segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Tratamento comportamental - terapia comportamental para dependência ao cigarro - tabagismo - Parar de fumar - antitabagismo- anti-tabagismo - Campinas

DEPENDÊNCIA QUÍMICA:
"O uso e a necessidade, tanto física quanto psicológica, de uma substância psicoativa, apesar do conhecimento de seus efeitos prejudiciais à saúde".


"Existência de um padrão de auto-administração que, geralmente, resulta em tolerância, abstinência e comportamento compulsivo para consumir a droga”.


OMS e Associação Americana de Psiquiatria

Aspectos da dependência:
Compulsão: Forte desejo de consumir uma substância.

Tolerância: Necessidade de doses cada vez maiores da substância para alcançar efeitos inicialmente conseguidos com doses menores.

Síndrome de Abstinência: Aparecimento de sintomas desagradáveis quando se pára o uso de uma substância.


A nicotina como droga:
Propriedades psicoativas
Padrão de auto administração
Compulsão
Tolerância farmacológica
Síndrome de abstinência

Obs.: Grupo de transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substância psicoativa da CID 10ª revisão, OMS 1997- F17.1


Componentes da dependência de nicotina:
Físico, psicológico e condicionamentos.


Os fatores motivadores para parar de fumar são: dinheiro, sentimento de descontrole da vida, melhorar saúde e qualidade de vida, receio de uma doença causada pelo tabaco, dar o exemplo, aprovação familiar e social, auto-disciplina, respeitar direitos dos não fumadores e outras razões

Os fatores motivadores específicos para parar de fumar são:
Adolescentes: Mau hálito, dentes manchados, sentir-se dependente dos cigarros, dor de garganta, tosse, dispnéia que afeta os esportes, infecções respiratórias freqüentes.
Adultos assintomáticos: Há 2x mais chances de ter problemas cardíacos, 6X mais risco de desenvolver enfisema, 10X mais risco de câncer de pulmão, menor expectativa de vida, custo dos cigarros, custo de dias de trabalho perdidos, mau hálito, inconveniência social, rugas, mal cheiro. Infecções respiratórias, bronquite, faringite, insuficiência respiratória, úlceras, anginas, osteoporose, esofagite, doença gengival.
Grávidas: Maior risco de morte fetal e aborto espontâneo, maior risco de menor peso ao nascer.
Pais: Aumento de freqüência de tosse e infecções respiratórias entre filhos de fumantes.
Fumantes recentes: “É mais fácil parar agora”.
Fumantes antigos: Menor risco de doenças respiratórias e câncer se parar de fumar.
História familiar de doença cardíaca, câncer: Risco de morte aumentada pelo cigarro.
Qualquer fumante: Dinheiro poupado, sentir-se melhor, viver bem, conhecer os netos, trabalhar mais, viver com menos doenças.

Dificultadores Principais: “estresse”, ganho de peso, fissura/“cravings”, fumar automático, história de fracasso, família e co-morbidade psiquiátrica.

1) Estresse:
Fumantes acreditam que fumar ajuda a diminuir o estresse.
Ficam surpresos quando descobrem que a nicotina é um estimulante que faz o coração bater mais rápido e aumenta a pressão sangüínea.
Então, porque muitos fumantes se sentem mais calmos e relaxados quando fumam?

Por Que o cigarro relaxa?
1) Se a pessoa é uma fumante, o corpo dela está acostumado a receber uma quantidade de nicotina. Quando os níveis de nicotina ficam abaixo dessa quantidade, a pessoa se sente desconfortável. Então, quando é colocada mais nicotina no corpo, “se sente melhor” porque a nicotina voltou a ficar nos níveis necessários;
2) Todo fumante costuma fumar milhões de vezes em situações de estresse que acaba conectando este sentimento “de se sentir melhor” que a nicotina traz, com estar no controle da sua vida e de seus problemas, além do sentimento de relaxamento. Acaba por acreditar que fumar faz com que ele se sinta mais calmo e com o controle;
3) Toda vez que o tabagista fuma um cigarro, ele respira devagar e profundamente, e isso é uma forma eficiente de relaxamento. O que o fumante não sabe é que esta forma de respirar pode ajudá-lo sem o cigarro.
4) É muito importante para o fumante entender que é ele, e não o cigarro, que sempre resolve os seus problemas e obtém o relaxamento. O cigarro não paga contas, faz o trânsito andar rápido ou devagar, ou ajuda a lidar com o chefe. Além disso, não possui nenhuma substância especial para obter relaxamento.




Como lidar com o estresse:
Lembrar que o cigarro é um objeto inanimado. Ele não faz mágicas.
Achar novas maneiras de lidar com o estresse - a maneira antiga era fumar.
Reduzir o número de situações estressantes da vida.

Como reduzir o estresse na vida:
Comer de forma saudável;
Dormir o suficiente para descansar;
Fazer exercício físico, se não se exercitar, caminhar pelo menos 20 minutos;
Focalizar as boas coisas que possuir na vida;
Aceitar as coisas que não pode modificar;
Separar uma hora do dia para relaxar, usar fitas de relaxamento ou meditação;
Escrever as coisas que estão causando estresse e propor três alternativas de soluções para cada uma.

2) Barreiras – Ganho de Peso:
Barreira para cessação principalmente em mulheres.

Fator para recaída:
27% o “ganho de peso” é razão para recaída;
22% a “possibilidade de ganho de peso” é razão para recaída.

Motivo para começar a fumar
Meninas começam a fumar porque têm medo de engordar e acham que fumar emagrece.
Fumantes pesam menos que não fumantes:
Fumantes pesam de 1,1 a 6,8 kg a menos, pelo relato do US Surgeon General Report (1988).
Aumento de peso ao parar de fumar:
79% dos fumantes engordam segundo US Surgeon General Report (1990);
Ganho médio de peso - 2 a 4 quilos;
50% dos fumantes engordam menos;
10% ganham entre 11 e 13,5 kg.

Mudanças nas taxas metabólicas:
Nicotina aumenta o metabolismo.

Aumento na ingestão de alimentos:
Recuperação do paladar e olfato;
Ansiedade;
Hábito de colocar algo na boca;
Premiação.

Característica do ganho de peso:
É temporário e a maior parte ocorre nos primeiros meses.

O que fazer para não ganhar peso?
Estimular atividades físicas;
Não iniciar dietas alimentares;
Usar alimentação balanceada;
Fazer 4 refeições diárias;
Beber bastante água;
Usar opção de baixa caloria ao beliscar.

Conclusões:
Ganho de peso pode impedir a cessação;
Fumar é mais perigoso para a saúde que alguns quilos a mais;
Concentrar na cessação do tabagismo;
Dieta só quando estabilizar;
Estimule a adoção de estilos saudáveis de vida.

3) Fissura/“cravings”
Está relacionada à dependência física.
“Vontade é coisa que dá e passa!”
Evitar
Escapar
Distrair
Adiar

Fumar automático (Dependência de Hábito).
Mudanças simples na rotina para cortar o automático.
Não ter cigarro próximo.

4) História de fracasso
História de fracassos anteriores influenciam drasticamente na sensação de competência (auto-eficácia) do paciente para iniciar o processo de abstinência.
É fundamental a revisão das tentativas anteriores para que se possa criar novas estratégias.
Muitas vezes o fato do paciente se sentir um fracassado justifica a realização de um trabalho Motivacional.

5) A Família Motivador ou Dificultador?
Apoiar sem perseguir;
Fumar como forma de comunicação;
Competitividade entre casais fumantes;
Sabotagens;
Suportar o período de síndrome de abstinência.

6) Co-morbidades psiquiátricas
Depressão;
Alcoolismo;
Esquizofrenia;
Outras Drogas;
Cerca de 30% dos fumantes podem ter história de depressão e 20% ou mais podem ter história de abuso e dependência de álcool;
O fator que mais contribui para o fracasso na cessação de fumar é a associação do tabagismo com distúrbios psiquiátricos;
A prevalência de tabagismo em pacientes psiquiátricos é maior do que na população em geral;
A depressão é o distúrbio psiquiátrico mais freqüentemente associado ao tabagismo. Fiore et al.2000
A prevalência de fumantes entre alcoolistas é de 83%;
Uma vez o alcoolista tendo experimentado cigarro, existe uma chance muito grande de se tornar fumante regular;
É comprovada a associação entre fumantes pesados e bebedores pesados.
46% dos pacientes em tratamento para outras drogas querem deixar de fumar;
Poucos querem tratamentos simultâneos;
Muitos pacientes em tratamento para outras drogas consideram mais difícil deixar de fumar;
Parar de fumar pode contribuir para manter a abstinência de outras drogas.

Todo Profissional De Saúde Precisa Saber Que:
Deixar de fumar é um processo.
Leva tempo.
A média de tentativa por fumantes é de 3 a 4 vezes antes de parar definitivamente.
O tabagismo está classificado pela OMS, no grupo dos transtornos mentais e de comportamento, decorrentes do uso de substâncias psicoativas (nicotina) - CID 10.
O profissional de saúde é modelo de comportamento.

Todo Profissional De Saúde Precisa Saber Que:
Definir fumante e ex-fumante:
Fumante: fumou mais de 100 cigarros (5 maços) na vida, e fuma atualmente;
Ex-fumante: não fuma atualmente.

Diferenciar lapso de recaída:
Lapso:
episódio isolado de consumo de cigarro, sem voltar a fumar regularmente.
Recaída: retorno ao consumo regular de cigarros, mesmo em quantidades menores.

Abordagem Efetiva Do Fumante
Entender os mecanismos de dependência à nicotina;
Saber reconhecer o grau de dependência do seu paciente;
Saber reconhecer o grau de motivação do seu paciente;
Saber lidar com síndrome de abstinência, “fissura” e como prevenir recaída;
Ter argumentações convincentes para motivar os fumantes;
Saber usar apoio medicamentoso quando indicado e disponível.

Intervenção intensiva - instrumentos. Avaliação através de questionários:
– Dos hábitos tabágicos (consumo, tentativas de parar, recaídas...)
– Da motivação.
– Da dependência: teste de Fagerström.
– Da privação.
– Tipo de fumador.
– Depressão e ansiedade – teste de HAD.
– De confiança.
– Diagnóstico biológico do tabagismo.

Situações que desencadeiam desejo de fumar:
• Refeições.
• Café.
• Álcool.
• Convívio social.
• Condução.
• Stress.
• Ansiedade.
• Concentração.


TERAPIA COMPORTAMENTAL

Baseada na teoria de Pavlov e Skinner:
Uso de drogas é um comportamento aprendido.
É desencadeado e mantido por eventos e emoções específicos.
É possível de ser modificado com um Tratamento breve e focal.

Estruturado em três níveis:
–Modificação do comportamento de uso e das regras disfuncionais.
–Resolução dos problemas associados.
–Reajuste social e ambiental.

A terapia comportamental é um modelo de intervenção centrado na mudança de regras e comportamentos que levam um indivíduo a lidar com uma determinada situação.

A terapia comportamental é fundamental no tratamento, deve ser sempre utilizada com ou sem o apoio medicamentoso. Ela usa técnicas de modificação de comportamento para interromper a associações: gatilho, fissura de fumar e comportamento de consumo, reforça o não fumar, ensinar habilidades para que se evite o fumo em situações de alto risco ( não se expor as mesmas), manejo dos sintomas da síndrome de abstinência, treinamento de habilidades/prevenção de recaídas.
Usa comportamentos substitutos (exercícios) – usa habilidades de recusa, positividade–evitar incentivos associados ao tabagismo( cinzeiros,cigarros,isqueiros) – prevenir a recaída, lugar que a droga ocupa na vida do tabagista (regras) na dependência do tabaco, o indivíduo não “se submete” ao tratamento, participa do processo.

Deixar de fumar é o primeiro passo, o segundo é manter, e o que possibilita o alcance dessas metas é a mudança de comportamento

A postura do psicoterapeuta na abordagem do fumante deve envolver: empatia, respeito e acolhimento.


Apoio Medicamentoso
Objetivos:
Minimizar os sintomas da síndrome de abstinência.
Deve ser sempre utilizado com a abordagem comportamental.

Situações potenciais para utilização do apoio medicamentoso
Pacientes que fumam 20 ou mais cigarros por dia;
Pacientes que fumam o 1º cigarro até 30 minutos após acordar e fumam, no mínimo 10 cigarros por dia;
Pacientes com Teste de Fagerström igual ou maior do que “score” 5;
Pacientes que tentaram parar com abordagem comportamental, e não conseguiram devido a sintomas de abstinência insuportáveis;
Não haver contra-indicações clínicas.

Conclusões
A abordagem comportamental é o eixo do tratamento.
O apoio medicamentoso pode complementar a abordagem comportamental em casos específicos.

Referencias Bibliográficas

Tratamentos não Farmacológicos para o Tabagismo-Presman,S e col.-Rev.Psiq.Clin.32(5);267-275,2005
Consenso sobre o tratamento da dependência de nicotina Marques, A C e col Rev.Bras.Psiquiatr.vol 23(4); dez 2001. Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria.
Group behaviour therapy programmes for smoking cessation- The Cochrane Library,Issue 1,2006 (review on february 2005).
Individual behavioural therapy counselling for smoking cessation-The Cochrane Library,Issue 1,2006 (review on february 2005).

Copyright © 2007 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.

----------------------------------------------------------------------------------

Endereço e contato para atendimento clinico e palestras: ver em "Quem sou eu" na parte superior a direita da página.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Distimia, transtorno distímico

O transtorno distímico é crônico e se caracteriza pela presença de humor deprimido (ou irritável em crianças e adolescentes) durante a maior parte do dia, na maioria dos dias. É comum e afeta 3 a 5% da população geral; 30 a 50% dos pacientes em clínicas psiquiátricas gerais. A prevalência é de 8% em adolescentes jovens e de 5% em meninos e meninas, sendo mais comum em mulheres <64>Diagnóstico e Características Clínicas

O transtorno distímico é crônico e se caracteriza não por episódios, mas pela presença constante de sintomas, cuja gravidade pode variar ao longo do tempo.
A severidade dos sintomas depressivos no transtorno distímico, em geral, é menor que no transtorno depressivo maior, mas a falta de episódios delimitados é que pesa para o diagnóstico de transtorno distímico. Os pacientes com transtorno distímico freqüentemente podem ser sarcásticos, niilistas, rabugentos, exigentes e queixosos. A coexistência de transtorno distímico com outros transtornos mentais é sinal de mau prognóstico

Depressão dupla (Transtorno Distímico + Depressão maior) ocorre em até 40% dos pacientes com transtorno depressivo maior. O tratamento deve ser específico para cada uma das patologias separadamente.
Freqüentemente há alterações dos padrões de sono, de apetite, baixa auto-estima, pessimismo, perda de energia, retardo psicomotor, diminuição do impulso sexual e preocupações exageradas com relação a sua própria saúde.

Os critérios diagnósticos para Transtorno Distímico são:

A) Humor deprimido na maior parte do dia, indicado por relato subjetivo ou observado por outros por pelo menos 2 anos. Obs: Em crianças e adolescentes o humor pode ser irritável, e a duração deve ser de no mínimo um ano.
B) Presença, enquanto deprimido, de duas ou mais das seguintes características:

1.apetite diminuído ou hiperfagia
2.insônia ou hipersonia
3.baixa energia ou fadiga
4.baixa auto-estima
5.fraca concentração ou dificuldade para tomar decisões.

C) Durante o período de 2 anos (1 ano para crianças e adolescentes) de perturbação, jamais a pessoa esteve sem os sintomas do critério A e B por mais de 2 meses de cada vez.

D) Ausência de Episódio Depressivo Maior durante os primeiros 2 anos de perturbação (1 ano para crianças e adolescentes); isto é, a perturbação não é melhor explicada por transtorno depressivo maior crônico ou Transtorno Depressivo maior em Remissão Parcial.

Obs: Pode ter ocorrido um episódio depressivo Maior anterior, desde que tenha havido remissão completa (ausência de sinais e sintomas significativos por 2 meses) antes do desenvolvimento do transtorno distímico. Além disso, após os 2 anos iniciais (1 ano para crianças e adolescentes) de Transtorno Distímico, pode haver episódios sobrepostos de Transtorno Depressivo Maior e, neste caso, ambos os diagnósticos podem ser dados, quando são satisfeitos os critérios para um Episódio Depressivo Maior

E) Jamais houve um episódio Maníaco, um Episódio Misto ou um Episódio Hipomaníaco e jamais foram satisfeitos os critérios para transtorno ciclotímico.

F) A perturbação não ocorre exclusivamente durante o curso de um transtorno Psicótico Crônico, como Esquizofrenia ou Transtorno Delirante.

G) Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex.: droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (por ex.: hipotireodismo)

H) Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou comprometimento no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Especificar se:

Início Precoce: se ocorreu antes dos 21 anos

Início Tardio: se ocorreu aos 21 anos ou mais

Especificar (para 2 anos de Transtorno Distímico mais recente)

Com características atípicas.

Diagnóstico Diferencial

Uso de substâncias. Transtorno depressivo menor que difere do transtorno ciclotímico devido ao fato de os pacientes com transtorno depressivo menor terem humor eutímico entre os episódios.

Transtorno depressivo breve recorrente: difere do transtorno distímico por: seu transtorno é episódico; seus sintomas são mais graves

Curso e Prognóstico

50% dos pacientes apresentam o transtorno antes dos 25 anos com aparecimento insidioso. Os pacientes com sintomas de início precoce estão mais propensos a ter transtorno depressivo maior e transtorno bipolar I no futuro.

O prognóstico de Pacientes com Transtorno Distímico é Variável.

Tratamento

A combinação de farmacoterapia e terapia comportamental parecem ser os métodos de tratamento mais eficazes.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Kaplan, Harold I., Sadock, Benjamin J.; Grebb, Jack A. , Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e ....psiquiatria clínica, 7ª edição, Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.

Hardman, I.G., Limbird, L.E., Goodman & Gilman – As bases farmacológicas da.terapêutica, 9a ed. México: ....McGraw-Hill Companies, 1997.

Katzung, Bertram G.; Farmacologia Básica e Clínica, 6a edição, Rio de Janeiro: Editora.Guanabara Koogan, 1998.

Bennett, Claude, Plum, Fred. Cecil Tratado de Medicina Interna, 20a edição, Rio de Janeiro, Editora Guanabara .....Koogan, 1997.
Tierney, L.M., McPhee, S.J., Papadakis, M. A. Current Medical Diagnosis & Treatment, 39th ed, New York: ....McGraw-Hill Companies, 2000.

Dilsaver, S.C., Chen, Y.R., Shoiab, A.M., Swann, A.C. Phenomenology of mania: evidence.for distinct depressed, ....dysphoric and euphoric presentations. American Journal of Psychiatry, 156(3):426-430, mar. 1999.

Turvey, C.L. et al. Polarity sequence, depression, and chronicity in bipolar I disorder. Journal Nervous and Mental ....Disease, 187(3): 181-7, mar. 1999.

Schou, M. The effect of prophylatic lithium treatment on mortality and suicidal behavior: a.review for clinicians. .....Journal Affective Disorders, 50(2-3):253-9, sep.1998.

Cassidy, F et al. Signs and symptons of mania in pure and mixed episodes. Journal .Affective Disorders, 50(2-3), .....187-201, sep. 1998.

Freeman, M.P., Stoll, A.L. Mood stabilizer combinations: a review of safety and efficacy. .American Journal of ....Psychiatry, 155(1), 12-21, jan. 1998.


Copyright © 2007 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.
-----------------------------------------------------------------------------------
Endereço e contato para atendimento clinico e palestras: ver em "Quem sou eu" na parte superior a direita da página.

Depressão e transtorno bipolar

O transtorno depressivo maior e o transtorno bipolar I possuem como patologia crítica os transtornos do humor, o estado emocional interno mais constante de uma pessoa, e não do afeto, a expressão externa do conteúdo emocional atual. O humor pode ser normal, elevado ou deprimido. As pessoas normais experimentam uma ampla faixa de humores. Os transtornos do humor constituem um grupo de condições clínicas caracterizadas pela perda de senso de controle e uma experiência subjetiva de grande sofrimento. Os pacientes com humor deprimido tem perda de energia e interesse, sentimentos de culpa, dificuldades para concentrar-se, perda de apetite, e pensamentos sobre morte e suicídio. Outros sinais e sintomas incluem alterações nos níveis de atividade, capacidade cognitivas, linguagem e funções vegetativas (como sono, apetite, atividade sexual e outros ritmos biológicos). Essas mudanças quase sempre comprometem o funcionamento interpessoal, social e ocupacional.

O transtorno depressivo maior é um transtorno comum, com uma prevalência durante a vida de cerca de 15% a 25% em mulheres. O transtorno bipolar I é menos comum do que o transtorno depressivo maior, com uma prevalência de cerca de 1%. A prevalência de depressão unipolar é duas vezes maior no sexo feminino, com idade média de início de 40 anos e que não tem relações interpessoais íntimas, são divorciadas ou separadas.
A base causal é desconhecida. Os fatores causais podem ser divididos em fatores biológicos, genéticos e psicossociais.

- Fatores Biológicos: um grande número de estudos relata várias anormalidades nos metabólitos das aminas biogênicas, como a noradrenalina que sugere uma regulagem para baixo dos receptores b
-adrenérgicos e receptores pré-sinápticos a 2-adrenérgicos, levando uma diminuição da quantidade de noradrenalina liberada. Outra amina biogênica relacionada é a serotonina, sendo que as evidências são que sua depleção pode precipitar a depressão e o fato de que os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e outros antidepressivos serotonérgicos foram eficazes no seu tratamento. A dopamina também estaria associada à fisiopatologia da depressão sendo que estaria diminuída na depressão e aumentada na mania.
- Fatores Genéticos: os dados genéticos indicam fortemente que a genética é um fator significativo no desenvolvimento de um transtorno de humor. O componente é mais forte para a transmissão do transtorno bipolar I do que para a transmissão do transtorno depressivo maior.
- Fatores Psicossociais: uma observação clínica relatada é que acontecimentos vitais estressantes precedem os primeiros episódios do humor. Outra associação ocorre entre o funcionamento da família e o início do curso dos transtornos do humor.

Diagnóstico

O diagnóstico do Transtorno Depressivo Maior é feito a partir da análise de critérios para um episódiodepressivo maior à parte dos critérios para diagnósticos relacionados à depressão. Os critérios são:

A) Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de 2 semanas e representam uma mudança no funcionamento anterior; pelo menos, um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda do interesse ou prazer:

1.humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjetivo (por ex., sente-se triste ou vazio) ou observações por outros (por ex., parece prestes a chorar). Obs: em crianças e adolescentes pode ser humor irritável
2.interesse ou prazer acentuadamente diminuídos por todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias
3.perda ou ganho significativo de peso quando não está realizando dieta ou diminuição ou aumento no apetite quase todos os dias
4.insônia ou hipersonia quase todos os dias
5.agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias
6.fadiga ou perda de energia quase todos os dias
7.sensação de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os dias
8.capacidade diminuída para pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias
9.pensamentos recorrentes sobre morte (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, ou uma tentativa de suicídio ou um plano específico para cometê-lo.

B) Os sintomas não satisfazem os critérios para um Episódio Misto.

C) Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou comprometimento no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

D) Os sintomas não são devido aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou uma condição médica geral.

E) Os sintomas não são melhor explicados por Luto, isto é, após perda de alguém amado, persistem por mais de 2 meses ou são caracterizados por acentuado comprometimento funcional, preocupação mórbida com inutilidade, ideação suicida, sintomas psicóticos ou retardo psicomotor.

Os critérios para especificar a gravidade e remissão para o Episódio Depressivo Maior são:

Leve: poucos sintomas em excesso daqueles exigidos para o diagnóstico e eles resultam, apenas, em pequeno comprometimento no funcionamento ocupacional, de atividades sociais habituais ou relacionamentos com outros.
Moderada: sintomas de comprometimento funcional entre "leves" e "severos".
Severo com aspectos psicóticos: delírios ou alucinações. Aspectos psicóticos congruentes como humor: delírios ou alucinações cujo conteúdo é inteiramente consistente com os temas depressivos
típicos de inadequação pessoal, culpa, doença, morte, niilismo ou punição merecida. Aspectos psicóticos incongruentes com o humor: delírios ou alucinações cujo conteúdo não envolve temas depressivos típicos de inadequação pessoal, culpa, doença, morte, niilismo ou punição merecida. Estão incluídos sintomas como delírios persecutórios, inserção de pensamentos, irradiação de pensamentos e delírios de controle.
Em remissão parcial: sintomas de um Episódio Depressivo Maior estão presentes, mas não são satisfeitos todos os critérios ou existe um período sem quaisquer sintomas significativos de um Episódio Depressivo Maior durando menos que 2 meses após o término de um Episódio Depressivo Maior.
Em remissão plena: durando os últimos 2 meses, ausência de sinais ou sintomas significativos da perturbação que estiveram presentes.

No Transtorno Bipolar, os critérios para o Episódio Maníaco são:

A) Um período distinto do humor expansivo anormal e persistentemente elevado ou irritável, durando pelo menos, uma semana.

B) Durante o período de perturbação do humor, 3 ou mais dos seguintes sintomas persistiram e estiveram presentes em um grau significativo:

1.auto-estima inflada ou grandiosidade
2.necessidade diminuída de sono
3.mais falante do que o habitual ou pressão para continuar falando
4.fuga de idéias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão correndo
5.distração
6.aumento na atividade dirigida ao objetivo ou agitação psicomotora
7.envolvimento excessivo com atividades agradáveis com um alto potencial para conseqüências dolorosas.

C) Os sintomas não satisfazem os critérios para Episódio Misto.

D) A perturbação do humor é suficientemente severa para causar comprometimento acentuado no funcionamento ocupacional ou nas atividades sociais ou relacionamentos costumeiros com outros, ou para exigir a hospitalização, como um meio de evitar danos a si mesmo e a outros, ou existem aspectos psicóticos.

E) Os sintomas não são devido ao efeito fisiológico direto de uma substância ou uma condição médica.

Características Trans-Seccionais dos Sintomas

O DSM–IV define três características sintomáticas adicionais que podem ser usadas na descrição dos pacientes com transtorno do Humor. Limitadas a descrição de episódios psicóticos: (características melancólicas e características atípicas). A características catatônica pode ser aplicada a episódios depressivos e a maníacos

A importância potencial da identificação de características melancólicas em episódios depressivos maiores consiste em identificar um grupo de pacientes que respondem melhor ao tratamento farmacoterápico que os que não tem características melancólicas. Os critérios são especificar se:

Com características melancólicas (pode ser aplicado ao episódio depressivo maior atual ou mais recente no transtorno Bipolar I ou Transtorno Bipolar II, apenas se este é o tipo mais recente de episódio do humor.

A) Qualquer um dos seguintes, ocorrendo durante um período mais severo do episódio atual.

1.perda do prazer por todas ou quase todas as atividades
2.falta de reatividade a estímulos habitualmente agradáveis (não sente muito melhor, mesmo temporariamente, quando algo de bom acontece)

B)Três ou mais dos seguintes

1.qualidade distinta do humor depressivo (isto se, o humor depressivo é experienciado como distintamente diferente da espécie de sensação experienciada após a morte de alguém amado)
2.depressão piora regularmente pela manhã
3.despertar nas primeiras horas da manhã (pelo menos 2 horas antes do horário normal de despertar)
4.acentuado retardo ou agitação psicomotora
5.anorexia ou perda de peso significativas
6.culpa excessiva ou inapropriada

A principal implicação para o tratamento das características atípicas é a de que os pacientes estão mais propensos a responderem a inibidores da monoaminoxidase do que a drogas tricíclicas. O assunto ainda é tema de controvérsias. Os critérios são especificar se:

Com características atípicas: (pode ser aplicado quando essas características predominam durante as 2 semanas mais recentes de um Episódio Depressivo Maior no transtorno Depressivo Maior ou no Transtorno bipolar I ou Transtorno Bipolar II, quando o episódio Depressivo maior é o tipo mais recente de episódio do humor, ou quando essas características predominam durante 2 anos mais recentes do Transtorno Distímico).

A) Reatividade do Humor ( isto é, o humor melhora em resposta a eventos positivos reais ou potenciais)

B) Dois (ou mais) dos seguintes aspectos:
1.ganho significativo de peso ou aumento do apetite
2.hipersonia
3.paralisia "como chumbo"( isto é, sensações de peso , "como chumbo" nos braços e nas pernas)
4.padrão duradouro de sensibilidade a rejeição interpessoal (não limitado a episódios de perturbação do humor) que resulta em comprometimento social ou ocupacional significativo

C) Não são satisfeitos os critérios para Com Aspectos Melancólicos ou Com Características Catatônicas durante o mesmo episódio.

Os sintomas principais da catatonia, podem ser vistos na esquizofrenia tanto catatônica quanto não catatônica, transtorno depressivo maior (freqüentemente com aspectos psicóticos e transtornos neurológicos). São, no entanto, mais freqüentes no transtorno Bipolar I.
A inclusão de um tipo catatônico específico dos transtorno do humor ajuda a equilibrar a diferença de um tipo catatônico de esquizofrenia. A presença de características catatônicas também se mostrará importante no diagnóstico e tratamento. Os critérios para especificar características catatônicas são:

Com características catatônicas (pode ser aplicado ao episódio depressivo maior, episódio maníaco ou Episódio Misto Atual, ou mais recente, no Transtorno Depressivo Maior, Transtorno Bipolar I ou Transtorno Bipolar II.

O quadro clínico é dominado, por pelo menos, dois dos seguintes:

1.Imobilidade motora evidenciada por catalepsia (incluindo flexibilidade cérea) ou estupor
2.Atividade motora excessiva (aparentemente sem objetivo e não influenciada por estímulos externos)
3.Negativismo extremo (uma resistência aparentemente imotivada a todas as instruções ou
manutenção de uma postura rígida contra tentativas para ser motivado) ou mutismo
4.Peculiaridades do movimento voluntário, evidenciadas por posturas (adoção voluntária de posturas bizarras ou inapropriadas), movimentos estereotipados, maneirismos proeminentes
5.Ecolalia ou ecopraxia.

O DSM-IV inclui critérios distintos para três especificadores de curso dos transtornos do Humor.

Ciclagem rápida: pelo menos quatro episódios dentro do período de 12 meses

Padrão sazonal: Os pacientes com um padrão sazonal em seus transtornos do humor tendem a experimentar episódios depressivos durante alguns períodos do ano, mais habitualmente no inverno

Início no Pós-Parto: Se o início dos sintomas ocorre dentro de quatro semanas do pós parto.

Características Clínicas

Episódios Depressivos (Características que se somam aos critérios do DSM-IV)

Humor deprimido e perda de interesse ou prazer são os sintomas básicos da depressão. Freqüentemente descrevem o sintoma de depressão como sendo uma dor emocional lancinante. Cerca de 2/3 dos pacientes deprimidos pensam em suicídio e 10-15% cometem suicídio. Quase todos os pacientes deprimidos quixam-se de uma diminuição da energia que resulta em dificuldades para terminar tarefas, ir a escola e tem motivação diminuída para assumir novos projetos. 80% queixam-se de problemas para dormir. Muitos tem perda de apetite e perda de peso, mas o inverso pode se dar. A ansiedade atinge até 90% dos deprimidos. O paciente tem um elevado insight com relação à doença e maximizam os sintomas. Toda informação que o paciente depressivo informa, enfatiza excessivamente o lado ruim e menospreza o lado bom. A depressão é mais comum em idosos que na popula&c cedil;ão geral.
Episódios Maníacos (Características que se somam às dos critérios do DSM-IV para episódio maníaco)
Um humor elevado e expansivo é o marco característico de um episódio maníaco. O humor elevado é eufórico e freqüentemente contagiante . Há baixa tolerância à frustração. Jogo patológico com tendência para despir-se em locais públicos, bijuterias e roupas em cores berrantes em combinações incomuns e desatenção a pequenos detalhes são também característicos. Os pacientes em episódios Maníacos em 75% dos casos são agressivos ou ameaçadores. Apresentam julgamento em relação às suas ações diminuído e insight diminuído em relação à doença. Não são confiáveis em suas afirmações.

Diagnóstico Diferencial:

a.Transtorno Depressivo Maior: Diferenciá-lo de transtornos médicos (Ex.: uso de medicamentos); Condições Neurológicas (Doença de Parkinson), Doenças causadoras de Demência; doença cérebro-vasculares e epilepsia.; Luto sem Complicações ( não é considerado um transtorno mental,embora cerca de 1/3 de todos os cônjuges enlutados possam reunir os critérios diagnósticos para transtorno Depressivo Maior em determinado momento.
b.Transtorno Bipolar I: Diferenciá-lo de: Condições médicas (por exemplo: uso de antidepressivos, outros medicamentos); quando o paciente se apresenta em episódio de mania o diagnóstico diferencial inclui transtorno bipolar II, transtorno ciclotímico, transtorno do humor devido a uma condição médica geral; transtornos da personalidade boderline, narcisista, histriônica e anti-social; Esquizofrenia.

Curso e Prognóstico

a.Transtorno Depressivo Maior

Início: Cerca de 50% dos pacientes têm sintomas depressivos significativos antes de ser
identificado o primeiro episódio de transtorno depressivo maior. 50% dos episódios ocorrem antes do 40 anos de idade

Duração: Episódio depressivo não tratado: Dura de 6 a 13 meses; Tratado: dura cerca de 3 meses. O número médio de episódios depressivos ao longo de um período de 20 anos é cinco ou seis.

Desenvolvimento de Episódios Maníacos: 5 a 10% dos pacientes com um diagnóstico inicial de transtorno depressivo maior têm um episódio maníaco dentro de 6 a 10 anos após o primeiro episódio depressivo. Isso em geral se dá aos 32 anos após o paciente já ter tido 4 episódios depressivos.

Prognóstico

O transtorno depressivo não é um transtorno benigno. Ele tende a ser crônico e com recaídas.
Indicadores de bom prognóstico: Episódios leves, ausência de sintomas psicóticos e uma curta estada hospitalar, dentre outros
Indicadores de mau prognóstico: Coexistência de transtorno distímico, abuso de álcool, sintomas de transtorno da ansiedade, e história de mais de uma hospitalização por episódio anterior de depressão.

b.Transtorno Bipolar I

Geralmente inicia-se pela depressão e é um transtorno recorrente. Os episódios maníacos típicos tem um início rápido, mas podem evoluir ao longo de algumas semanas. Um episódio maníaco dura três meses em tratamento, e a medicação não deve ser suspensa antes que decorra este período.

O transtorno Bipolar I pode afetar tanto crianças jovens quanto idoso.

Prognóstico

Prognóstico pior do que os pacientes com transtorno depressivo maior.
Sinais de bom prognóstico: Duração curta dos episódio maníacos, início tardio, poucos pensamento suicidas e poucos problemas médicos ou psiquiátricos coexistentes pesam par um bom prognóstico.
Indicadores de mau prognóstico: Fraco estado ocupacional pré-mórbido, dependência de álcool, aspectos psicóticos, características depressivas entre os episódios depressivos e sexo masculino.

Tratamento:

O tratamento dos transtornos do humor deve ser dirigido para vários objetivos, como garantir a segurança do paciente, garantir uma completa avaliação diagnóstica e ter um plano de tratamento que aborde não apenas os sintomas imediatos, mas também o bem-estar futuro do paciente.

A maioria dos estudos indicam que a combinação da psicoterapia comportamental e da farmacoterapia é o tratamento mais efetivo para o transtorno depressivo maior.

Terapia Comportamental baseada em regras do indivíduo. Focaliza as distorções cognitivas supostamente presentes no transtorno depressivo maior. Os principais objetivos são oferecer alívio sintomático por alteração dos pensamentos-alvo, identificar regras autodestrutivas, modificar suposições errôneas específicas e promover autocontrole sobre padrões de pensamento relacionados a regras construídas ao decorrer de sua história. A maioria dos estudos descobriu que a terapia comportamental tem eficácia igual à da farmacoterapia, está associada com menos efeitos colaterais e com melhor seguimento que a farmacoterapia.

Terapia comportamental baseada no Treinamento de habilidades sociais e no reforçamento positivo. Procura oferecer alívio sintomático pela solução de problemas interpessoais atuais; reduzir estresse envolvendo família ou trabalho; melhorar habilidades de comunicação interpessoal. Este tratamento baseia-se na hipótese de que padrões comportamentais mal-adaptativos resultam no recebimento de pouco feedback positivo da sociedade, talvez, até mesmo de uma rejeição franca. Abordando os comportamentos mal-adaptativos na terapia, os pacientes aprendem a funcionar no mundo de modo a receberem reforço positivo.

Copyright © 2007 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.


-----------------------------------------------------------------------------------
Endereço e contato para atendimento clinico e palestras: ver em "Quem sou eu" na parte superior a direita da página.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Terapia de casal. Psicoterapia de casal.


Para acessar este site clique em: http://www.comportamentosaudavel.com.br/
1) “Nós dizemos que o começo é
sempre sempre inesquecível...
mas no entanto meu amor,
que coisa incrível...
esqueci nosso começo
inesquecível....” - (João Bosco / Aldir Blanc)


2) "De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente." - (Soneto da Separação - Vinícius de Moraes)

3) A beleza do início e a tristeza do fim - "O começo...vida, doçura, esperança nossa... tempos depois...gemendo e chorando neste vale de lágrimas..."

4) A terapia comportamental de casal - A terapia de casal é uma das áreas de atuação mais desenvolvidas nas últimas décadas. A incidência de procura na clínica comportamental é muito alta. Além disso, a terapia comportamental acredita que cada casal é único e tem sua história específica de relacionamento e portanto sua psicoterapia requer objetivos e estratégias próprias.

5) Por que terapia de casal? - Porque as pessoas tem histórias de vida diferentes. Há algumas variáveis que determinam o comportamento de cada parte do casal. Entre elas: sexo, famílias, profissões, expectativas, religiões, valores éticos, posições políticas, objetivos de vida e escolhas. A história de duas pessoas diferentes, por exemplo, que decidem viver juntas  e "até que a morte os separe". Isso acaba se tornando um tempo muito longo e além disso não são consideradas as mudanças no relacionamento.A terapia de casal pode ajudar no sentido de melhorar a comunicação entre o casal, analisar a história de vida da pessoa e do casal e entender determinadas imcompatibilidades ou procurar adapta-las.

6) Os três tipos comuns de contrato de relacionamento:
a) O contrato explícito - consciente e verbalizado, explícito - que envolve morar numa mesma casa, amor para sempre, fidelidade, filhos, tipo de educação para os filhos, relacionamento com a família de origem, trabalho e sustento, como gastar o dinheiro etc.
b) O contrato implícito: consciente e não verbalizado, implícito - que envolve todas as expectativas que a pessoa tem para com o parceiro e/ou para com a relação e que não são verbalizadas para o outro e, muitas vezes, nem para si próprio.
c) O contrato inconsciente: inconsciente e portanto não verbalizado - que envolve o não ter discriminação “do que” e "porque” e portanto não verbalizado.

7) Expectativas e realidade - Aprendemos durante a juventude as seguintes regras ou crenças sobre casamento:"... e viveram felizes para sempre..."; "Vamos envelhecer juntos apaixonados como agora..."; "Ele nunca vai me decepcionar..."; "Ela sempre será a mulher dos meus sonhos..."; "Ele (ou ela) vão suprir todas as minhas necessidades na vida...". Neste sentido, antes do casamento ocorrem expectativas, sonhos, projetos de vida, boas intenções e promessas. Todavia, o casamento não é feito só de amor, abraços e beijos apaixonados. O casamento envolve o cotidiano, contas a pagar, frustrações, decisões e problemas a resolver. Em outros termos, como a vida não é um conto de fadas, nunca é perfeito, maravilhoso ou ótimo.

8) Por que ocorrem mudanças no relacionamento amoroso? - As pessoas mudam, as características de cada fase mudam, as “exigências” pessoais mudam e a vida como um todo muda.

9) Então quais são as causas das brigas e dificuldades dos relacionamentos? - Diferentes histórias de vida somado ao contrato implícito mais as dificuldades de comunicação, mais as dificuldades de tomar e implementar decisões produz um desencantamento, ou atritos e polarizações.

10) Objetivamente, o que a terapia comportamental de casais visa?
a) Enfatizar a mudança comportamental.
b) Aumentar interações positivas e diminuir negativas.
c) Ensinar estratégias para solucionar problemas.
d) Modificar espectativas irreais.
e) Corrigir as atribuições de culpa.
f) Identificar esquemas de reforçamento.
g) Identificar classes de resposta.
h) Treino de comunicação ou de habilidades sociais.
i) Propor tarefas ou atividades para serem realizadas na situação natural.
j) Treinar discriminação e generalização.
k). Identificar em sua história de vida aspectos importantes que determinaram conjuntos de regras ou valores, escolhas e padrões de comportamentos funcionais e/ou disfuncionais.
l). Identificar sentimentos e emoções envolvidos em comportamentos usualmente emitidos.
m) Identificar padrões de comunicação estabelecidos entre o casal e treinar novas formas.
n) Identificar formas de tomada de decisões e treinar novas formas.

11) Informações adicionais - É importante salientar que muitos casais vem ao consultório em busca de técnicas para a melhora do seu relacionamento, no entanto, é sempre importante deixar claro que há variáveis ligadas à história de vida pessoal que produzem comportamentos adequados e inadequados que precisam ser identificados primeiramente. Além disso, cada casal e pessoa são únicos, tem suas próprias histórias de de vida e de relacionamentos e, portanto a terapia requer objetivos e estratégias próprias. Neste sentido a investigação da história de vida dos indivíduos nos fornece informações e dados que a através de uma conceituação e leis comportamentais fornecerá uma análise do comportamento (análises funcionais e topográficas). O que vai ajudar a considerar os contextos mais amplos, as especificidades de cada pessoa e da dupla de parceiros e a comunicação. E com isso facilitar um procedimento de intervenção mais adequado.
É importante também dizer que os "sinais dos tempos" faz com que o terapeuta comportamental tenha que se adapatar as novas demandas de casais. Os novos parceiros estão convivendo com ‘novas realidades’ sociais, econômicas e culturais. O ‘espaço e o tempo’ que cada parceiro dedica para o casal são indicativos de valores e prioridades. Os novos “papéis” da mulher no que diz respeito a profissionalização, independência econômica, desempenho de funções semelhantes e ‘novas’ exigências e expectativas pessoais e mútuas. A terapia de casal hoje trabalha com novos contextos de vida, novas parcerias, novas idades para a busca de ajuda e a ampliação de temas. Neste sentido a questão primordial da terapia de casais hoje não é mais metodológica, mas sim ideológica. Hoje a terapia precisa lidar com os recasamentos, com os casais homossexuais, diferenças “culturais”, romances virtuais, separação, aposentadoria, as revoluções biológicas (a inseminação artificial, por exemplo). Portanto a terapia comportamental de casais precisa considerar os sinais dos tempos o que significa ficar sob controle de cada época; as transições de costumes, práticas e realidades sociais de cada momento.



Copyright © 2007 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.

-----------------------------------------------------------------------------------
Endereço e contato para atendimento clinico e palestras: ver em "Quem sou eu" na parte superior a direita da página.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Transtorno Obsessivo-Compulsivo

Breve introdução sobre o TOC
Preocupar-se excessivamente com limpeza, lavar as mãos a todo o momento, revisar diversas vezes portas, janelas ou o gás antes de deitar, não usar roupas vermelhas ou pretas, não passar em certos lugares com receio de que algo ruim possa acontecer depois, ficar aflito caso os objetos sobre a mesa não estejam dispostos de uma determinada maneira... Esses são alguns exemplos de ações popularmente consideradas “manias” e que, na verdade, são sintomas de um transtorno: o transtorno obsessivo-compulsivo, ou TOC. Considerado raro até a pouco tempo, o TOC é um transtorno mental bastante comum, acometendo aproximadamente um em cada 40 ou 50 indivíduos. No Brasil, é provável que existam entre 3 e 4 milhões de portadores. Muitas dessas pessoas, embora tenham suas vidas gravemente comprometidas pelos sintomas, nunca foram diagnosticadas e tampouco tratadas. Talvez a maioria desconheça o fato de esses sintomas constituírem uma doença para a qual já existem tratamentos bastante eficazes. O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é atualmente classificado como um transtorno de ansiedade pela quarta edição do DSM-IV, e como um transtorno neurótico pelo CID-10. O DSM-IV pauta assim pelos seus critérios sobre o diagnóstico do TOC: a principal característica do transtorno são obsessões e/ou compulsões suficientemente graves para causar repercussão psiquiátrica marcante, consumo considerável de tempo (mais de uma hora por dia) e/ou interferências significativa na rotina habitual do individuo, em suas atividades sociais e interpessoais. Em algum ponto durante o curso do transtorno, a pessoa reconhece que suas obsessões ou compulsões são excessivas e irracionais.
Para fins diagnósticos, o conteúdo especifico das obsessões não pode estar relacionado a outros transtornos psiquiátricos, como pensamentos relacionados a comida ou ruminações de culpa associadas a quadros de depressão.
Há criança tem TOC?
Os critérios diagnósticos para o TOC no inicio da infância são os mesmos, com exceção de que o reconhecimento por parte do individuo de que suas obsessões e/ou compulsões sejam excessivas e/ou pouco razoáveis não é necessário para o diagnostico de TOC em crianças.
O que são obsessões e compulsões?
Podemos definir as obsessões como idéias, pensamentos, imagens ou ações que invadem a mente de forma repetitiva e persistente e aumentam a ansiedade ou o desconforto, e as compulsões como idéias, imagens ou ações que reduzem a ansiedade pela esquiva ou neutralização daqueles eventos.
As obsessões podem ainda ser imagens, palavras, frases, números, músicas, etc. Sentidas como estranhas ou impróprias, as obsessões geralmente são acompanhadas de medo, angústia, culpa ou desprazer. O indivíduo, no caso do TOC, mesmo desejando ou se esforçando, não consegue afastá-las ou suprimi-las de sua mente. Apesar de serem consideradas absurdas ou ilógicas, causam medo, aflição ou desconforto que a pessoa tenta neutralizar realizando rituais ou compulsões, ou através de evitações (não tocar, evitar certos lugares).
Quais são as obsessões mais comuns?
As obsessões mais comuns envolvem:
• Preocupação excessiva com sujeira, contaminação.
• Dúvidas.
• Preocupação com simetria, exatidão, ordem ou alinhamento.
• Pensamentos, imagens ou impulsos de ferir, insultar ou agredir outras pessoas.
•Pensamentos, cenas ou impulsos indesejáveis e impróprios, relacionados a sexo (comportamento sexual violento, abusar sexualmente de crianças, homossexualidade, falar obscenidades).
• Armazenar, poupar, guardar coisas inúteis ou economizar.
• Preocupações com doenças ou com o corpo.
• Religião (pecado, culpa, escrúpulos, sacrilégios ou blasfêmias).
• Conteúdo mágico: preocupação com números especiais, cores de roupa, datas e horários (podem provocar desgraças).
• Palavras, nomes, cenas ou músicas intrusivas e indesejáveis.
As Compulsões ou rituais são comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos, executados em resposta a obsessões, ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente. Os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar objetos sem utilidade, repetir perguntas, etc. As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade a ansiedade associada às obsessões, levando o indivíduo a executá-las toda vez que sua mente é invadida por um pensamento obsessivo. Por esse motivo se diz que as compulsões têm uma relação funcional (de aliviar a aflição) com as obsessões. E, como são bem sucedidas, o indivíduo é tentado a repeti-las, em vez de enfrentar seus medos, o que acaba por perpetuá-los, tornando-se ao mesmo tempo prisioneiro dos seus rituais.Nem sempre as compulsões têm uma conexão realística com o que desejam prevenir (p ex., alinhar os chinelos ao lado da cama antes de deitar para que não aconteça algo de ruim no dia seguinte; dar três batidas em uma pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça). Nesse caso, os rituais são chamados de mágicos.Os dois termos (compulsões e rituais) são utilizados praticamente como sinônimos, embora o termo “ritual” possa gerar alguma confusão, na medida em que praticamente todas as religiões adotam comportamentos repetitivos (rituais) e contagens nas suas práticas: ajoelhar-se três vezes, rezar seis ave-marias, ladainhas, rezar 3 ou 5 vezes ao dia. Existem rituais para batizados, casamentos, funerais, etc. Além disso, certos costumes culturais, como a cerimônia do chá entre os japoneses, o cachimbo da paz entre os índios, ou um funeral com honras militares, envolvem ritos que lembram as compulsões do TOC. Por esse motivo, há certa preferência para o termo “compulsão” quando se fala em TOC.
Quais são as compulsões mais comuns?
As compulsões mais comuns são:
• De lavagem ou limpeza.
• Rerificações ou controle.
• Repetições ou confirmações.
• Contagens.
• Ordem, simetria, seqüência ou alinhamento• Acumular, guardar ou colecionar coisas inúteis.
• Compulsões mentais: rezar, repetir palavras, frases, números.
• Diversas: tocar, olhar, bater de leve, confessarCompulsões MentaisAlgumas compulsões não são percebidas pelas demais pessoas, pois são realizadas mentalmente e não mediante comportamentos motores, observáveis. Elas têm a mesma finalidade: reduzir a aflição associada a um pensamento. Alguns exemplos:
• Repetir palavras especiais ou frases
• Rezar
• Relembrar cenas ou imagens.
• Contar ou repetir números.
• Fazer listas.
• Marcar datas.
• Tentar afastar pensamentos indesejáveis, substituindo-os por pensamentos contrários.
Então o que é o TOC?
O TOC é um transtorno mental incluído pela classificação da Associação Psiquiátrica Americana entre os chamados transtornos de ansiedade. Está classificado ao lado das fobias (medo de lugares fechados, elevadores, pequenos animais – como ratos ou insetos, de alturas), da fobia social (medo de expor-se em público ou diante de outras pessoas), do transtorno de pânico (ataques súbitos de ansiedade e medo de freqüentar os lugares onde ocorreram os ataques, como lugares fechados, aglomerações de pessoas), etc. Os sintomas do TOC envolvem alterações do comportamento (rituais ou compulsões, repetições, evitações), dos pensamentos (dúvidas, preocupações excessivas, pensamentos de conteúdo impróprio ou “ruim”, obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão). Sua característica principal, como já comentamos, é a presença de obsessões e/ ou compulsões ou rituais. Além disso, os portadores do TOC sofrem de muitos medos (de contrair doenças, cometer falhas, ser responsáveis por acidentes). Em razão desses medos, evitam as situações que possam provocá-los. As evitações, embora não específicas do TOC, são, em grande parte, as responsáveis pelas limitações que o transtorno acarreta. Esses são os sintomas-chave do TOC. É importante que você aprenda a identificá-los (objetivo principal desse capítulo), pois, para vencer o transtorno, o primeiro passo é ser capaz de reconhecer todas as suas manifestações.
Vejamos, então, o que são obsessões, compulsões ou rituais, que são os sintomas que caracterizam o TOC.
Avalie a possibilidade de você ser ou não um portador do TOC• Preocupo-me demais com sujeira, germes, contaminação, pó ou doenças.
• Lavo as mãos a todo o momento ou de forma exagerada.
• Limpo ou lavo demasiadamente o piso, móveis, roupas ou objetos.
• Tomo vários banhos por dia ou demoro demasiadamente no banho.
• Não toco em certos objetos (corrimãos, trincos de portas, dinheiro, etc.) sem lavar as mãos depois.
• Evito certos lugares (banheiros públicos, hospitais, cemitérios) por considerá-los pouco limpos ou achar
que posso contrair doenças.
• Verifico portas e janelas mais do que o necessário;
• Verifico repetidamente o gás, o fogão, as torneiras e os interruptores de luz após desligá-los
• Minha mente é invadida por pensamentos desagradáveis e impróprios, que me causam aflição e que nem sempre consigo afastá-los.
• Tenho sempre muitas dúvidas, repetindo várias vezes a mesma tarefa ou pergunta para ter certeza de que não vou errar
• Preocupo-me demais com a ordem, o alinhamento ou simetria das coisas, e fico aflito(a) quando estão fora do lugar.
• Necessito fazer coisas de forma repetida e sem sentido (tocar, repetir certos números, palavras ou frases).
• Sou muito supersticioso com números, cores, datas ou lugares.
• Necessito contar enquanto estou fazendo coisas.
• Guardo coisas inúteis (jornais velhos, caixas vazias, sapatos ou roupas velhas) e tenho muita dificuldade em desfazer-me delas.
Caso tenha respondido positivamente a uma ou mais dessas afirmativas, é provável que você seja portador do TOC. Para o diagnóstico definitivo, os sintomas devem causar desconforto ou interferir de forma significativa nas suas rotinas, no seu desempenho profissional, ou nas suas relações sociais e ocupar pelo menos uma hora por dia do seu tempo. Em caso positivo ou se tiver dúvidas, discuta com seu médico.
Por que o TOC é problemático?
O TOC é considerado uma doença mental grave por vários motivos: está entre as dez maiores causas de incapacitação, de acordo com a Organização Mundial de Saúde; acomete preferentemente indivíduos jovens ao final da adolescência – e muitas vezes começa ainda na infância, sendo raro seu início depois dos 40 anos; seu curso geralmente é crônico, e se não tratado, se mantém por toda a vida O mais comum é que ocorram flutuações na intensidade dos sintomas ao longo da vida, raramente desaparecendo por completo. Em aproximadamente 10% dos casos, tendem a um agravamento progressivo, podendo incapacitar os portadores para o trabalho e acarretar sérias limitações à convivência com as outras pessoas, além de submetê-los a um grande e permanente sofrimento.
É muito comum que, na mesma família, várias pessoas sejam acometidas. Sabe-se que, por exemplo, diante de algum caso de TOC na família, a chance de existir outro aumenta em quatro a cinco vezes. Essa incidência aponta para um componente familiar e possivelmente genético dentre as suas diversas causas.
Os sintomas do TOC interferem de forma acentuada na vida da família. A doença altera rotinas, exige que a família se acomode aos sintomas. É comum a restrição ao uso de sofás, camas, roupas, toalhas, louças e talheres, bem como ao acesso a determinados locais da casa. Outros problemas típicos são a demora no banheiro e as lavagens excessivas das mãos, das roupas e do piso da casa. Os portadores do TOC normalmente obrigam os demais membros da família a fazerem o mesmo, mas os medos exagerados, os cuidados excessivos e as exigências nem sempre são compreendidos ou tolerados pelos demais. De modo geral, essa diferença provoca discussões, atritos, exigências irritadas no sentido de não interromper os rituais ou de participar deles, dificuldades para sair de casa e atrasos que comprometem o lazer e as rotinas. Não raramente, as atitudes e dificuldades de relacionamento provocam a separação de casais ou a demissão de empregos.
Quais as causas do TOC?
A ciência tem conseguido esclarecer vários fatos em relação ao TOC embora não consiga ainda esclarecer suas verdadeiras causas. Provavelmente concorrem vários fatores para o seu aparecimento: de natureza biológica envolvendo aspectos genéticos, neuroquímica cerebral, lesões ou infecções cerebrais; fatores psicológicos como a aprendizagem; certas formas errôneas de ver e interpretar a realidade próprias dos portadores do TOC, e até culturais.
Na medida em que as pesquisas avançam tem ficado mais evidente a importância dos fatores de natureza biológica. As evidências neste sentido são o fato de o TOC ocorrer após traumatismos, lesões ou infecções cerebrais; ser muito comum que numa mesma família existam vários indivíduos acometidos sugerindo uma predisposição genética. Além destes fatos foi sobretudo importante a descoberta de que determinados medicamentos que estimulam de alguma forma a assim chamada função serotonérgica cerebral reduzem os sintomas de TOC. Este último fato nos faz pensar que possa existir um distúrbio neuroquímico do cérebro envolvendo o funcionamento das vias nervosas que utilizam a serotonina (substância que existe naturalmente no cérebro) para transmitir seus impulsos.
Observou-se ainda que certas zonas cerebrais são hiperativas em portadores de TOC, isto é, funcionam mais do que em indivíduos normais (na parte frontal - região periorbital, em regiões mais profundas do cérebro - gânglios ou núcleos da base). Esta hiperatividade tende a se normalizar tanto com o tratamento farmacológico bem como com a terapia cognitivo-comportamental. Como se vê, são evidências, embora muito genéricas, para a hipótese de que existe algum tipo de disfunção neuroquímica no funcionamento cerebral.
Existem, entretanto, fatos que a pesquisa não conseguiu esclarecer: a resposta de muitos pacientes aos medicamentos inibidores da recaptação da serotonina é parcial ou muitas vezes nula, e se desconhece o motivo. Além disso ocorrem obsessões e compulsões em doenças neurológicas como encefalites, associadas a tiques - no assim chamado Transtorno de Gilles de la Tourette, à febre reumática ou mesmo a outras doenças nervosas ou psiquiátricas. São fatos cujo esclarecimento continua desafiando os cientistas do mundo inteiro.
Sabe-se ainda que fatores de natureza psicológica influem no surgimento, na manutenção e no agravamento dos sintomas de TOC. É bastante comum que os sintomas surjam depois de algum estresse psicológico; conflitos psíquicos agravam os sintomas, e tem cada vez ficado mais claras certas alterações no modo de pensar, de perceber e avaliar a realidade por parte destes pacientes. Eles tendem a supervalorizar a importância dos pensamentos como se pensar fosse o mesmo que agir; tendem a supervalorizar o risco e as possibilidades de ocorrerem eventos desastrosos (contrair doenças, perder familiares, contaminar-se); tendem a superestimar a própria responsabilidade quanto a provocar ou prevenir eventos futuros; são perfeccionistas, perdendo muito tempo com a preocupação de fazer as coisas bem feitas e evitar possíveis falhas ou imperfeições e imaginam modificar o curso futuro dos acontecimentos com a execução dos rituais (pensamento mágico). Cada paciente pode apresentar uma ou mais destas distorções, que são mantidas mesmo as evidências sendo contrárias a elas, ou apesar de não terem comprovação na realidade.
Estes pacientes aprendem a usar rituais ou outras manobras psicológicas como atos mentais e a evitação como forma de aliviar a aflição que normalmente acompanha as obsessões, e por este motivo passam a repetí-los, mesmo que isto significa estar mantendo a doença.Evitam também de enfrentar seus temores até mesmo para confirmar que são infundados, o que permitiria livrar-se deles.
Supõe-se ainda que fatores ligados ao tipo de educação (mais ou menos severa ou exigente, incutindo culpa ou não), ao tipo de cultura social e familiar, possam também influir sob a forma de crenças e regras que regem a vida da pessoa criando uma espécie de terreno propício para o surgimento do transtorno. Por estes motivos usualmente se associam aos medicamentos, terapias psicológicas - a terapia cognitivo-comportamental no seu tratamento.
Há alguma psicoterapia eficaz para o TOC?Um aspecto importante do tratamento do TOC é a chamada terapia comportamental considerada um dos tratamentos de primeira linha, juntamente com os medicamentos. A Terapia Comportamental baseia-se na constatação de que, se o paciente desafia seus medos, por exemplo, expondo-se às situações que evita ou tocando nos objetos que considera contaminados (exposição) e, ao mesmo tempo, deixa de realizar os rituais de descontaminação ou verificações (prevenção da resposta), embora num primeiro momento a aflição aumente, em pouco tempo ela tende a diminuir até desaparecer por completo espontaneamente (habituação). Repetindo tais exercícios os medos de tocar em coisas sujas ou contaminadas, de fazer verificações ou a necessidade de realizar rituais acabam desaparecendo por completo. Eu suma:Exposição + Prevenção da Resposta => Habituação => Desaparecimento dos sintomas
O que é uma exposição?
Exposição é o ato de tocar em objetos, móveis, roupas, partes do corpo, freqüentar locais evitados, ou de evocar frases, palavras, números, imagens ou cenas normalmente mantidas afastadas da mente, em razão do desconforto que provocam.
O que é prevenção de respostas?
Prevenção de respostas é o ato de abster-se de realizar rituais ou compulsões, rituais mentais ou quaisquer manobras destinadas a neutralizar a ansiedade associada a obsessões ou à não realização das referidas compulsões.
O que mais a Terapia Comportamental utiliza?
Além da exposição e da prevenção da resposta, a Terapia Comportamental utiliza uma série de outras técnicas para correção das crenças e pensamentos distorcidos existentes no TOC com o objetivo de realizar a assim chamada reestruturação cognitiva: treino na identificação de pensamentos e crenças distorcidas; correção através do questionamento e busca de evidências quanto à sua sua validade, experimentos comportamentais para testá-las, exposição aos pensamentos ouvindo fitas gravadas ou escrevendo, etc.
Os objetivos do tratamento são a redução dos sintomas-alvo e o aprendizado de estratégias para lidar com as obsessões e premência compulsiva no faturo. O cerne do tratamento comportamental é:
-A exposição prolongada e a prevenção de respostas.
-Teste de realidade. A avaliação negativa do pensamento intrusivo que causa desconforto eleva a comportamentos compulsivos que visam neutralizar o pensamento. A correção da avaliação negativa das obsessões é o que reduz a ansiedade no TOC- é preciso confrontar as crenças.
No tratamento infantil, é importante estar sempre atento a idade e nível de desenvolvimento; educar pais; cuidadores, professores e todos que convivem com a criança.

Teorias Sobre o TOC:a) Hipótese serotonérgica do TOC- respondem melhor : clomipramina, fluvoxamina, a fluoxetina, osertralina e a paroxetina (receptadores de serotonina).
b) Condicionamento pavloviano pela associação entre um estimulo aversivo e um estimulo novo. Resposta de fuga se transformam em respostas de esquiva por meio de reforço negativo.
c) O individuo com TOC, faz uma fusão regra-ação: idéia de que pensamentos indesejáveis sobre ações disruptivas equivale as suas próprias ações- moral, mas se pensar em um evento negativo, aumente a probabilidade que ele aconteça- probabilística consigo ou com o outro.
As pessoas com TOC acreditam que seus pensamentos inaceitáveis sobre a moral equivale a ação, elas se sentiriam desconfortáveis com tais pensamentos. E acreditar que pensar em eventos desagradáveis aumenta a sua probabilidade, os faz engajar em comportamentos para neutralizar o pensamento ou prevenir que ocorram conseqüências desastrosas.
o afeto negativo (ansiedade e depressão) perece ter o papel de variável mediacional entre o TOC e a TAF, mostrando que escores altos no BDI relaciona-se com TAF moral e escores elevados na escala de ansiedade, relaciona-se com a TAF probabilística pessoal e com os outros.

Boa partes desse texto foi extraído do artigo: TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO: PERGUNTAS E RESPOSTAS de Aristides Volpato Cordioli, Elizeth Heldt e Andréa Litvin Raffin.


Copyright © 2007 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.
-----------------------------------------------------------------------------------
Endereço e contato para atendimento clinico e palestras: ver em "Quem sou eu" na parte superior a direita da página.

Depressão, tristeza

Depressão em crianças e adolescentes
O consenso atual é de que antes da fase escolar é incomum o surgimento de quadros depressivos. A depressão em crianças na fase escolar e, em especial, na adolescência não é mais questionada. Argumenta-se que a depressão em pessoas jovens e em adultos, assume formas de expressão diferenciadas. Por exemplo: tempo de duração.
Porém, temos que alguns sintomas manifestos na adolescência estão ausentes na infância.
Por exemplo: o conteúdo da depressão associa-se a relações afetivas desfeitas (namoro)
Isto provoca insônia, distúrbios alimentares no jovem.
Na criança: perda dos pais, perda de objeto ou animal de estimação. Isto provoca: Pesadelos.
Embora os critérios diagnósticos tenham sido um problema consensual em psicologia clínica, atualmente utiliza-se os mesmos índices diagnósticos para adultos e crianças utilizando o DSM IV de forma contextualizada .
A depressão na infância é mais um episódio (episódica) e menos um estados psicológico.
Estudos denotam que além da depressão ser um problema de saúde mental significativo em crianças e adolescentes estes problemas podem estar aumentando em termos de prevalência nestas populações.

A maior parte dos modelos de depressão, bem como, as formas de intervenção clinica na infância são adaptações de modelos depressivos em adultos.
Problemas com as adaptações de modelos e intervenção:
Os modelos podem ignorar processos inerentes a etapa de desenvolvimento cognitivo
afetivo e da organização da conduta na criança..
· A psicopatologia infantil vista como um fracasso na conquista de marcos fundamentais do desenvolvimento ou na aquisição de habilidades específicas. Exemplo na depressão: Capacidade de vincular-se/ aquisição da linguagem; Influencias da Rotulação/ Modelagem/Recompensa/ Punição vinda do ambiente

Ambiente


Genética / Ambiente ( fator preciptante)



A psicopatologia infantil vista genericamente como um transtorno inerente a pessoa e relativamente independente do seu ambiente.

A depressão é definida em termos de metáforas:

Metáfora do reforço

A depressão é vista como resultado de uma perda ou falta de reforço positivo da resposta contingente. Um ambiente de interações sociais pobre , em que a conduta não é recompensada ou é feita de forma insuficiente é um ambiente propicio para o desenvolvimento de quadros depressivos.
Lewinshon, propõe três formas de perda de reforço contingente:
1. Mudança ambiental:
Perda de pessoa significativa ou falta de apoio desta pessoa.
Intervenção: Trabalho com os pais e fontes de reforço significativa incentivando a criança /ou adolescente através de estilo e distúrbios de comunicação e formas de resolução de problema.
2- Falta de habilidades sociais.
Intervenção: treino de Habilidade Sociais.
3- Incapacidade de sentir o reforço disponível devido a ansiedade excessiva.
Intervenção:Treino de auto-controle ( manejo de si); Treinos de relaxamento.

Metáfora dos déficits de Habilidades sociais:
(inerente há muitos modelos)

Faltas de habilidades sociais levam a depressão por resultarem em problemas de relacionamento.
Estes déficits levam a dificuldades de resolução de problema, podendo resultar em escolhas ruins para lidar com o problema (por exemplo: abuso de drogas por jovens), ou falta de habilidades para resolver os problemas (por exemplo: isolamento, ou seja, ficar só quando perto da família).

Metáfora do desamparo e da desesperança.

Experiências aversivas incontroláveis levam a pessoa a um estado de desamparo generalizado.
Eventos positivos são atribuídos ao acaso e são recursos de fontes externas.
Eventos negativos são vivenciados como auto-atribuíveis (o indivíduo é a fonte de eventos negativos) e assume um comportamento evitativo nas interações.
Intervenção: Enriquecimento ambiental para que a pessoa vivencie sentimentos de eficácia. Treinamento de controle pessoal, no qual a pessoa aprende novas habilidades (sociais) para melhor controle da vida. Treinamento de resignação (abandonar um objetivo irreal em relação a qual se sentia desamparada). Retreinamento de atribuições (de valores) para si em relação a eventos positivos e negativos da vida.
Esquema geral do processo de resolução de problema:

1. Orientação para o problema:
A- Percepção do problema ( reconhecimento e classificação do problema);
B- Atribuições do problema ( quais as causas do problema);
C- Avaliação do problema; (significação do problema para o bem estar social pessoal e social)
D- Controle pessoal: 1- que se perceba o problema como controlável e com solução; 2- que o sujeito pense que pode resolver o problema através de seus esforços.
E- Compromisso de tempo e esforço: 1- estimativa precisa do tempo que se levará para solucionar o problema com êxito; 2- a disposição do individuo em dedicar tempo e esforço necessários para solucionar o problema.

2- Definição e Formulação do problema
A- coleta de informação: 1- informação sobre a tarefa; 2- informação sócio-cultural.
B- Compreensão do problema;
C- Estabelecimento de objetivos: 1- planejar os objetivos em termos específicos e concretos;2-evitar estabelecer objetivos pouco realistas e inalcançáveis.
D- Reavaliação do problema.

3- Levantamento de Alternativas
A- Principio de quantidade.
B- Principio de adiamento de julgamento.
C- Principio de variedade.

4- Tomada de Decisões
A- Antecipação dos resultados da decisão
B- Avaliação dos resultados de cada decisão
C- Preparação de uma solução

5- Pratica da Solução e Verificação
A- Realizar a solução escolhida ( caso não seja possível realizar a solução escolhida, pode-se: 1-voltar a etapas anteriores e escolher uma nova solução; 2-tentar remover os obstáculos para colocar em pratica a solução escolhida).
B-Auto registro: 1- auto observação da pratica da solução e/ou de seus resultados; 2- Registro (medição) da atuação e/ou de seus resultados.
C. Auto – avaliação: Solução do problema; Bem estar emocional; Quantidade de tempo e esforço empregados; Razão custo benefício.
D- Auto-reforçamento.
E- Recapitular e reciclar.

Metáfora do Manejo de si

Nesta concepção o indivíduo não tem habilidades de auto-controle

O auto controle é definido como a capacidade do indivíduo de estabelecer e esforçar-se no cumprimento de metas. Pessoas deprimidas tem dificuldade em estabelecer e cumprir metas a curta ou a longa distância no tempo.
Tem dificuldade de :
Auto –monitoração Auto-avaliação Auto reforço

Tem tendências seletivas de :
Maximizar eventos negativos e minimizar eventos positivos.
· Esperar apenas conseqüências imediatas para seus comportamentos.
Estabelecer padrões rigorosos de auto-avaliação.
Atribuir as causas de seus comportamentos a fatores negativos.
Atribuir a si próprias recompensas insuficientes.
Administrar-se punições rigorosas.

Intervenção:
1- Trabalhar a habilidade de auto-avaliação á partir de referências externas (como o outro me avalia)
2- Treinar estabelecimentos de metas de curto / médio e longo prazo.
3- Estabelecer auto-reforço a partir de auto verbalizações e atividades reforçadoras.
4- Treinar os pais a encorajar os filhos a mudarem de conduta e sempre reforça-los pelas vitórias.
5- Estabelecer formas de auto-controle.

Ex. de autoverbalizações: Sinto-me bem/ As pessoas gostam de mim/ Sou uma boa pessoa/ Minhas experiências me preparam para o futuro.

Ex de atividades: Planejar executar algo que aprecie / Praticar esporte/ Divertir-se em casa / Mostrar afeto físico.

Metáfora Interpessoal / Paterna ou materna

A depressão está ligada a interrupção nos relacionamentos interpessoais
Os déficits nas habilidades sociais não são responsáveis pela etiologia e manutenção da doença ( fatores precipitantes), são a sua própria origem ou etiologia.
Constatou-se que depressão nos pais tem forte correlação com depressão nos filhos (ex.: modelamento de condutas, rotulação negativa do comportamento da criança, estresse de viver com pais deprimidos).

Intervenção:
Terapia Interpessoal: Identificação dos problemas de relacionamento e aconselhamento para reparação ou ruptura adaptativa em relação a interação conflituosa.
Treinamento de pais. A depressão neste caso é vista como produto de uma relação paternal desadaptativa.
Terapia familiar centrada na habilidade de resolução de problemas
Modificação de crenças paternas e treinamento de atitudes nos pais:

Esquema do programa de treinamento de pais:

Fase 1 . Atenção diferencial
Fase 2 Treinamento no cumprimento de ordens

Atentar:

Descrever o comportamento da criança.
Instruções claras
Deixar de utilizar verbalizações vagas.
As verbalizações devem ser específicas e diretas
Seguir, não dirigir.

Sem perguntas/ordens.
Conseqüências

Reforçar as conseqüências positivas das verbalizações

Seguir regras fixas
Recompensas


Físicas

Verbais sem sinalizar

Verbais sinalizando

Ignorar:

Sem contato ocular ou sinais não verbais
Sem contato verbal
Sem contato físico

Copyright © 2007 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.
-----------------------------------------------------------------------------------
Endereço e contato para atendimento clinico e palestras: ver em "Quem sou eu" na parte superior a direita da página.

Ataque do pânico, síndrome do pânico

As crianças e adolescentes podem ter ataques de pânico?
As pesquisas investigaram se estes podem apresentar ataques espontâneos de pânico, não desencadeados por um estímulo específico. No entanto não há prevalências destes ataques antes da puberdade. Isto pode ser devido à:
Baixa prevalência do transtorno na infância.
Falta de instrumentos adequados para o diagnóstico, ou diagnósticos equivocados.
Crianças com TP são atendidas pelo pediatra que toma os sintomas como problemas somáticos.

Last e Strauss (1989) TP em crianças e adolescentes: palpitações cardíacas, tremores, dificuldade respiratória e tontura.

Kearney, et al. (1997) primeiro estudo a investigar empiricamente o TP em crianças: queixas somáticas (pulso acelerado, náuseas, calafrios ou sufocamento, tremor ou nervosismo). As crianças tendiam a evitar lugares com pessoas desconhecidas, apresentavam depressão, maior ansiedade de traço e sensibilidade à ansiedade. A idade de início pode estar depois dos 14 anos. O DSM_IV_TR indica o início no fim da adolescência e por volta dos 35 anos.


Quais são características do Transtorno de Pânico(TP)?
Característica essencial do pânico (DSM_IV_TR): presença recorrente de ataques de pânico, que podem durar minutos ou horas e consistem em uma série de sintomas aversivos, somáticos e cognitivos, que freqüentemente atingem sua intensidade nos primeiros 10 minutos e diminuem gradativamente. Distingue o TP com ou sem agorafobia.
Os ataques podem ser inesperados, situacionalmente predispostos ou situacionalmente determinados. Os sintomas do TAS podem se desenvolver como resposta aos ataques de pânico.


Copyright © 2007 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.
-----------------------------------------------------------------------------------
Endereço e contato para atendimento clinico e palestras: ver em "Quem sou eu" na parte superior a direita da página.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Sono e os distúrbios do sono(problemas com sono) - insônia

INTRODUÇÃO
O sono é alvo de grande interesse e tem função de descanso e reparo dos desgastes físicos e mentais. O sono é um estado não homogêneo: quietude e movimentação e atividade psíquica especial.
Os sonhos são manifestações do mundo mental de difícil definição sob ponto de vista de consciência caracterizado por conteúdo psíquico rico em imagens, sons e emoções, passíveis de se incorporarem a memória e possíveis de serem lembrados na vigília.

O sono é um estado fisiológico que surge de forma cíclica na vida diária do ser humano com duração de várias horas consecutivas interposto por um período de vigília sustentada. A interposição de sono durante o dia diminui com idade:
Período neonatal- 70 a 80%- 15 a 18 hs - vigília sustentada surgem a cada 3 a 4 hs- ciclo alimentar.
3 meses: concentra a vigília durante o dia- 2 a 3 despertares noturno.


1 ano : observa um ciclo circadiano bem consolidado- 13 a 15 hs .
Pré escolar: cochilo no período da tarde- 12 a 13 hs
Escolar : latência do sono alta para cochilos durante a tarde- 10 a 12 hs.
Adolescentes: cochilo a tarde - pós prandial- 10 hs
Idoso: sono polifásico- menos eficiência do sono noturno
Adulto: 5 a 10 hs de sono- media 8 hs.
O velejador almir Klink e um velejador solitário e por isso ele dorme varias vezes por dia de 30 minutos. Ele não pode dormir mais que isso devido aos riscos dos icebergs.

Ciclo Circadiano e Bio-ritmo:
Alternância entre período de vigília e um período de sono nas 24 hs do dia.
Vigília : maior incidência de luz e calor
Sono: escuridão e queda temperatura ambiental.
Fenômeno cíclico do bio-ritmo do homem e animais. Grande número de variáveis biológicas (homeostáticos e secreções de hormonais) sofrem alterações cíclicas ao longo do dia.
Temperatura: horário de dormir coincide com o início do declínio da T corporal. A queda progride ao longo de todo período de sono, atingindo máximo em torno 4 hs. No amanhecer há elevação da T corporal que coincide com despertar matinal atingindo um pico no inicio da noite
Corticóides/ Hormônios tiroidianos / e Insulina: há aumento no início da manhã.
Testosterona /GH: sono.
Colecistoquinina/ Bombesina: ativa a produção de sono.
ADH: aumento tônico durante todo o sono.
Exame de polisonografia

Estruturas geradoras do sono:
Núcleos situados no tronco encefálico, diencéfalo e no tálamo, integrados com o córtex cerebral e medula espinal.
Vigília: Atuação do SRAA através de suas conexões com o córtex cerebral, por via talâmica Interage com o hipotálamo posterior que tem função simpática responsável pelo alerta.
Sono NREM: Núcleos serotoninérgicos da rafe dorsal, tálamo, hipotálamo anterior, estruturas basais da fossa anterior, como núcleos septais e área pré óptica.
Sono REM: Células na área peri-locus Ceruleus tornam-se ativadas estimulando a inibição de neurônios magnocelulares ponto-bulbares, os quais, pelo trato tegmento reticular, projetam-se para medula espinhal inibindo os motoneurônios. O córtex sofre maior influencia das porções mesencefálicas-diencefálicas do SRAA, resultando em EEG dessincronizado.
Conexões do tegmento pontino com corpo geniculado lateral, que se projetam para diversas áreas corticais, são ativadas durante este sono, provavelmente implicadas na gêneses dos sonhos.
Arquitetura do sono
O Sono noturno é marcado por uma alternância entre padrões NREM e REM numa seqüência mais ou menos previsível- 90 minutos- 5 a 7 ciclos ultradianos.
Sono normal se inicia pela fase I do sono NREM, com latência de 15 a 30 minutos.
Sono NREM: Fase ou estágio I, II, III, IV
Sono REM.
• Distribuição dos sonos: fase I: 5 a 10 %, II: 50 a 60 %, III e IV 15 a 20 %, REM: 20 a 25 %.


Sono NREM
• Tônus muscular estável.
• EEG que varia de acordo com aprofundamento do mesmo.
• Respiração regular
• Ausência de movimentos oculares rápidos
• Ausência de movimentos nas fases mais profundas.
Sono REM
• Tônus muscular baixo.
• EEG dessincronizado /Ondas dente de serra.
• Movimentos oculares rápidos.
• Movimento corporais de baixa amplitude.
• Sonhos.
Ereções noturnas
Em geral a avaliação do sono é realizada através de medidas qualitativas ou subjetivas, que são obtidas através de instrumentos como as escalas de avaliação da qualidade do sono diário; e através de medidas quantitativas ou objetivas como a polissonografia, que fornece dados objetivos como a latência de sono e eficiência de sono. A utilização de métodos qualitativos e quantitativos é comum e recomendável, pois nem sempre a estrutura e parâmetros polissonográficos normais correspondem a relatos de sono reparador.

Polissonografia
A polissonografia (PSG), introduzida na década de 60, é o principal método para diagnostico de distúrbios de sono. O exame é realizado no ambiente hospitalar durante uma noite inteira de sono, em condições mais naturais possíveis. A PSG consiste do registro de várias funções e fenômenos que ocorrem durante o sono como o eletroencefalograma (EEG), eletro-oculograma (EOG), eletromiografia (EMG), movimentos dos membros inferiores, fluxo aéreo nasal e bucal, movimentos respiratórios, saturação de oxiemoglobina e eletrocardiograma.

Teste de múltiplas latências do sono
É o principal exame utilizado para o diagnóstico de sonolência diurna, sendo a narcolepsia e a síndrome da apnéia obstrutiva do sono as duas enfermidades mais importantes que ocasionam em sonolência excessiva. O procedimento consiste no registro de cinco exames PSG durante o dia, com duração de 20 minutos cada e intervalos de 2h. A média da latência para o inicio do sono deve situar-se entre 10 e 20 minutos. Latências menores que 10 minutos pode ser indicativos de sonolência excessiva diurna. O registro de dois ou mais períodos de REM pode ser sugestivo de narcolepsia.

Actigrafia
É um aparelho do tamanho de um relógio de pulso, que mede a atividade motora, monitorando a freqüência e a duração do movimento. Alternativamente as definições eletroencefalográficas dos estados de sono e vigília obtidas na PSG, são utilizadas observações de períodos de atividade e repouso prolongado correspondentes a vigília e sono. O actígrafo apresenta inúmeras vantagens sobre os outros instrumentos utilizados, pelo baixo custo, fácil operação e pouca manutenção.

Principais distúrbios
Embora a maioria das pessoas relate um padrão de sono normal, há uma considerável parcela de indivíduos queixando-se de sonolência excessiva diurna, insônia ou outros distúrbios associados ao sono. O espectro de distúrbios de sono é extremamente numeroso e complexo, alem de englobar desde queixas leves até dramáticos casos de morte súbita em recém nascidos, insônia familiar fatal ou acidentes automobilísticos decorrentes de sonolência excessiva diurna.
Em vista de inúmeros distúrbios de sono descritos a Association of sleep disorders centers (ASDC) e a Association for the psychophysiological study of sleep publicaram em 1979 a Classificação dos disturbios de sono e vigília (Diagnostic Classification of Sleep and Arousal Disorders - DCSAD). Em 1990, após cinco anos analisando a DCSAD, a Associação Americana de Distúrbios de Sono (ASDA) produziu em associação com a sociedade européia, japonesa e latino americana a Classificação Internacional de distúrbios de sono (International Classification of Sleep Disorders - ICSD). Esta nova classificação tornou-se necessária devido à descrição de muitos novos distúrbios e desenvolvimento de informações adicionais aos distúrbios já descritos. A ICSD fornece a descrição detalhada de 84 distúrbios de sono e apresenta quatro categorias principais:
1)Dissonias: São os principais distúrbios intrínsecos do sono. Desordens do início e manutenção do sono e desordens relacionadas com sonolência excessiva.

A - INTRÍNSECAS
1. Insônia Psicofisiológica
2. Má percepção do sono
3. Insônia Idiopática
4. Narcolepsia
5. Hipersonolência Recorrente
6. Hipersonolência Idiopática
7. Hipersonolência Pós-Traumática

8. Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono
9. Síndrome da Apnéia Central do Sono
10. Síndrome da Hiperventilação Alveolar Central
11. Distúrbio dos Movimentos Periódicos do Sono
12. Síndrome das Pernas Inquietas
13. Outros Distúrbios Não Classificados

B - EXTRÍNSECAS
1. Higiene do Sono Inadequada
2. Distúrbios do Sono de origem ambiental
3. Insônia de altitudes
4. Distúrbios de Ajustamento
5. Distúrbios por Sono Insuficiente.
6. Distúrbios do Sono por falta de definição de limites
7. Distúrbio de Associação relacionada ao Início do Sono
8. Insônia por Alergia Alimentar
9. Síndrome do Comer-Beber Noturno
10. Distúrbio do Sono por Dependência de Hipnóticos
11. Distúrbio do Sono por Dependência de Estimulantes
12. Distúrbio do Sono por Dependência de Álcool
13. Distúrbio do Sono induzido por toxinas
14. Outros Distúrbios Não Classificados
2)Parassonias: São manifestações e comportamentos que ocorrem durante o sono, não consistindo de anormalidades nos processos responsáveis pelo sono e vigília. São desordens que primariamente não causam queixa de insônia ou sonolência excessiva. Podem causar distúrbios para o paciente ou terceiros, especialmente se intensas.

A - DESORDENS DO DESPERTAR
1. Despertar Confusional
2. Sonambulismo
3. Terror Noturno
B - DESORDENS DE TRANSIÇÃO DE SONO
1. Distúrbio dos Movimentos Rítmicos do Sono
2. Abalos do Início do Sono
3. Sonilóquio
4. Cãimbras de Pernas Noturnas

C - PARASSONIAS USUALMENTE ASSOCIADAS AO SONO REM
1. Pesadelos
2. Paralisia do Sono
3. Ereção Peniana do Sono Comprometida
4. Ereções Penianas Dolorosas Relacionadas ao Sono
5. Parada Sinusal Relacionada ao Sono REM
6. Desordem do Comportamento do Sono REM

D - OUTRAS PARASSONIAS
1. Bruxismo do Sono
2. Enurese do Sono
3. Síndrome da Deglutição Anormal durante o Sono
4. Distonia Paroxística Noturna
5. Síndrome da Morte Súbita Inexplicável no Sono
6. Ronco Primário
7. Apnéia do Sono na infancia
8. Síndrome da Hipoventilação Alveolar Congênita
9. Síndrome da Morte Súbita do Lactente
10. Mioclono Neonatal Benigno do Sono
11. Outras Parassonias Não Classificadas

3)Distúrbios de sono associados a distúrbios clínicos/psiquiátricos e comportamentais:

A - DISTÚRBIOS ASSOCIADOS A DOENÇAS MENTAIS
1. Psicoses
2. Transtornos do Humor
3. Transtorno de Ansiedade
4. Síndrome do Pânico
5. Alcoolismo

B - DISTURBIOS ASSOCIADOS A DOENÇAS NEUROLOGICAS
1. Doenças Neuro-degenerativas
2. Demência
3. Parkinsonismo
4. Insônia Familiar Fatal
5. Epilepsia Relacionada ao Sono
6. Estado de Mal Elétrico do Sono
7. Cefaléia Relacionada ao Sono

C - DISTÚRBIOS RELACIONADOS A OUTRAS DOENÇAS ORGÂNICAS
1. Doenças do Sono ( Parasitose Africana)
2. Isquemia Cardíaca Noturna
3. Doença Pulmonar Obstrutiva
4. Asma Relacionada ao Sono
5. Refluxo Gastroesofágico do Sono
6. Úlcera Péptica
7. Síndrome da Fibrosite ( Fibromialgia )

4)Distúrbios do sono propostos: Distúrbios que não apresentam informações suficientes para substanciar a existência do distúrbio de sono.

1. “Dormidor” Curto
2. “Dormidor” Longo
3. Síndrome da Subvigília
4. Mioclono Fragmentário
5. Hiperidrose do Sono
6. Distúrbio do Sono Relacionado ao Período Menstrual
7. Distúrbio do Sono da Gestação
8. Alucinações Hipnagógica Aterrorizantes
9. Taquipneia Neurogênica Relacionada ao Sono
10. Laringoespasmo do Sono
11. “Choking Syndrome”
Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono
Dissonias Intrínsecas:
Insônia psicofisiológica
Insônia idiopática
Síndrome das pernas inquietas - SPI
Distúrbio dos movimentos periódicos dos membros
Percepção inadequada do estado de sono
Síndrome da apnéia - hipopnéia do sono
Dissonias Extrínsecas:
Má higiene do sono
Distúrbio ambiental do sono
Distúrbio de adaptação

Dissonias Circadianas:
Mudanças de fuso horário
Trabalho em turnos
Síndrome das fases do sono

Insônia
Geralmente é um sintoma e não uma doença. Ela pode ser definida como dificuldade para obter o sono, ou sensação de sono não restaurador, após o episódio habitual de sono (ICSD, 1990). Os mecanismos pelos quais a insônia se estabelece são precariamente entendidos. A insônia psicofisiológica ou comportamental é a mais comum, tem como característica principal uma tensão somatizada com agitação e aumento do tônus muscular.
Também conhecida como pseudo-insônia, a percepção inadequada do sono se caracteriza pela queixa de insônia sem alteração objetivas no sono. O diagnóstico deve ser de exclusão, sendo a polissonografia um exame importante neste caso. A insônia idiopática é uma inabilidade de dormir que pode prolongar-se desde a infância. É associada a alterações do controle neurológico do sistema de sono-­vigília.
A insônia pode também estar associada a mudanças de fuso horário, mudança ambiental, barulho, altitude, uso de estimulantes e mesmo ao uso crônico de hipnóticos. As doenças médicas, psiquiátricas, quadros musculares dolorosos ou doenças reumáticas também podem apresentar secundariamente insônia. A Insônia é a queixa mais comum ambulatório de sono.
Entrevista comportamental detalhada:
História de vida.
Hábitos de vida.
Atividade nos períodos noturnos e diurnos.
Situação psico - emocional.
Saúde física geral.
Ambiente noturno.
Dificuldade de iniciar o sono.
Dificuldade de manutenção do sono.
Despertar precoce (redução na quantidade do sono) .
Cansaço diurno/ fadiga, irritabilidade, falta de concentração e atenção ( queixas de memória).
Distúrbio da higiene do sono.
Ruído ambiental.
Quadros psiquiátricos.
“Jet lag Syndrome”.
Desconforto físico/doenças sistêmicas.
Outros quadros de insônia:
Insônia por dependência de hipnóticos ou sedativos ou drogas anorexígenas.
Insônia por gravidez
Insônia pré- menstrual
Insônia do climatério
Prevalência
•51% dos norte-americanos queixam-se de insônia algumas noites por semana e 29% reclamam quase diariamente ou diariamente (NSF 2001).
•31% dos alemães têm insônia.
•9% dos franceses têm insônia grave.
•40-50% dos brasileiros queixam-se de insônia e 10% consideram seu problema grave.
•1000 paulistas (1988-95): 41% das mulheres e 31% dos homens.
Tratamento:
1- Diagnóstico correto, propondo estratégias de rompimento de hábitos mantenedores do sintoma.
2- Higiene do sono
3 - Psicoterapia Comportamental
Síndrome da apnéia/hipopnéia do sono
Abrange um amplo espectro de sintomas e sinais, variando desde o ronco até os casos mais graves de apnéias com acentuada dessaturação da oxiemoglobina (queda de 4% do valor basal) e despertares breves, que muitas vezes não são percebidos pelo paciente. A apnéia é definida como a interrupção do fluxo aéreo (redução de 80%) por mais de 10 segundos. De diagnóstico mais complexo, a hipopnéia é uma redução de 50% a 80% do fluxo respiratório em relação à linha de base, e com duração de mais de 10 segundos. As apnéias podem ser apnéias obstrutivas (Saos); a apnéia central (Sacs) e a apnéia mista.
Classificação quanto o grau de obstrução das VAS
•Total (apnéia): Tipos central, obstrutiva, mista
•Parcial ( hipopnéia): diminuição maior ou igual a 50% do esforço respiratório, durando 10 segundos ou mais, ou diminuição da SAO2 em pelo menos 4% do seu valor basal.
SARVAS
•Ocorre em indivíduos que roncam ou não
•durante o sono
•Observa-se um aumento de despertares( igual ou maior que 15 despertares por hora de sono) e queda da SAO2 durante o sono maior ou igual 4%
•Na monitorização do esforço respiratório com uso do balão intraesofágico, é possível verificar o aumento da resistência das VAS através da medida da pressão intraesofágica(inferiores a -13cm de H2O)
PSG na AOS
•Índice Distúrbio Respiratório(RDI) n de apnéias e hipopnéias/ total de hora de sono= ou > 5
•Parada ou diminuição igual ou superior a 50% do fluxo aéreo nasal, com presença de apnéia ou hipopnéia
•Diminuição da SaO2 maior ou igual 4% com ressaturação após 20 segundos da apnéia.
•Conseqüências:
Hipóxia e retenção de CO2 o qual estimula o SRAA provocando o despertar.
Arritmias cardíacas
HAS
H pulmonar com cor pulmonale e ICC.
Vasodilatação cerebral/ edema cerebral- cefaléia matinal
Secura, irritação e edema na orofaringe
Nictúria .
Maioria dos pacientes exibem ronco e com o aprofundar do sono fases III, IV e REM- maior tendência as AOS com despertares freqüentes. Tais pacientes apresentam hipersonlência diurna.
É mais freqüente em:
Obesos
Distúrbios anatômicos
Hipotireoidismo
Sexo masculino.
Posição supina.
Diagnóstico- Polissonografia
Tratamento:
Perda de peso
Correções anatômicas
Decúbito lateral
Evitar bebidas alcóolicas e benzodiazepínicos
CPAP
Narcolepsia
É uma doença que se caracteriza por episódios de hipersonolência recorrentes e de curta duração. Pode estar acompanhada de cataplexia (perda repentina do tônus muscular), paralisia do sono, e alucinações hipnagógicas. A doença é de natureza genética e os sintomas aparecem geralmente durante a segunda década de vida.

Prevalência: 6 em cada 10.000 pessoas
•Sintomas inicia na segunda década de vida
•Transtornos dos mecanismos envolvidos na gênese do sono REM
Características:
Ataque de sono incontrolável (REM)
Cataplexia
Alucinações hipnagógicas
Paralisia do sono

Diagnóstico
• Polissonografia / TLMS
•HLA -DR2
Tratamento:
Anfetaminas sonolência.
Tricíclicos ou fluoxetina- Cataplexia.
Orientações.

Sonilóquio

Comportamento: Emissão de palavras, frases ou murmúrio durante o sono.
Relação com o ciclo sono- vigília: REM e NREM .
Faixa etária: Qualquer idade após primeiro ano de vida.
Tratamento: Desnecessário.


Síndrome das pernas inquietas e movimentos periódicos das pernas
As pessoas acometidas relatam um irresistível movimento de membros inferiores acompanhado de sensações de "arrastamento" das pernas. A grande maioria dos pacientes também apresenta movimentos estereotipados de membros inferiores durante o sono, que correspondem aos movimentos periódicos de pernas (MPP). Os movimentos duram em média 0,5 a 5 segundos ocorrendo com uma freqüência de um a cada 20 a 40 segundos. Cada episódio de MPP pode ter duração de alguns minutos a horas e em geral, os episódios causam despertares, e uma diminuição da qualidade e eficiência do sono, ocorrendo com maior incidência no terço inicial da noite.

Bruxismo noturno
É definido como um distúrbio de movimento estereotipado, caracterizado pelo ranger ou apertar dos dentes durante o sono. Apresenta-se como bruxismo cêntrico (apertar dos dentes) ou bruxismo excêntrico (ranger dos dentes). O excesso de força realizada sobre a musculatura mastigatória e os dentes produz dor facial atípica, desconforto muscular, cefaléia, desgaste dental.

Comportamento: Ranger de dentes durante o sono.
- Relação com o ciclo sono-vigília: Fases III e IV do sono e transição para o sono REM.
- Ativação autonômica: Discreta taquicardia.
- Faixa Etária: Qualquer idade.
- Tratamento: Proteção dentária com prótese específica/ técnicas de relaxamento/ exercícios físicos /Psicoterapia comportamental.





Terror Noturno
- Comportamento: Sentar nas cama, olhar aterrorizado, sem fixar o interlocutor, com pouco ou nenhum contato, choro, expressão de medo ou pavor.
- Relação com o ciclo: Sono profundo - fase IV
- Ativação autonômica: Intensa
- Faixa etária: Infância - 2 a 5 anos
- Diagnóstico diferencial: EF com manifestações afetivas
-Tratamento: Geralmente não necessário- porém BZP podem ser úteis.



























Sonambulismo
- Comportamento: Levanta/ senta na cama, deambula a esmo, exibe comportamento automático (lavar as mãos, abrir portas e janelas). O olhar e fixo, vago, não havendo comunicação com terceiros. O paciente pode acordar no outro dia dormindo em outros locais. Não se recorda do episódio.
-Relação com ciclo: Fase IV- transição para REM
- Faixa Etária: Infância , até os 10 anos. Incidência familiar.
- Tratamento: Desnecessário, porem BZP pode ser útil



Enurese Noturna
- Comportamento: Micção durante o sono.
- Relação com ciclo: Sono profundo de ondas lentas.
- Ativação autonômica: Discreta taquicardia.
- Faixa etária: Crianças acima de 5 anos até adolescência.
- Classificação: Idiopática e Sintomática.
- Tratamento: Condicionamento e Imipramina.



Pesadelos
- Comportamento: Movimentação aumentada, expressões faciais de medo, desagrado ou angústia acompanhado de sonho com conteúdo dramático, em geral de ameaça, de sensação persecutória, de tristeza, agonia e ou incapacidade para esquivar-se de situação ameaçadora.
- Relação com o ciclo: REM.
- Ativação autonômica: Taquicardia e taquipnéia.
- Faixa etária: Qualquer idade.
- Tratamento: Desnecessário. Psicoterapia comportamental/ Medidas para relaxamento de tensões.
Distúrbios do humor
As mudanças nos padrões de sono estão entre os critérios diagnósticos para estes distúrbios. Na depressão maior as queixas de insônia inicial e terminal, sono não restaurador ou sonhos perturbadores são freqüentes. Neste quadro a polissonografia apresenta aumento da latência do sono, aumento dos despertares, redução do TIS, diminuição do sono de ondas lentas, despertar matutino precoce, redução da latência para o sono REM e da porcentagem do sono REM.





Para pessoas que não apresentam distúrbios do sono e querem manter um sono tranqüilo, abaixo seguirá um espécie de dez mandamentos para garantir um bom sono noturno:
1)Manter os mesmos horários de levantar.
2)Fazer exercícios diariamente, pelomenos 20 minutos.
3)Evitar estimulantes como café, chocolate, refrigerantes.
4)Não fumar. A nicotina é ainda mais estimulante do que a cafeína.
5)Evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Embora o álcool seja sonífero, deve se tomar cuidado com a quantidade e o horário em que é ingerido, pois pode antecipar ou tardar o sono.
6)Não dormir mais do que o necessário.
7)Evitar dormir à tarde, principalmente se a pessoa tem problemas para dormir durante a noite.
8)Não comer em excesso antes de deitar nem dormir com fome.
9)Esquecer os problemas e responsabilidades na hora de dormir.
10)Relaxar. Tomar uma ducha, ler um livro ou ouvir uma boa música pode ajudar muito a conciliar o sono. Procure fazer dessas tarefas como um ritual do sono à ser repetido todas as noites.

Para um descanso total, deve-se prestar muita atenção nos tipos de colchões, travesseiros e, principalmente, a postura na hora de dormir.Quando for comprar colchões, prefira os que não sejam nem muito macios nem muito rígidos. Assim, as curvas do corpo têm apoio e a coluna fica reta.Quanto aos travesseiros deve-se prestar atenção se a espessura do travesseiro é suficiente para preencher o espaço entre o ombro e a cabeça. Assim, evitará que a cervical seja forçada.Na hora de deitar, deve se ter muito cuidado com a postura. A melhor maneira é aquela que permita o relaxamento total dos músculos, principalmente nas costas, região lombar, dorsal e cervical as quais mais trabalham durante o dia e necessitam de descanso adequado.Está proibido deitar de bruços. Essa posição força o lombar e a cervical e acentua problemas de escoliose, lordose e lombalgiga.Pode se deitar de barriga para cima, desde que haja um almofadão embaixo dos joelhos. O joelho semilevantado faz encaixar o quadril e compensar a curvatura da lombar.A posição mais correta é a posição fetal. Deita-se de lado com as pernas levemente dobradas. Para aumentar o conforto, pode se colocar um travesseiro entre as pernas.
Dormir bem, não é só uma forma de descanso, é a garantia de uma vida saudável e mais longa.

DICAS PARA UMA BOA NOITE DE SONO
Confira, na seqüencia, as orientações da Academia Brasileira de Neurologia que devem ser adotadas durante sete dias. De acordo com os especialistas, somente após quatro semanas a pessoa notará resultados mais significativos. "Esses hábitos devem ser utilizados todos os dias, formando uma rotina. E mesmo que a pessoa sinta dificuldades, deve insistir", enfatiza Prado.
1 - Não vá para a cama sem estar com sono;
2 - Acorde no mesmo horário todas as manhãs, inclusive nos finais de semana:
- Se você sentir que precisa acordar mais tarde aos sábados e domingos, que seja apenas uma hora a mais;
3 - Não faça cochilos;
4 - Não consuma bebidas alcoólicas durante o período de quatro horas antes de ir para a cama;
5 - Não consuma cafeína após as 16 horas, ou no período de seis horas antes de se deitar;
- Informe-se sobre bebidas, alimentos e medicações que contenham cafeína;
6 - Não fume durante muitas horas antes de ir para a cama;
7 - Faça exercícios regularmente;
- O melhor horário para praticar atividades físicas é no final da tarde ou de manhã. Evite esforços físicos após as 18 horas;
8 - Use o senso comum para fazer seu ambiente apropriado para o sono. A temperatura deve ser adequada, mínimo possível de som, barulho e luz;
9 - Se você está acostumado, faça um lanche leve antes de dormir (bolachas salgadas, leite, queijo branco);
- Não coma chocolate ou coisas com muito açúcar;
- Evite muito líquido;
- Se acordar no meio da noite, não coma. Senão começará a acordar sempre no mesmo horário com fome;
10 - Não use sua cama ou quarto para outra atividade que não seja dormir ((a única exceção a essa regra é a atividade sexual);
- Você não deve ver TV, ler, conversar ao telefone nem se preocupar, discutir com seu cônjuge ou comer na cama;
11 - Estabeleça uma rotina para ir para a cama como sinal para dormir;
- Escove os dentes, acerte o despertador e faça coisas compatíveis com o horário;
- Realize essas atividades na mesma ordem todas as noites;
- Use sua posição de dormir preferida em combinação com seu travesseiro e seu cobertor prediletos;
12 - Quando estiver na cama, apague as luzes com a intenção de adormecer logo. Se você não consegue dormir em pouco tempo (10 minutos), levante da cama e vá para outro cômodo;
- Faça alguma atividade tranqüila até começar a sentir sono de novo e então retorne ao quarto para dormir;
13 - Se você não adormecer rapidamente, repita a instrução anterior;
- Repita esse processo quantas vezes for necessário durante a noite;
- Use esse mesmo procedimento se você acordar no meio da noite e não conseguir voltar a dormir rapidamente;

HIGIENE DO SONO PARA CRIANÇAS
1 - Mantenha uma rotina para os cochilos diurnos das crianças pequenas;
- Evite cochilos no final da tarde;
2 - Crie uma rotina para a hora de dormir da qual faça parte um momento bom com os pais (ler histórias, ouvir música, etc);
3 - Evitar bebidas (chocolate, refrigerante e chá mate) e medicações que contenham produtos estimulantes;
4 - Crie um ambiente que leve ao sono e recompense as noites bem dormidas;
5 - Mantenha o mesmo horário para os pequenos dormirem e acordarem todos os dias;
6 - Coloque a criança na cama ainda acordada;
7 - Tente não deixá-la adormecer tomando leite, assistindo TV ou em outro lugar que não seja a sua própria cama;
8 - Não alimente a criança durante a noite;
9 - Evite levá-la para a cama dos pais para dormir ou acalmar-se;
10 - Se a criança acordar durante a noite para ir ao banheiro ou por causa de pesadelos, fique no quarto dela até acalmar-se e avise-a de voltará para seu quarto quando ela adormecer;

Copyright © 2007 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.
________________________________________________________________
Endereço e contato para atendimento clinico e palestras: ver em "Quem sou eu" na parte superior a direita da página.