sábado, 17 de novembro de 2007

DDA, TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade Campinas psicologia

O que é o TDAH? Como é caracterizado?
O TDAH é caracterizado por uma falha na captação do neurotransmissor dopamina pelos neurônios. Em uma pessoa normal, a dopamina é liberada por um neurônio com o intuito de estimular outro neurônio. Após esse processo ela volta ao neurônio original, em um ciclo ininterrupto. No cérebro de quem sofre com o transtorno esse processo acontece mais rapidamente. Como conseqüência, a dopamina tem pouco tempo para ativar os neurônios vizinhos. Doença diagnosticável a partir dos cinco anos de idade, o TDAH, se não tratado desde cedo, persiste em 75% dos adultos que apresentaram sintomas na infância. Este é um transtorno de inicio precoce (antes dos sete anos) e estão presentes na maioria dos ambientes como lar, escola e comunidade. O transtorno tende a ser crônico, e 50% ou mais das crianças com TDAH continuarão a apresentar sintomatologia significativa na adolescência e na idade adulta. 5% dsa crianças e jovens tem este problema. Eles apresentam problemas educacionais, comportamentais e sócio-emocionais. É caracterizado por déficits de atenção, atividade motora excessiva e crônica e impulsividade ou falta de controle e não se relacionam com a idade da criança. Há discrepância entre níveis de desenvolvimento cognitivo e os problemas manifestos de autocontrole.

Como é a evolução do distúrbio hiperativo?
As manifestações condutuais do distúrbio hiperativo variam com o nível de desenvolvimento da criança:
Idade pré-escolar: déficit de atenção, atividade motora excessiva, falta de autocontrole, problemas na alimentação/sono, inquietação excessiva e episódios de negativismo ou birra.
Idade escolar: mesma sintomatologia acima e uma série de perturbações secundárias que afetam as relações interpessoais e aprendizagem escolar.

Como fica o ambiente familiar, escolar, interpessoal e pessoal de um indivíduo com TDAH?
Os pais se sentem impotentes diante da atividade exagerada da criança e de suas condutas opositoras e temem conseqüências negativas do comportamento que podem levar ao isolamento social da mesma.
As interações com os iguais são reduzidas em função da impulsividade e agressividade da criança. Carecem, portanto, de experiências sociais e o isolamento e rejeição social interferem diretamente na valorização de si mesmo.
No que se refere à aprendizagem escolar, em função dos aspectos atencionais do distúrbio, há uma dificuldade da criança em perceber estímulos relevantes para estruturação e execução adequada das tarefas.
Na adolescência as alterações secundárias se exacerbam, aparecendo, com freqüência, condutas anti-sociais, ao passo que o nível de auto-estima do indivíduo é afetado.


Quais as intervenções Cognitivo-Comportamentais existentes?
1) Treinamento de auto-instrução.
2) Discurso de auto-orientação:
(o autocontrole é regulado pelo discurso oculto. Essas crianças têm um retardo no desenvolvimento do discurso autodirigido (falar consigo mesma)).
Procedimento:
1. as auto-afirmações são moldadas pelo instrutor verbalmente;
2. a criança faz as mesmas tarefas com a orientação do instrutor;
3. a criança a mesma tarefa enquanto instrui a si mesma em voz alta;
4. a criança desempenha a tarefa enquanto sussurra as instruções;
5. a criança faz a tarefa enquanto orienta sua conduta por meio do discurso privado.
O auto-reforço faz parte de todas as etapas da auto-instrução.

3) Treinamento de Resolução de Problemas
O treinamento é dirigido para engajar a criança com TDAH no sentido de seguirem uma série de passos cognitivos antes de dar a resposta para uma situação social problemática.
a) reconhecer a existência de um problema;
b) geração de alternativas para a solução de problemas;
c) avaliação das conseqüências de diferentes alternativas;
d) revisão dos resultados da alternativa selecionada;
e) reforço.
4) Retreinamento de atribuições e os procedimentos de inoculação de estresse.

5) Auto-monitoramento: A criança parece não ter consciência do próprio comportamento. É importante ensinar a criança a observar aspectos específicos e registros do comportamento.
As crianças não conseguem avaliar cuidadosamente seu desempenho na tarefa ou verificar a qualidade de seu trabalho.
6) Treinamento de correspondência. (aumentar a correspondência entre o que uma pessoa diz que vai fazer e o seu real comportamento).
O medicamento para TDAH deve ser indicado?
Atualmente o tratamento para esta doença é feito a partir do metilfenidato, uma substância psicoestimulante, princípio ativo do medicamento Ritalina. Esse composto químico bloqueia a recaptação da dopamina, cortando o ciclo. Com isso, a dopamina fica por mais tempo disponível entre os neurônios, aumentando suas chances de ser absorvida por algum deles. O problema é que o metilfenidato age no cérebro da mesma forma que a cocaína, podendo produzir dependência química nos seus usuários. Por conta disto, todos os medicamentos que possuem esse composto em sua formação têm a venda controlada e levam uma tarja preta do Ministério da Saúde.
As crianças com Transtorno por Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) que tem disfunções estritamente orgânicas respondem precocemente aos estímulos devido a uma disfunção no lóbulo frontal do cérebro. Segundo, o reconhecido psicólogo comportamental Hélio Guilhardi, há casos, porém, nos quais o organismo é diagnosticado como não intacto(problema somente orgânico), por profissionais da área médica, mas é um diagnóstico puramente conceitual, não biológico. Neste caso, até que se demonstre factualmente que o organismo não é intacto, o analista de comportamento deve se ater, exclusivamente, às contingências de reforçamento (história de vida do indivíduo) que selecionaram e mantêm os padrões comportamentais da queixa. Atende-se, desta forma, a uma das atitudes básicas da ciência, qual seja a parcimônia: sempre comece a investigação pela explicação mais simples. Assim, uma criança classificada como hiperativa, portadora de déficit de atenção(TDAH) pode ter tido um repertório de déficits ou excessos comportamentais específico modelado por atenção; pode não possuir nos contextos de vida cotidiana repertório de comportamentos incompatíveis com os indesejados, que possam produzir reforços generalizados – explicações compatíveis com determinação por contingências de reforçamento –; e não apresentar tal repertório de déficits e excessos em função de alterações neurológicas presumidas, mas não demonstradas. A propriedade de uma explicação ou outra deve provir do manejo de variáveis de intervenção e não de preferências profissionais. E, finalmente, mesmo que haja alterações neurológicas, o papel do analista do comportamento se faz essencial: alterações orgânicas não determinam comportamento; contingências de reforçamento, sim. Organismo intacto ou não intacto é o locus de ação das contingências de reforçamento, e a funcionalidade bio-fisiológica interage com a funcionalidade do ambiente; não se excluem. Reconhecer a interação não significa confundir objeto de estudo, nem procedimentos próprios de cada área.
Neste sentido associar a terapia com a medicação psicoestimulante pode ser interessante em alguns casos que a análise comportamental seja bem feita para verificar se o organismo não é intacto ou seja que o problema é mais orgânico que construído comportamentalmente.

O que se pode fazer para ajudar o educador/professor que trabalha com um indivíduo com TDAH?
O psicoterapeuta tem que orientar o profissional da educação para a:
- Seleção adequada de estímulos relevantes para a execução da tarefa a fim de evitar excesso de informação contaminadora.
- Esclarecimento da tarefa e de seus aspectos chaves.
- O controle de elementos externos, tanto físicos quanto humanos que sejam potenciais dispersores.
- Favorecer grupos de trabalho reduzidos.
- Sequenciação de atividades adequadas para não incitar a frustração da criança.
Graduação do problema para evitar saltos dos problemas fáceis para os difíceis

A cafeína pode ser usado para tratar o TDAH?
Imagine tratar com café os pacientes do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, o TDAH. É o que sugere um recente estudo do Laboratório de Psicofarmacologia, do Departamento de Farmacologia da UFSC. Chamado de “O sistema adenosinérgico como alvo farmacológico na terapêutica do prejuízo atencional em um modelo animal do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade”, o projeto é coordenado pelo professor Dr. Reinaldo N. Takahashi e realizado pelos estudantes de pós-graduação Rui Daniel S. Prediger e Fabrício A. Pamplona desde seu início, no segundo semestre de 2003. Os pesquisadores da UFSC verificaram é que a cafeína, substância presente em várias bebidas, entre elas o café, também age como estimulante da dopamina. Mas, ao contrário do metilfenidato, que bloqueia o ciclo desse neurotransmissor, a cafeína aumenta a liberação da dopamina que, em maior quantidade, pode atingir e ativar mais neurônios vizinhos. As grandes vantagens do uso da cafeína são de que além de ser uma substância mais barata que o metilfenidato, apresenta um menor risco de causar dependência química.
Esse resultado foi obtido após seis meses de testes em cerca de 150 ratos de duas linhagens distintas: uma normal, chamada Wistar, e outra hipertensa, conhecida pela sigla SHR (spontaneously hypertensive rat, em português, “rato espontaneamente hipertenso”). Essa linhagem foi usada porque se sabe que além de ser hipertensa, ela apresenta uma série de características semelhantes às dos pacientes de TDAH.
Como parte da pesquisa, os ratos foram avaliados em uma espécie de ‘piscina’ cheia de água chamada de “labirinto aquático”. Com dimensões de 1,7 metro de diâmetro por 0,8 metro de altura, essa piscina contém uma plataforma transparente e submersa (invisível aos ratos). O experimento consistia em treinar os ratos a achar essa plataforma. Era dado um minuto para cada animal atingir esse objetivo, que foi repetido por dez sessões consecutivas com cada animal. Em média os ratos Wistar aprenderam a achar o caminho já na terceira tentativa, enquanto que os SHR demoraram mais: só na sétima vez eles conseguiram encontrar a plataforma.
Uma quantidade pequena de cafeína, equivalente à contida em uma xícara de café, foi aplicada em outros ratos hipertensos cerca de meia hora antes dos experimentos. Após essa injeção, eles foram submetidos aos mesmos testes. Sob influência da cafeína, viu-se que eles achavam a plataforma já na terceira sessão, de maneira semelhante aos ratos Wistar. Por esta razão, os pesquisadores da UFSC propõem, com as devidas ressalvas, que a cafeína pode representar no futuro uma nova alternativa para o tratamento do TDAH.
Eles destacam o fato da cafeína já ter sido estudada em crianças com transtorno entre os anos 70 e 80, apresentado resultados muito promissores. Para Prediger, que coordenou os testes deste projeto, as pesquisas com a cafeína podem ter sido interrompidas no passado em virtude da descoberta do metilfenidato, e um possível “lobby” da indústria farmacêutica na constante procura por medicamentos mais rentáveis.
Outra descoberta importante deste estudo é que a cafeína não alterou os níveis de pressão dos ratos hipertensos, demonstrando que estas duas características parecem não estarem correlacionadas. “Estamos dando para os ratos uma substância que melhora sua atenção sem alterar a sua pressão”, comemora Prediger.
Essa é a primeira fase das pesquisas. Para se tornar um medicamento disponível em farmácias, a cafeína precisa ser testada em humanos, o que não deve acontecer nos laboratórios da UFSC. “No Brasil é difícil achar um banco de dados confiável de portadores de TDAH para aplicar essa pesquisa”, lamenta. Para um estudo como este, seriam necessárias mais de cem pessoas dispostas a passar por um prolongado cronograma de testes.
Os resultados das pesquisas com a cafeína em ratos SHR foram apresentados pela primeira vez no Congresso do Colégio Internacional de Neuropsicofarmacologia (CINP), realizado em Montreal, no Canadá, em setembro de 2004. A revista inglesa International Journal of Neuropsychopharmacology apresentou as conclusões deste estudo recentemente. No segundo semestre deste ano, o estudo será apresentado pelo Prof. Reinaldo Takahashi e o doutorando Rui Daniel S. Prediger durante a Semana da Biologia na UFSC."
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8 comentários:

Anônimo disse...

Olá! eu gostei da pesquisa realizada, pois isso ajuda pessoas como eu que sou leiga no assunto a ficar um pouco mais esclarecida para ajudar o homem que eu amo, pois ele é portadordesta sindróme e se eu souber como lidar com a doença,saberei como ajudar o meu amor, pois é muito difícil... Uma hora ele me ama na outra ele não lembra de mim...Mas o amor que sinto por ele é mais forte e me dá forças para continuar amando-o mesmo ele não me querendo por perto.Pois ele diz que me adora, me ama, me deseja mas não pode ficar na minha vida por que logo pode perder sua identidade..É muito difícil e sofrido, as vezes penso em desistir, mas eu o amo muito, isso me faz ficar...Obrigada pelo espaço..escritora Neyde Silva.

Anônimo disse...

Parábens pelo blog, anseio que sejam criados outros com conteúdos tão importantes para desenvolvimento e informação das pessoas quanto este.

ismavolk disse...

Olá, gostei de ler este post sobre o assunto TDA(h).
Existem novidades sobre a pesquisa? Houve evolução?

Parabéns pelo blog!
Ismael

ismavolk disse...

teste

Anônimo disse...

Postagem prazeroza neste sítio, textos como aqui está demonstram valor a quem analisar neste espaço !!!
Realiza mais deste blogue, a todos os teus utilizadores.

Anônimo disse...

Olá, tenho TDA, estou com 34 anos, nao gostaria de tomar remédios e gostei muito de saber sobre o efeito da cafeina na liberaçao da dopamina.Existe alguma outra substancia (dentro da alimentaçao) q melhore este transtorno?

Anônimo disse...

Comecei a ler sobre o assunto recentemente, porque acredito que tenho muitos sintomas pertinentes ao TDAH. O mais recente que li foram os livros da Dra. Ana Beatriz Silva - "Mentes ansiosas", "Mentes inquietas" e o que conclui é que lá ela indica o tratamento medicamentoso. Mas pelo que pude perceber em outros artigos, os medicamentos sobretudo para crianças e adolescentes podem ter resultados devastadores. E num outro artigo os pais procuraram escolas mais adequadas aos seus filhos para integrá-los sobretudo socialmente com menos pressão sobre o aprendizado o que trouxe resultados positivos - para isso os pais foram mais compreensivos, mais tolerantes e colaboradores com seus filhos com TDAH. O assunto ainda não é conclusivo em nenhuma opção de tratamento. É preciso investir e investigar mais. Sou leiga para opinar. Aguardo novidades sobre TDAH. Excelente blog!

Borges disse...

Olá, sou portadora de hiperatividade impulsividade entretanto com baixo déficit de atenção, mas o que andei refletindo que por toda minha fase de adolescência e estudo sempre foram acompanhados de muito café, não sei se isso em ajudou no desempenho acadêmico, mas sem café eu não conseguia sei lá, muito interessante a pesquisa.