terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Não passei no vestibular. Fui reprovado. Não passei na Unicamp. Não passei na USP. Não passei em nenhuma universidade pública.O que fazer agora?

Para muitos, o vestibular pode ser o primeiro grande obstáculo da vida. Após longos períodos de dedicação aos estudos, muitas vezes exclusiva, o resultado da reprovação no vestibular é sempre seguida de uma grande decepção. É importante destacar ainda que embora o vestibular funcione como um funil, nem sempre os melhores colocados serão os melhores profissionais.

Já que não passei, desistir é o caminho mais fácil, mas será que é o ideal?
Desistir talvez seja a alternativa mais fácil, no entanto existem outros caminhos que podem ser percorridos sem que se desvie dos seus objetivos sonhos. Mas, para isso, seus objetivos precisam estar bem definidos ter a possibilidade de traçar boas estratégias que te levarão as boas universidades.

Agora, a curto prazo, o que tenho que fazer se estou sofrendo?
O importante é diminuir os sentimentos de frustração, tristeza e raiva. Não se pensa quando está muito alterado emocionalmente. Neste momento, geralmente a emoção fala mais alto do que a razão. O melhor é deixar a poeira abaixar. Fazer atividades que produzirão prazer e satisfação é uma boa iniciativa para a poeira baixar mais rápido. A ajuda dos pais é primordial, os pais precisam apoiar os filhos neste momento difícil.

E depois que a poeira abaixar, o que fazer?
Depois que a poeira baixar, o aluno precisa avaliar as razões do fracasso no vestibular. E é necessário ser honesto para não tirar a responsabilidade de si.

Quais seriam as variáveis que estariam relacionados com o mal desempenho no vestibular?
Há várias variáveis, entre elas:
1. Meta muito alta e incoerente com o histórico de desempenho escolar na vida do estudante.
2. Estudo insuficiente. O trabalho ou a falta de tempo não permitia estudar o necessário.
3. A prova estava difícil ou não caiu o que estudou.
4. A concorrência estava alta. É importante lembrar que ingressar em uma universidade pública ou numa grande instituição particular, as mais almejadas pelos jovens, não é uma tarefa nada fácil. Os vestibulares, em sua maioria, são altamente competitivos e excludentes. Para se ter uma idéia, o vestibular da USP, um dos concursos mais concorridos do país, recebe anualmente mais de 170 mil candidatos e disponibiliza apenas 8.000 vagas.
5. O Número baixo de vagas. Esta reprovação pode também estar vinculada, principalmente, ao sistema pedagógico e social do Brasil, já que não foram criadas vagas suficientes para atender à demanda do país.
6. A variável emocional pode ser uma das causas: dificuldade ou falta de repertório em lidar com a alta cobrança dos pais, familiares e amigos e com os resultados negativos de vestibulares anteriores. É importante ficar claro que a capacidade do candidato, muitas vezes, não está relacionada com o resultado do vestibular.
7. A variável saúde: passou mal durante ou no período da prova, não estava preparado fisicamente etc.
8. Faltou rotina e planejmento nos estudos.

O que fazer, então?
1. Analisar os motivos pelos quais o candidato não conseguiu chegar ao resultado esperado.
2. Verificar as matérias onde os erros foram mais freqüentes, isso é primordial para que eles não se repitam em uma próxima oportunidade. Caso o candidato encontre dificuldades neste processo, é importante que procure a orientação de professores ou especialistas. Os resultados desta etapa se refletirão nos próximos passos.
3. Detectadas as causas da reprovação, o negócio é organizar os planos de estudo. É preciso entender que o vestibular não aprova especialistas em assuntos específicos, mas aqueles que têm domínio de conteúdos nas mais diversas áreas do conhecimento. Por isso, o ideal é que o estudante dedique parte de seu tempo aos assuntos que sente maior dificuldade, mas, sobretudo, que não se esqueça de reciclar os conhecimentos nas demais disciplinas. Isso evita que elas se transformem em futuras ciladas. No entanto, o problema, muitas vezes, não está relacionado à ausência de empenho e, sim, à falta de orientação de estudos. Nestes casos, aumentar a carga de estudo não é solução. É importante que o aluno procure um auxílio. Desta forma ele conseguirá trabalhar com o tempo de maneira mais eficiente e, conseqüentemente, obter resultados mais expressivos. Além disso, é preciso quebrar a rotina do estudo com a prática de exercícios e boa qualidade de sono. Este mecanismo vai tornar suas horas de estudos mais produtivas.
4. Novos vestibulares de inverno e de verão se aproximam e existem alguns meses pela frente para que você se prepare para uma nova batalha de exames.

Estou desmotivado, o que posso fazer?
É importante usar a sabedoria e avaliar o que foi feito de errado e tentar usar essas informações para melhorar as próximas etapas. Apreendendo com os erros. Tem que ficar claro que todas as pessoas bem sucedidas tiveram muitos fracassos, mas usaram isso para se aprimorarem. A vida não é uma corrida de 100 metros rasos. Ou seja, não podemos viver em função do vestibular ou de alguns tropeços. A vida fica mais suave se for vista como uma maratona. E nesta maratona, a vida consiste de diversas outras atividades, outras pessoas, outras escolhas etc. Ter exemplos de pessoas que passaram por fases difíceis e deram a volta por cima são bons modelos motivacionais para o crescimento e superação. São exemplos disso: O cantor Paul Potts do Reino Unido, o cantor Hebert Vianna dos Paralamas do Sucesso, Betinho, O técnico Bernardinho, o controverso presidente Lula entre outros. Portanto, não desanime antes, não tire conclusões precipitadas e nem deixe de lutar por pequenos empecilhos da vida. A batalha e os desafios continuam e só aqueles que se preparam e aprendem com as lições do dia-dia é que chegam lá.

Em resumo, o que posso fazer para o próximo ano?
Analise seu desempenho na prova, mantenha seus pontos fortes, se empenhe nos fracos, dedique se aos estudos nos próximos meses, lembre-se do lazer, exercícios físicos, boa alimentação e bons noites de sonos também são essenciais para o desempenho. O vestibular é difícil, porém não é impossível. Você pode, basta se empenhar.
Copyright © 2009 Reginaldo do Carmo Aguiar. Todos os direitos reservados.
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Reginaldo do Carmo Aguiar é psicólogo clínico comportamental, analista do comportamento e estudioso das Neurociências.
É também colaborador no cursinho pré-vestibular Oficina do Estudante.
Endereço da clínica: Rua Antônio Arruda Camargo, 195 (esta rua é paralela a Norte-Sul atrás do Burger King) CEP: 13092-170. Bairro: Nova Campinas Cidade: Campinas-SP
Entrar em contato pelo e-mail: psicopoesia@yahoo.com.br.
Blog: www.psicopoesia.blogspot.com/. Fone: (19) 32941005 e (19) 32526513.

2 comentários:

Guih disse...

fiquei mto desanimado em saber que eu nao passei na unicamp! mas adorei o post

Anônimo disse...

Oii,eu tentei pra eng quimica nao passei nem na UFSM e na UFSC, tentei pra eng alimentos no IFT nao passei, UEPG adm pro exterior... e minha mãe me disse q inda bem ganhei um cursinho gratutito senao era dinheiro jogado fora, oq posso fazer ?