouro, já que houve uma experiência anterior que terminou e voltou. As pessoas têm essa ideia no imaginário. Mas isso não é uma verdade. Da mesma forma que houve uma experiência boa, teve a ruim que culminou na separação”, lembra. Ela salienta que esse é um casal vulnerável a novos problemas.
“O recasamento com os mesmos parceiros não é uma coisa comum. O casamento contemporâneo está cada vez mais centrado na questão da satisfação pessoal dos envolvidos”, explica Reginaldo do Carmo Aguiar, psicólogo e especialista em terapia de casais. Ele comenta que essa condição pode ser volúvel. Os projetos e os desejos de um podem mudar e se tornar incompatíveis com os projetos e os desejos do outro.
Ele lembra que, na impossibilidade de equacionar as diferenças, a separação é vista como a alternativa menos prejudicial para os parceiros e filhos. Segundo Aguiar, separação é uma decisão que envolve muitas variáveis vinculadas à história de vida de cada parceiro. Um exemplo é o marido que sempre gostou de brincar e participar da formação do filho. Com o distanciamento, esse pai sofrerá mais pela dissolução da família. Em contrapartida, a mulher que foi dona de casa e cuidadora dos filhos por anos terá dificuldade de se posicionar profissionalmente e sofrerá com as perdas econômicas.
Na avaliação do terapeuta, para que o recasamento seja benéfico é preciso avaliar o histórico do casal e saber se ocorreram mudanças. “Há uma fase inicial de namoro, tal como nas outras relações, e isso pode servir como uma condição motivadora. Por outro lado, a experiência da separação deve ser usada para identificar o que havia de errado na relação”, sugere.
Na segunda tentativa, espera-se que os casais estejam mais conscientes da relação. Além disso, a volta é benéfica caso a comunicação entre o casal tenha melhorado. Nesse sentido, ambos precisam ter mais habilidade para formular e expressar adequadamente opiniões, desejos, vontades, sentimentos e pensamentos sem ofender ou agredir o parceiro da relação.
‘Isso é muito belo’
O casamento da jornalista Luciene Dressano e do marceneiro José César Castelli ruiu logo nos primeiros anos, devido ao acúmulo de responsabilidades com a chegada de dois filhos que não estavam programados. “Muita tensão, divisão de papéis, inexperiência e ansiedade foram aos poucos nos desgastando. E nossa convivência se tornou insuportável”, lembra o casal.
Isso foi há mais de 20 anos e eles nem se lembram quanto tempo ficaram separados. “O que sabemos é que no começo pensamos que a separação seria uma saída para cada um ser feliz a seu modo. Mas depois descobrimos que nos amávamos e não dava para viver longe um do outro”, comenta Luciene.
Castelli lembra que descobriu que gostava da casa, da esposa e dos filhos quando saiu de casa. “Quando estava perto deles não conseguia enxergar nada disso. Foi preciso me distanciar para encontrar essa verdade”, lembra. Já a jornalista diz que o que prevaleceu foi o sentimento. “Nossa história de amor é forte. Nossas vidas foram marcadas por dificuldades e grandes provações. E a volta foi uma delas. Se voltamos, se depois de dez anos tivemos mais dois filhos e se estamos juntos até hoje é porque o amor fala mais alto. Isso é muito belo.”
Com quatro filhos, dois na faixa de 20 anos e dois adolescentes, Castelli e Luciene relembram que o recasamento teve início quando eles resgataram um namoro que havia sido intercalado por filhos e dificuldades emocionais. “Não chegamos a nos separar legalmente. E recordar essa história me faz acreditar que um dos pilares da união entre duas pessoas é a admiração que se tem um pelo outro. Eu fiquei mais seguro com o nosso retorno e descobri que queria envelhecer com a Lu”, declara o marceneiro, que descobriu com a mulher que uma relação amorosa se constrói todos os dias.
Já o casal Mário e Valéria (os nomes foram trocados para preservar os entrevistados) foram fundo na separação e se divorciaram. Quando voltaram a se entender, casaram-se novamente, mas não antes de várias reconciliações e separações. “Quando nos casamos, em 1986, estava grávida de quatro meses de nosso primeiro filho. Depois de dois anos, nasceu meu segundo filho. Meu marido trabalhava numa plataforma da Petrobras no Rio de Janeiro e somente nos víamos a cada 15 dias. Tivemos nossa primeira separação consensual que ele, como advogado, preparou”, conta Valéria.
A terceira filha nasceu em 1991 em meio a crises de “casa-separa”. Em 2001, casaram-se outra vez. Com três filhos da fase da adolescência, Mário e Valéria tiveram a quarta filha, hoje com sete anos. “Imagino que a religião me faz pensar no casamento como algo definitivo e fiz o possível para que desse certo. Vejo essa preocupação também no meu marido, que abdicou de projetos pessoais por causa dos filhos. Ele sempre prioriza os filhos. Esta é também uma razão forte para eu amá-lo.”
Prós e contras
De acordo com o psicólogo Reginaldo do Carmo Aguiar, não há informações que possibilitem mensurar a proporção de famílias formadas por casais recasados. O tempo que o casal fica separado antes de retomar o casamento também não é determinado pelos terapeutas. “Da minha experiência no consultório e em conversa com outros terapeutas, posso dizer que varia muito de caso para caso”, diz Aguiar.
De acordo com ele, outra situação que ocorre é a de o casal retomar o relacionamento antes mesmo de se separar legalmente, já que, em geral, a discussão dos acertos da separação e as dúvidas sobre as vantagens e desvantagens do rompimento. “Por isso, os parceiros acabam voltando antes mesmo de oficializar a separação na Justiça.”
Os que decidem recasar têm a vantagem de já conhecer o parceiro. Porém, nesse processo há desvantagens também. “O desejo sexual tende a ser menor com uma parceira conhecida há muito tempo e o casal pode voltar a ter uma rotina que é de aversão”, ressalta Aguiar. Ele lembra também que os envolvidos continuam, em muitos casos, tendo expectativas exageradas ou idealizadas no que diz respeito a companheirismo, atenção e respeito.
No caso dos homens tradicionais, há a expectativa de que as companheiras sejam excelentes amantes, esposas trabalhadeiras e, acima de tudo, mães cuidadosas. Eles também não querem ser cobrados por elas. “As mulheres esperam que os maridos sejam homens que se dediquem ao trabalho e à família, que sejam mais afetivos e carinhosos, que não sejam consumidos por vícios como a bebida, os jogos.”

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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Programa de televisão para falar sobre fobias, medos e ansiedades.

Participação do Programa de televisão Vida e Saúde com o apresentador Frei Rinaldo Stecanela da Emissora Tv Século 21 para falar sobre "Fobias, medos e ansiedades". O programa foi ao ar ao vivo no dia 02-08-2010 para todo o território brasileiro.
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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

Palestra sobre sexualidade

Nesta quinta feira dia 08-07-2010 foi realizada uma palestra sobre sexualidade aos alunos do SENAI da empresa TOYOTA.

Programa Conversa com Clélio Berti da Rede TV para falar sobre auto-estima e auto-afirmação

O programa será exibido em um dos sábados de Setembro. Segundo a produtora do programa os objetivos do programa são:
1 - levar informação de qualidade para que as pessoas possam refletir e tomar atitudes mais sábias na sua vida cotidiana.
2 - bom gosto, rapidez, informação de qualidade, compromisso com a evolução humana, com a sustentabilidade, com ética e com valores humanos.
Segundo ela ainda, o planeta caminha para uma direção não boa. Precisamos esclarecer, informar, mudar padrões de comportamento, comprometemo-nos com a sustentabilidade, a ética e com valores humanos. O programa Conversa com Clélio Berti pretende contribuir para tudo isso.
Segue abaixo a entrevista em video:
Video 1: sobre autoestima
Video 2: sobre autoestima
Video 3: sobre autoestima

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Entrevista sobre o equilíbrio entre estudo e diversão no ano do vestibular

Entrevista concedida a jornalista Mayara Rinaldi do Jornal Diário Catarinense (http://www.diario.com.br/) para falar sobre a medida entre o estudo e o lazer em ano de vestibular. Este jornal é publicado em Florianópolis e região.

Jornalista: Qual o ponto de equilíbrio entre estudar e sair para se divertir?
Reginaldo: O divertimento e o relaxamento são importantes para o indivíduo tornar-se mais resiliente. Resiliência é o nome dado a uma propriedade física em que um material pode ser deformado e volta a seu estado normal anterior a deformação. Hoje a Psicologia faz uso do termo resiliente para classificar uma pessoa que consegue passar por situações aversivas e se recuperar facilmente voltando ao seu estado físico e emocional “normal”. O que se observa na prática e em diversas pesquisas é que sair para se divertir na maioria dos casos aumenta a auto-estima, a auto confiança e a resiliência das pessoas. Assim dizendo, uma pessoa que tem um equilíbrio entre estudar e se divertir torna-se mais resiliente. Neste sentido, estudantes que vão prestar vestibular não precisam deixar de viver no ano de seu vestibular. Na medida certa, baladas, futebol com os amigos, academia, saídas para o cinema, festas, namoro e lazer só fazem bem, desde que não atrapalhe a rotina de estudos.
Um outro ponto importante é que o nosso cérebro é formado por neurônios (células nervosas) e que tais células sofrem da mesma fadiga que os nossos músculos (células musculares). Um indivíduo em uma academia de musculação, por exemplo, exercita por um tempo e depois relaxa, descansa a musculatura, seja durante o treinamento, seja após, caso o contrário ele pode se lesionar ou perder massa muscular por esforço repetitivo. Analogamente, o nosso cérebro funciona da mesma forma, ele precisa de intervalos menores - entre os estudos - e alguns maiores - fim do dia ou um fim de semana - para manter um bom desempenho ou melhorá-lo (aumento do número de associações sinápticas) e evitar a fadiga.
A preparação para o vestibular exige, acima de tudo, dedicação nos momentos de estudo e diversão nas horas de lazer. Metade do tempo que o vestibulando tem livre, fora de uma sala de aula ou de uma cama, ele deveria aproveitar para se dedicar aos estudos da melhor maneira possível, realizando exercícios, tirando dúvidas, revisando o que já foi visto e fazendo anotações. A outra metade seria reservada para relaxar, praticar esportes, sair com os amigos e ir a festas ou baladas.

Jornalista: Os pais podem ajudar a encontrar esse equilíbrio permitindo e proibindo certas coisas? De que forma eles podem ajudar?
Reginaldo: Quando os estudantes estão se preparando para o vestibular, alguns pais exigem que seus filhos desprezem seus momentos de folga, deixem de sair com os amigos e de ir a festas. Agem de uma maneira equivocada, pois essa pressão e exigência prejudicam o desempenho.
Eles podem ajudar observando a rotina de estudos e a rotina de lazer e avaliar se estas rotinas estão muito discrepantes. Caso o filho esteja estudando demais e saindo pouco os pais devem estimular que eles participem de mais atividades sociais ou outras práticas de lazer que o vestibulando goste. Em contrapartida, se o filho estiver estudando de menos e saindo muito, os pais precisam criar condições e consequências de perdas durante a semana para que se tornem mais responsáveis e se esforcem mais. Por exemplo, “Se estudou sai, se não estudou não tem dinheiro para sair ou não sai.” Além disso, neste último caso, os pais precisam elogiar os esforços ou pontos positivos dos filhos para que aumente a rotina de estudos.

Jornalista: Quais são as dicas para que o vestibulando encontre a medida certa?
Reginaldo: A rotina dos vestibulandos costuma ser um verdadeiro treinamento de guerra. Provas semanais, simuladões exaustivos, aulas nos finais de semana, reforços extra-classe e resolução de centenas de exercícios num único dia são algumas das estratégias para assimilar o que ainda não foi aprendido. Entretanto, esta rotina exagerada pode atrapalhar. Para que o estresse não ocorra antes do tempo segue abaixo algumas dicas para o vestibulando:
1) O estudo deve ser organizado constantemente, e o lazer e descanso são fundamentais. O aluno precisa de pelo menos um dia na semana para se divertir e relaxar.
2) Fazer intervalos de descanso, ou seja, estudar duas horas e ficar de 20 a 30 minutos para relaxar. Neste momento o aluno pode conversar sobre assuntos irrelevantes com os amigos, levantar para andar um pouco, beber um suco, dar um telefonema etc.
3) Se exceder durante a semana com os estudos, permitir um momento maior de lazer e entretenimento no fim de semana para chegar renovado na segunda.
4) Se não costuma fazer atividades esportivas, pode andar de bicicleta ou patins, caminhar no parque, dançar etc. O que importa é por o corpo em movimento.
5) É sempre importante lembrar que os momentos de diversão com os amigos não são perda de tempo. Pelo contrário, eles são um investimento.
6) Descanso não significa apenas dormir, mas se divertir, fazer as coisas que você mais gosta e praticar exercícios físicos leves.
7) Evitar baladas até muito tarde e ir em dias certos - Estabelecer um horário para ir embora da balada ajuda a não atrapalhar o relógio biológico durante a semana. Além disso, dar preferência as baladas de sexta ou sábado a noite para não prejudicar o ritmo de estudos durante a semana.


Copyright © 2010 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.

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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

Entrevista sobre pessoas que voltam aos ex-parceiros (recasamento) dada a Revista Metrópole

Entrevista com resposta na íntegra dada a repórter Vilma Gasques da Revista Metrópole que circula aos domingos no jornal Correio Popular sobre pessoas que voltam ao ex-parceiros (recasamento). A matéria foi publicada no dia 11/07/2010.

Repórter: Há dados de uma porcentagem de casais que se separam e voltam a se unir?
Reginaldo: Infelizmente, as informações do Censo Demográfico e das Pesquisas Nacional por Amostra de Domicílios (PNADs), que constituem as principais fontes sobre a composição dos domicílios e das famílias brasileiras, não possibilitam mensurar a proporção de famílias formadas por casais, onde um ou ambos os parceiros são recasados. A boa notícia é que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem aberto canais de discussões com especialistas, técnicos e acadêmicos, buscando alternativas para melhorar a captação destas informações no Censo de 2010 e nas demais pesquisas nacionais realizadas pela instituição.

Repórter: Quanto tempo em média ficam separados?
Reginaldo: É importante deixar claro que o recasamento com os mesmos parceiros acontece, mas não é comum. Das pessoas que atendi e atendo em consultório e de conversas com outros terapeutas o tempo que ficam separados variam muito dependendo de cada caso. Além disso, é uma amostra enviesada porque são pessoas que vem para a terapia de casal para uma nova tentativa no casamento.

Repórter: E se separam no papel? E depois voltam a se casar legalmente?
Reginaldo: Dos casos que atendi, a discussão dos acertos da separação e as dúvidas sobre as vantagens e desvantagens da separação, em geral, demoram, por isso o casal acaba voltando antes mesmo de se separarem legalmente.

Repórter: O que se passa com eles? Descobrem que foram feitos um para o outro? Mesmo depois de terem descobertos que não queriam mais viver juntos.
Reginaldo: O recasamento com os antigos parceiros está relacionado mais a fugir do sofrimento e pode ocorrer pelos seguintes motivos:
1) Dificuldade ou falta de repertório/habilidade - a) Dificuldade ou falta de repertório/habilidade social e afetivo para se envolver em novos relacionamentos amorosos; b) Dificuldade ou falta de repertório social e afetivo que produz sentimento de medo ou dificuldade em lidar com a solidão (principalmente depois de uma certa idade) ou de fazer novos vínculos; c) Insegurança econômica/financeira. d) Medo de se envolver em uma nova relação com alguém desconhecido. e) Regras distorcidas relacionadas a baixa auto-estima do tipo: “Não valho nada.”; “Se eu não voltar com ela viverei sozinho.”; “Tenho 40 anos, já estou velha, a solução é volta com meu ex.”
2) Não conseguir ficar distante dos filhos, familiares ou amigos.
3) Ter esperança - a) A esperança de que o outro tenha mudado; b) Ainda acreditar nos “sonhos construídos” a dois.
4) Avaliação social e status - a) Medo da crítica, julgamento ou avaliação pejorativa do seu grupo social (família, amigos, igreja, colegas, vizinhos etc). A vida de homem separado, por exemplo, é vista como solitária e socialmente negativa. No meio social em que eles circulam, ser um homem adulto, solteiro, sem uma família para cuidar é alguém que é visto com desconfiança, sem credibilidade. Ainda mais porque quando estão separados, eles voltam a circular pelos bares, pelos churrascos depois dos jogos de futebol, a sair com mulheres com quem não mantém relacionamentos fixos. O respeito e a credibilidade social estão no fato de serem homens de família, de terem sob seus cuidados um lar, uma esposa e filhos. Quando estão separados eles perdem não apenas os benefícios de ter cama, comida e autoridade, mas também este reconhecimento social. É comum as queixas masculinas sobre se sentirem esquecidos ou excluídos de festas familiares ou de amigos que antes freqüentavam; b) Por status ou dinheiro – Em alguns grupos e comunidades ser casado com uma pessoa importante produz ganhos sociais, dinheiro ou poder.
5) Arrependimento, medo ou culpa - a) O afastamento pode levar a acreditar que o ex-companheiro, afinal era a pessoa certa; b) A separação ocorreu, por exemplo, porque um dos parceiros teve uma paixão fora do casamento que não durou.
6) Aceitar a nova mulher que é elástica - da consciência de que as mulheres foram afetadas por estarem no mercado de trabalho, em alguns casos por serem também provedoras financeiras de seus lares, de poderem exercer sua sexualidade, das mudanças na forma de encarar a maternidade e a relação com os filhos.

Repórter: Essa volta é benéfica para os dois? Como o senhor avalia isso?
Reginaldo: Para se saber se a volta é benéfica é importante obter algumas informações sobre o histórico do casal, além de saber se ocorreram algumas mudanças. Para isso é importante saber: a) Motivos que os separaram; b) Quem teve a iniciativa. A atitude do outro parceiro; c) Quanto tempo de separação; d) Se permanecem dificuldades anteriores. Se aumentou as habilidades para lidar com o parceiro. Se aumentou a tolerância a frustração; e) Se houve intervenções familiares e quais foram; f) Se teve outros relacionamentos no período de separação e quais as conseqüências disso; g) Se há filhos. A idade deles. Com quem moraram e como lidar com eles. h) Reconciliação: a iniciativa foi de quem? Expectativas de ambos.
A volta pode ser benéfica porque em muitos casos há uma fase inicial de namoro, tal como nas outras relações, e isso pode servir como uma condição motivadora. Por outro lado, o divórcio ou a separação deve ser aproveitado para descobrir o que havia de errado na relação. No segundo casamento espera-se que os casais estejam mais conscientes da relação. Além disso, a volta é benéfica se melhorou a comunicação, o diálogo entre os dois. Neste sentido, ambos precisam ser mais assertivos. Ser assertivo é ter a habilidade de identificar, formular e expressar adequadamente opiniões, desejos, vontades, sentimentos, pensamentos sem ofender ou agredir o parceiro da relação. Isso envolve identificar: o que, como, quando e porque falar algo relevante. Identificar e expressar as próprias expectativas pessoais e as relativas ao casal. Em suma, saber falar e saber ouvir respeitando a si e ao outro, o que não é tão simples. Portanto, se tais mudanças não ocorrerem os parceiros estarão condenados a uma nova separação ou a um casamento infeliz.

Repórter: Quais as vantagens que um casal que já foi casado tem em relação aos outros no sentido de fazer a relação dar certo?
Reginaldo: a) Eles tem mais informações sobre o parceiro.
b) Podem aceitar mais as diferenças e ter claro que algumas características não mudam.
c) Podem receber apoio de familiares e amigos, além de manter estes vínculos.

Repórter: E as desvantagens?
Reginaldo: a) O desejo sexual tende a ser menor com uma parceira conhecida há muito tempo.
b) Pode voltar a ter uma rotina que é aversiva.
c) Os parceiros continuam, em muitos casos, tendo expectativas exageradas ou idealizadas no que diz respeito a companheirismo, atenção e respeito. Os homens esperam que as companheiras sejam excelentes amantes, esposas trabalhadeiras e acima de tudo mães cuidadosas. E além disso, não querem ser cobrados por elas. Em contrapartida, as mulheres esperam que os novos maridos sejam homens que se dediquem ao trabalho e à família, que sejam mais afetivos e carinhosos, que não sejam consumidos por vícios como a bebida, os jogos e as outras mulheres.

Repórter: Prós e contras de namorar o ex-marido.
Reginaldo: As vantagens são: sair da rotina, evitar conflitos por pequenas coisas do dia a dia (principalmente no que se refere à organização da casa e horários.), ganhar privacidade (no caso de morarem em casas diferentes), aumentar a emoção pelo fato de se preparar especialmente um para o outro, fazendo de cada encontro um momento especial.
As desvantagens são: Aumento do custo de vida, menor cumplicidade, brecha para imaturidade. Morar separado pode ser uma forma de resguardar a imaturidade, com sentimentos individualistas e egocêntricos, perdendo a oportunidade de crescer aprendendo um com o outro, cedendo e negociando.

Repórter: O que prevalece nessa hora? É o sentimento, é a relação com os filhos, é a relação financeira?
Reginaldo: O casamento contemporâneo está cada vez mais centrado na questão da satisfação pessoal dos envolvidos. E isso pode ser muito volúvel, pois com o passar do tempo, os projetos e os desejos podem mudar e se tornarem incompatíveis com os projetos e os desejos do companheiro. Na impossibilidade de equacionar estas diferenças, a separação é vista como a melhor e menos prejudicial alternativa para a vida dos parceiros e até mesmo de seus filhos. No entanto, a médio prazo, observa-se que é muito difícil tomar esta decisão porque há muitas variáveis em jogo que devem ser levadas em consideração. Todavia, a variável ou variáveis mais importantes dependerá muito da história de vida de cada parceiro. Para um companheiro que sempre gostou de brincar e participar da formação de seu filho ficar longe dos filhos será muito aversivo. Em contrapartida, para uma mulher que foi dona de casa e cuidadora dos filhos por anos terá muita dificuldade de se arranjar profissionalmente. Neste caso, a curto prazo, a mulher sofreria mais com as perdas econômicas e o homem entraria em sofrimento pela falta dos filhos.

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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Revista Metrópole do jornal Correio Popular para falar sobre o excesso de prescrições de medicamentos

Entrevista com a jornalista Janete Trevisani do jornal Correio Popular para a revista semanal que é publicada aos domingos neste mesmo jornal.

Metrópole: Há uma discussão em pauta nos consultórios terapêuticos: a quantidade de diagnósticos de depressão é ou não excessiva? Para os professores Allan V. Horwitz e Jerome C. Wakefield, a psiquiatria contemporânea confunde tristeza normal com transtorno mental depressivo porque ignora a relação entre os sintomas e o contexto em que eles aparecem. No livro A tristeza perdida - Como a psiquiatria transformou a depressão em moda, os autores mostram que a tristeza, comum a todo ser humano, vem sendo tratada como doença. O senhor concorda?

Reginaldo: O que se observa é que há um modismo de rótulos pela psiquiatria que já vem de décadas. Há um tempo atrás muitas crianças eram diagnosticadas com TDAH (Transtorno de Déficit de atenção ou Hiperatividade) como se qualquer hiperatividade ou desatenção sinalizasse um transtorno, já em outros períodos aumentou exageradamente os diagnósticos de Transtorno Bipolar. Nos últimos anos, a depressão se transformou no distúrbio mais tratado por psiquiatras. Ao mesmo tempo, o consumo de antidepressivos está sendo prescrito por médicos de todas as especialidades.
Isso provavelmente é devido:
1) Ao forte lobby da indústria farmacêutica, além disso é ela que patrocina quase todas as pesquisas na área. Nos últimos anos, pesquisadores chegaram a se recusar a publicar pesquisas porque tinham resultados negativos para a indústria de medicamentos. Hoje temos muitas indicações sobre os efeitos colaterais e os problemas quando alguém tenta diminuir a dose, como mudanças súbitas de humor ou pensamento suicida, interferência na vida sexual, com a diminuição da libido, insônia, dor de cabeça, aumento de peso, náuseas, boca seca etc. Entretanto, a indústria limita ou omite os efeitos colaterais.
2) A dificuldade que os psiquiatras tem, principalmente pelo tempo curto de suas consultas (um problema relacionado aos convênios médicos que pagam mal aos seus profissionais), o que dificulta fazer uma análise para definir adequadamente o que é normal e patológico.
3) Ao uso do Manual de Diagnósticos para Distúrbios Mentais (DSM), da Associação de psiquiatria americana, que é um manual equivocado e defasado. Nos Estados Unidos da América a classificação de doenças está relacionado ao seguro de vida e de saúde. Por sua vez, os problemas e doenças precisam ser classificados para saber quantas sessões são necessárias a recuperação do indivíduo para ser contabilizado. O DSM IV, neste sentido, é um cavalo de tróia que os psiquiatras venderam ao Mundo. Agora, dado a classificação o profissional rotula o indivíduo. Além disso, o DSM simplificou demais a depressão, especialmente o transtorno bipolar. A publicidade transformou “bipolar” em um termo do dia-dia. A psiquiatra embasada no DSM tem uma concepção estreita de normalidade, portanto criam novas doenças, como aquela para quem briga no trânsito. Não digo que seja normal, mas daí criarem um transtorno específico mostra aquilo que ela aceita como emoções humanas.
4) A pressão por agilidade que a competitividade capitalista imprime sobre o homem do trabalho e por conseqüência, em todas as esferas de sua vida social fez com que a sociedade estabelecesse um padrão imperativo de excelência profissional ou acadêmica. Com efeito, as pessoas desenvolveram baixa tolerância a frustração, ou seja, não conseguem lidar com o fracasso e esperam apenas uma alta performance em suas atividades.
5) A sociedade que estabelece um padrão de felicidade contínua fazendo com que as pessoas esperem ser felizes o tempo todo ou que estejam sempre de bem com a vida, tornando-se intolerantes com sentimentos amenos ou tristes. É como se a tristeza praticamente perdesse o direito de existir. E por conseqüência, as pessoas acabam se sentindo culpadas e envergonhadas na nossa sociedade quando estão tristes ou têm problemas. Proibir uma tristeza provocada por uma separação amorosa, pela perda de um ente querido, por uma decepção pessoal é eliminar um sentimento normal que deve ser vivido para que possa ser superado. Na verdade, muitas pessoas não sofrem de problemas psiquiátricos, mas apenas necessitam de apoio emocional por causa de uma intensa reação a alguma perda ou estresse em sua vida.
6) A idéia equivocada que desenvolvemos socialmente de que ninguém é normal, mas que medicamentos podem nos levar à sanidade.
7) A guinada em direção à Biomedicina e a Neuropsiquiatria ocorrida nos EUA que tentou e tenta definir ansiedade e depressão em termos puramente biológicos. É claro que há componentes biológicos: palpitação, suor das mãos, tremor, dor de cabeça etc. Todavia, deixaram de avaliar outros componentes, como por exemplo, o contexto sócio histórico que o indivíduo está inserido, trabalhar seu auto-conhecimento e se possível modificar os comportamentos inadequados e aumentar seu repertório comportamental mais adaptativo. Portanto, alguns países seguiram uma linha biomédica em que a solução passou a ser exclusivamente o remédio.
O medicamento que atua diretamente no cérebro tem servido a nossa sociedade como uma solução mágica e toda solução rápida deveria ser questionada. O que se observa é que tais medicamentos tem servido mais como corrimão ou muleta e por isso não ensinam o indivíduo a andar com as próprias pernas. Em outras palavras, não produz repertório que torne a pessoa independente. Ansiolíticos, antidepressivos, antipsicóticos etc não instalam comportamentos, ou seja, não ensina como a pessoa deve se comportar diante das adversidades, tais medicamentos apenas mudam a bioquímica do organismo, alterando seus sentimentos e emoções. Imagine, por exemplo, uma pessoa diagnosticada com fobia social, que resumidamente, é o medo exagerado de lidar com duas ou mais pessoas no âmbito interpessoal. Em decorrência disso, ela vai ao médico e é prescrito um ansiolítico, ela inicia o tratamento e vai ficando mais calma perante as pessoas, mas não aprende o repertório social de como iniciar, manter e finalizar uma conversa. Ou seja, suas conversas não serão saborosas e nem estimularão seus interlocutores a mantê-las.
Por outro lado é importante esclarecer que existem pessoas que precisam do tratamento medicamentoso e que por isso não podem jamais ficar sem tais fármacos e sem o acompanhamento médico especializado. Além disso, a psicofarmacologia desenvolveu-se muito nestes últimos anos e ajudou muitas pessoas a terem uma vida mais digna que se fosse depender apenas do tratamento psicoterápico continuariam em sofrimento. Inclusive os medicamentos podem catalizar, acelerar o processo psicoterapêutico. E ainda, os efeitos colaterais destes medicamentos precisam ser pensados nestes casos em relação ao custo benefício do fármaco o que muitas vezes faz valer apena seu uso. Com efeito, a resposta da pergunta vem apenas abrir uma discussão sobre a prescrição desenfreada de antidepressivos que ocorre atualmente nos consultórios médicos e algumas razões para isso.
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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.

Programa de televisão para falar sobre fobias

Participação do Programa de televisão Alô TVB com o apresentador Jair Duprat da Emissora TVB afiliada ao SBT para falar sobre Fobia de Avião e outras Fobias Específicas. O programa foi ao ar ao vivo no dia 06-05-2010 para Campinas e região.




Humorista do programa A praça é nossa do SBT estava presente.
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Reginaldo do Carmo Aguiar é Analista do Comportamento, psicólogo clínico e estudioso das Neurociências.