sexta-feira, 23 de março de 2007

Sobre a simplicidade e a profundidade

"Só os que têm segurança de si mesmoms conseguem ser modestos"
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quinta-feira, 22 de março de 2007

É possível uma ciência do comportamento ?

Haverá leis que descrevam o comportamento humano? O filósofo norte-americano Donald Davidson dizia que o que distingue o comportamento humano é o fato de que este não poder ser capturado por leis de espécie alguma. Em outras palavras, identificamos, no mundo, o comportamento, precisamente por sua plasticidade e flexibilidade, o que o impediria de ser capturado por leis universais. Esta identificação começaria com a idéia de resposta diferencial que atingiria, na sua forma mais avançada, uma imprevisibilidade essencial, que resultaria da elevada plasticidade do comportamento de organismos complexos na sua interação com o meio ambiente. As leis do comportamento, se é que as há, não seriam como as leis da física (pelo menos não da macrofísica), ou seja, expressão de necessidade e inexorabilidade. Leis científicas são construções lingüísticas e a linguagem se derivou do comportamento. É o comportamento que explica a linguagem e não vice-versa. Tentar explicar o comportamento a partir da linguagem seria tão absurdo quanto supor que quem observa através de um microscópio poderia ver de que cor é seu tubo. Construir uma ciência do comportamento seria uma tarefa que extrapolaria nossas capacidades cognitivas. O comportamento seria um evento físico, mas não poderia ser capturado pelas leis da física, embora, supostamente, sua ocorrência não seja incompatível com essas leis. Esta posição ficou conhecida pelo nome de monismo anômalo. Monismo, pois Davidson era um filósofo materialista, a despeito de não acreditar na possibilidade de tratar o comportamento apenas como um evento redutível à física. Não haveria tampouco leis psicofísicas na medida em que não há repetições nem possibilidade de universalizar uma correspondência biunívoca entre um determinado estado mental e seu correspondente estado cerebral. A psicologia estaria sempre lidando com o anômalo, o que a impediria de ser uma ciência capaz de efetuar previsões seguras. Mas seria isto suficiente para vetar a possibilidade de uma ciência do comportamento? Poderíamos dizer que a psicologia se aproxima de algo como a metereologia, embora esta possibilidade alternativa de modelo de ciência não parece ter sido levada em conta por Davidson. Esta não tem leis, pelo menos não leis no sentido da ciência clássica, para quem a melhor metáfora do mundo seria o relógio, o exemplo perfeito de dispositivo causal e determinista. Isto nos encaminha para uma posição um pouco mais branda na discussão da existência e natureza de leis psicológicas. Estas poderiam ser apenas regularidades indutivas, ou seja, leis probabilísticas, cujo alto grau de incerteza nelas contida impedir-nos-ia de traçar qualquer tipo de previsão universal. Esta posição mais branda é defendida por Skinner. Sua caracterização de uma ciência do comportamento se aproximaria mais do modelo científico pós-moderno, no qual a ciência não é mais um inventário de certezas, mas algo que se constrói sobre um terreno de areia movediça e precisa equilibrar-se o tempo todo, através de constantes revisões. A metáfora das certezas, o demônio Laplaciano seria substituído, finalmente, pela aceitação da idéia desconfortável de algo erguido sobre um alicerce pantanoso, como nos sugeriu Popper.Ausência de fundamento sólido e expressão de probabilidade parece ser a essência da ciência pós-moderna. A mecânica quântica nos remete para esse novo modelo de ciência e se nelas podemos apontar leis, estas são de natureza probabilística. Neste caso, como apontou o filósofo americano Patrick Suppes, a psicologia não precisaria ser situada tão distante da física, ou pelo menos da micro-física. A predominância da probabilidade não põe em questão o estatuto de cientificidade da física, mas nem o da psicologia, tampouco. Mas há um outro aspecto envolvido na possibilidade de construção de uma ciência do comportamento da ciência do comportamento: a existência de leis especificamente comportamentais. Isto garantiria à ciência do comportamento sua esfera própria e a impossibilidade de reduzir o comportamento à sua dimensão exclusivamente fisiológica ou biológica. Da mesma maneira que a equação de Hodgkin Huxley (que descreve o fluxo iônico que controla a dinâmica dos impulsos nervosos) estabelece um domínio próprio para a neurociência que não pode ser reduzido à física, haveria regularidades na ação humana que não poderiam ser reduzidas nem tampouco explicadas pela fisiologia ou pela biologia. Mesmo sem falar de leis e sim de aproximações indutivas, Skinner defende a possibilidade de uma ciência do comportamento, na medida em que esta teria um objeto próprio, recusando, assim, o reducionismo fisiológico. Topamos aqui com mais uma diferença fundamental entre o behaviorismo radical e o metodológico. O behaviorista metodológico acredita na possibilidade de regularidades do comportamento tornarem-se leis universais ou generalizações universais. Esta é a perspectiva de Hull, que quis fazer uma ciência do comportamento a partir de modelos matemáticos, ou seja, matematizar o movimento dos organismos da mesma maneira que a física clássica se impôs a partir da matematização do movimento dos corpos físicos, descobrindo suas equações fundamentais.Skinner acreditava na existência de leis especificamente comportamentais, que surgem da interação não apenas de organismos com seus ambientes, mas da interação também com outros organismos, ou seja, interação entre vários comportamentos. Esta interação pode dar origem a variáveis ambientais novas, que determinarão, por sua vez, novos tipos inéditos de comportamentos. A riqueza proporcionada pela interação entre comportamentos os torna dificilmente previsíveis a partir do ponto de vista de outras ciências como, por exemplo, a física ou a biologia. Mas não é só a imprevisibilidade de comportamentos complexos que abre caminho para uma ciência do comportamento com domínio e objeto próprios. Este é construído na medida em que se assume a hipótese de que não há uma correspondência biunívoca entre a ocorrência de comportamentos e seus correlatos neurais/mentais – uma hipótese cada vez mais confirmadas pelas investigações neurocognitivas de pesquisadores como Libet e Wegner. É aqui que começa a ciência do comportamento. Ou seja, a causa de comportamentos novos tem de ser encontrada fora dos limites dos estados internos do organismo que os produz. É neste sentido que a fisiologia e a neurociência não podem nos dar uma descrição completa das interações que um organismo estabelece com seu meio ambiente onde estão presentes comportamentos de outros organismos. Da mesma maneira, é possível sustentar que comportamentos – em especial comportamentos de outros organismos - podem ser os determinantes de correlatos neurais/mentais de um organismo e não apenas ser produzidos por estes. Um exemplo típico deste último tipo de interação é a sala de aula do futuro proposta por Skinner como parte de suas tecnologias educacionais. Esta seria uma espécie de ambiente onde se entrecruzam diferentes comportamentos, predominantemente verbais que podem dar origem a novas (inesperadas) variáveis ambientais. Seria neste momento que “insights” ou percepções da novidade podem ocorrer, ou seja, quando um novo comportamento surge de uma nova intersecção de variáveis ambientais produzidas pelos organismos. É este o momento no qual podem nos ocorrer poemas : o sujeito é um grande nó no qual se cruzam variáveis ambientais e do qual o inesperado pode brotar. É neste sentido que não somos autores de poemas, mas tornamo-nos autores deles. A criatividade teria sua origem na interação entre comportamentos. A ciência do comportamento seria a ciência da criatividade humana. O comportamento teria, então, uma poiesis específica que o determina como um conjunto de fenômenos sui generis, cujo estudo de seus specimens merece uma disciplina à parte. Esta posição defendida por Skinner ecoa dizeres de Wittgenstein sobre a mente humana, que afirmava que “uma das idéias mais perigosas para o filósofo é supor que pensamos “com” nossas cabeças ou “em” nossas cabeças”. (ver Zettel, 1967). Isto quer dizer que, por exemplo, tentar abordar a natureza das relações interpessoais reduzindo-as a fisiologia seria um total contra-senso.Um contra-senso que se assemelharia à tentativa de prever o resultado de uma partida de futebol através do estudo da fisiologia dos jogadores. Esta é uma obviedade que se contrapõe, contudo, às pretensões da neurociência contemporânea, que, por sua opção metodológica de estudar o cérebro como se este estivesse numa proveta, esqueceu que ele se ramifica para um corpo que se movimenta e interage com seu meio ambiente. O erro de Skinner, contudo, foi supor que essa ciência do comportamento – a ciência das interações - esgotaria a investigação psicológica e que deveríamos considerá-la como o único objeto possível para a psicologia. Seus críticos, porém, fizeram pior ao negar a possibilidade de uma esfera ontológica própria do comportamento ao tentar reduzi-lo à fisiologia. Seria interessante, contudo, perguntar a Skinner (se pudéssemos) se ele poderia enumerar algumas dessas leis especificamente comportamentais. Pois, a despeito de inúmeros estudos na análise do comportamento, de humanos ou de infra-humanos nunca se pôde abstrair generalizações universais. A ciência do comportamento teria de se conformar em não se expandir apara além do estudo de casos, ou seja, a partir de aproximações indutivas. Não poderíamos construir uma gramática geral do comportamento, algo que se assemelharia a algo como a gramática das cores como foi proposta por Wittgenstein. A ciência das interações pode enriquecer-se com outras associações, como por exemplo, com a inteligência artificial social, ou seja, o estudo de como o comportamento de robôs pode influenciá-los mutuamente e de como esta interação, por sua vez, retroage sobre eles, criando ambientes complexos. Esta é a associação entre behaviorismo radical e um dos ramos mais importantes da ciência cognitiva contemporânea, qual seja, a Nova Robótica de Rodney Brooks - associação que propus no meu livro “Filosofia da Mente: Neurociência, Cognição e Comportamento” (2005). Ao contrário da robótica tradicional que aposta na expansão de memória e pré-determinação do comportamento, a nova robótica aposta na interação com o meio ambiente e com outros comportamentos. Tenta-se replicar a inteligência pela produção de comportamentos complexos e não pela replicação do cérebro (ou da mente) que os produziria. Comportamentos novos são chamados de emergentes e a probabilidade de prever quando eles acontecerão é também muito baixa. Contudo, na medida em que poderíamos ir construindo viveiros de robôs cada vez mais numerosos e complexos isto iria ampliando a possibilidade de testar os resultados das interações comportamentais. Em vez de estudar o comportamento, procuraríamos replicá-lo, tornando, assim, as interações comportamentais testáveis, permitindo atribuir a seus modelos uma razoável cidadania científica.
Mente, Cérebro e Consciência: João de Fernandes Teixeira é professor no Departamento de Filosofia da Universidade Federal de São Carlos. Autor de diversos livros na área de filosofia da mente e ciência cognitiva, dentre os quais destacam-se "Mente, Cérebro e Cognição" (Vozes, 2000), "Filosofia e Ciência Cognitiva" (Vozes, 2004) e "Filosofia da Mente: neurociência, cognição e comportamento" (Claraluz, 2005).

Sobre além do bem e do mal

Não só quem nos odeia ou nos inveja
Não só quem nos odeia ou nos inveja nos limita e oprime;
Quem nos ama
Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
De afetos, tenha a fria liberdade
Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
Homem, é igual aos deuses.
Ricardo Reis (Fenando Pessoa)
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segunda-feira, 19 de março de 2007

Sobre sabedoria

"Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância"

Sócrates
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quarta-feira, 14 de março de 2007

Sobre a importância do sono em nossas vidas

Uma noite mal dormida pode causar os piores pesadelos durante o dia. Além das olheiras, estresse, cansaço, ansiedade e da sonolência, funções essenciais como a memória, atenção, concentração e até a secreção de alguns hormônios também são prejudicadas. Pois não basta dormir, é preciso descansar com qualidade.
Aproximadamente um terço de toda nossa vida passamos dormindo. E temos a ilusão de acreditar que nestas oito horas não nos comportamos. Muitas pessoas não sabem, mas elas dormindo a cada 20 minutos se movimentam do lugar. È um pé que se desloca, um braço que se estica, uma respirada mais ofegante e assim por diante. O sono é um estado comportamental e também bastante ativo porque produz respostas também no campo cognitivo, emocional e fisiológico.
Fisiologicamente durante o sono secretamos diversos hormônios (mais nas regiões periféricas do corpo) e neurotransmissores excitatórios e inibitórios (mais nas regiões do sistema nervoso central). Para ilustrar isto citaremos dois hormônios importantes: A melatonina e o GH que são excretados a noite. O primeiro está relacionado com o claro- escuro, quando escurece o seu cérebro começa a produzir melatonina que dará sinais para outras regiões cerebrais para iniciar o sono. A melatonina é que sincroniza a hora de você dormir. E é um dos motivos pelos quais as pessoas que trabalham a noite reclamam de insônia, seu relógio biológico interno fica sem o referencial externo da claridade natural e sua melatonina fica descontrolada. O hormônio GH é um hormônio do crescimento que é produzido durante todas as noites, cuja produção não é apenas na infância para o crescimento das crianças como sempre se imagina, todavia, ele tem a função da regeneração celular durante todo o ciclo da vida.
O sono tem diversos estágios, os profundos e reparadores das funções orgânicas e cognitivas que são os chamadas delta e REM. A fase REM é caracterizada pelo movimento rápido dos olhos, pelo sonho, aumento da descarga elétrica no cérebro, atonia muscular, aumento da frequência cardio-respiratória, dentre outros... Uma pessoa comum passa por quatro ou cinco vezes pelo sono REM durante uma noite. Para chegar a esses estágios profundos, o sono deve ter qualidade e continuidade. O sujeito que acorda durante a noite ou dorme poucas horas durante a noite provavelmente passará pouco por estas fases importantes de recuperação.
O sono REM é importante para a memória, experimentos com ratos, macacos e humanos tem demonstrado isso. Em humanos, por exemplo, crianças com deficiência mental tem menos sono REM, crianças super dotadas tem mais que a média, há pesquisas com aumento do sono REM em estudantes universitários americanos durante a época de provas e pessoas que lembram mais palavras e atividades quando passaram pela fase REM.
Ratos que são levados a experimentos que forçam-os a ficarem acordados durante dias (privação de sono), comprovam que depois de suportarem 20 dias eles morrem e uma da causa mortis está relacionada a diminuição da resistência imunológica. Fizeram um experimento com 100 pessoas (adultos e jovens) e descobriram que 40% tinham problemas do sono. Fizeram com que estas pessoas dormissem uma hora a mais por dia. Logo, houve aumento no sono REM e os efeitos foram aumento no rendimento escolar, no humor, na atenção, na memória e diminuição nos acidentes de trabalho.
As pesquisas experimentais com animais e seres humanos revelam que o álcool aumenta o ronco e dificulta o indivíduo a entrar em estágios do sono restauradores, como o REM, por exemplo. O uso freqüente e prolongado de Benzodiazepínicos (ansiolíticos) a longo prazo dificultam a memória e o aprendizado. É interessante salientar que o Clonazepan (Rivotril – nome comercial) que é um ansiolítico de tarja preta, de venda controlada, que é na maioria receitado para as pessoas dormirem é o segundo medicamento mais vendido no Brasil, sendo mais vendido que a aspirina.
No entanto, para uma melhor performance e eficácia do sono a Higiene do Sono tem colaborado bastante com algumas dicas importantes para direcionar alguns indivíduos que tem dificuldade para dormir:
a) Exercícios físicos regulares de três a quatro vezes por semana
b) Alongamentos leves antes de dormir
c) Não tomar café cinco a seis horas antes de dormir, a cafeína e seus derivados são estimulante de difícil eliminação no organismo. Um copo bem morno de leite é bem vindo.
d) Comer alimentos leves ricos em carboidratos, pães, batata, pizza, massas, etc.., evitando com isso proteínas e coisas picantes.
e) Ter horários regulares para dormir e acordar.
f) A cama fica restrita ao ato de dormir e sexo: televisão não é boa idéia, pois a pessoa se acostuma a ficar na cama sem dormir.
g) Uso de Internet a noite ou assistir filmes que estimulam muito prejudicam o início do sono.
h) Prática de meditação e yoga tem resultados muito favoráveis.
i) Quarto o mais escuro possível e com poucos barulhos
j) Uso abusivo de psico estimulantes como por exemplo, anfetaminas, ecstasy, cocaína que são substâncias que estimulam o sistema nervoso central afetam o sono das pessoas.

Todavia, se os sintomas persistirem o melhor é buscar ajuda profissional porque pode se tratar de distúrbios do sono. Dessa maneira, um bom profissional fará uma boa entrevista comportamental para investigar o histórico bio-psico-social da pessoa. A terapia comportamental feita pelos psicólogos parte desta perspectiva e tem proporcionado resultados muito satisfatórios para os diversos comportamentos inadequados e distúrbios do sono. Ela é objetiva, clara e parte de um trabalho árduo de pesquisas e práticas que são comprovados cientifica e experimentalmente visando sempre a história do indivíduo e o seu ambiente. Além disso, o psicólogo pode encaminhar para outros profissionais competentes quando o problema for de caráter estritamente (bio-químico) não emocional.
Este texto foi escrito por Reginaldo do Carmo Aguiar para o site da Oficina do Estudante, que é um cursinho vestibular de Campinas-SP.
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terça-feira, 13 de março de 2007

Porque atualmente tantas pessoas estão com depressão e outras psicopatologias?

Atualmente as pessoas tendem a dizer que o número de pessoas com depressão, “pânico”, estresse, ansiedade, fobias, psicopatologias (“doenças da mente”) em geral e outras patologias referentes ao estresse estão em um alarmante crescimento. A causa deste aumento de quadros patológicos, ingenuamente, é devido unicamente ao excesso de estresse na nossa sociedade contemporânea. Como, por exemplo, o excesso de trabalho ou cobranças, a dupla jornada de trabalho das mulheres, o trânsito, a insegurança nas ruas, dentre outros... O ambiente em que estamos inseridos é muito aversivo e por isso nos sentimos desconfortados. Tendemos a acreditar que este caos, este pandemônio, é exclusivo deste período de nossa história atual. Este argumento é pobre, isto porque se compararmos a períodos de nossos ancestrais, imagine gerações bem anteriores as nossas que viviam basicamente da sobrevivência e reprodução, há 100.000 anos atrás em que o estresse ou pelo menos as condições ambientais aversivas reais que promoviam os medos eram 100 vezes maiores que as atuais. Não precisamos ir longe demais. O período da revolução industrial no século 18 e 19, onde as pessoas viviam trabalhando 18 horas diárias de deveres, dormindo mal e vivendo em lugares sub-humanos, que não lhes asseguravam suas saúdes e sem o mínimo de direitos. Ou, as guerras e suas conseqüências são exemplos bastante contemporâneos de ambientes inadequados para a sobrevivência humana. Isto quer dizer que falar que vivemos em um mundo problemático e em crise, jamais visto, devido ao mundo atual é um grande equívoco. Somado a isso dizem que este caos aumentou as psicopatologias nas pessoas.
Um argumento para este crescimento de psicopatologias deve envolver variáveis biológicas e históricas que influenciam o modo do homem se comportar. Uma evidência para o crescimento destes comportamentos “inadequados” deve-se a um melhor diagnóstico devido ao desenvolvimento das ciências experimentais que desenvolveram novas tecnologias para melhor identificar, analisar e propor tratamentos mais eficazes aos comportamentos não adaptados. Experimentos com algumas espécies animais dentro de laboratórios, pesquisas experimentais com humanos, análises estatísticas com amostras relevantes e adequadas, pesquisas aprimoradas, aparelhos de Ressonância Magnética e de tomografia, exames de rotina como o de sangue e polissonografias, e outras diversas ferramentas são contribuições importantes para a nossa sociedade. Isto quer dizer que sempre existiram pessoas que adoeceram por causa de câncer, depressão, ansiedade e psicose graves e assim por diante. No entanto, apenas nestas últimas décadas é que melhor estão sendo diagnosticadas devido ao desenvolvimento tecnológico vigente. Portanto, hoje estes problemas podem ser contabilizados porque são melhor identificados.
Uma segunda evidência para este aumento de “psicopatologias” deve-se aos meios de comunicação com fins lucrativos. Onde as informações apresentadas a cerca dos problemas psicológicos e psiquiátricos raramente são confiáveis. Vivemos em uma sociedade em que a televisão é o único meio de comunicação de milhões de pessoas no Brasil, um veículo de massa, que é símbolo de um encurtamento do tempo e do espaço. Ou seja, a mídia apresenta fatos que ocorrem no presente, todavia não contextualizam a partir de uma construção sócio-histórica. A televisão também reflete o encurtamento do espaço já que ela edita e seleciona apenas cenas que proporcionará maior audiência ou uma melhor estética; Ela vive do show business, da informação espetáculo. E esse show negociável geralmente não compete com a saúde psíquica dos cidadãos. Os fatos apresentados nela não focalizam a totalidade das informações relevantes, seja no espaço, seja no tempo. Uma vez vi uma matéria na televisão que falava sobre a depressão. A matéria foi exibida de maneira tão inadequada e com informações distorcidas em que o sentimento de tristeza eventual, esporádica, passageira que todos no dia-dia estamos sujeitos a sentir podia ser confundido com depressão. É importante salientar que para considerar um quadro de depressão é necessário que alguns critérios estejam evidenciados nos comportamentos sintomáticos (sintomas) do sujeito, levando em consideração alguns aspectos ou dimensões do comportamento: a intensidade, a freqüência, a latência, a topografia e a duração de um conjunto de comportamentos. Isto segundo a classificação dos transtornos mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-IV), mas, além disso, é necessário uma criteriosa entrevista comportamental. Imaginei a repercussão desta matéria, diversas pessoas provavelmente entraram em pânico porque confundiram tristeza com depressão e porque estavam tristes acreditaram estar depressivas. Daí a importância de assistir programas de televisão confiáveis ou buscar informações com um bom psicoterapeuta e psiquiatra para fazer uma boa anamnese (questionário de entrevista para avaliação bio-psico-social) no paciente.
Um outro argumento nesta mesma linha é o comportamento vicário (imitado), que é um comportamento imitativo aprendido através da observação feita ao outro. Isto foi muito vantajoso no decorrer da história evolutiva do homem porque ele poderia observar comportamentos adaptativos e desadaptativos de outros e saber suas conseqüências e resultados apenas observando. E com isso selecionar e emitir comportamentos mais vantajosos para as diferentes ocasiões que foram bem sucedidas pelos modelos. O comportamento vicário, no entanto, é uma faca de dois gumes. Algumas pessoas, por exemplo, que vêem suicídios na televisão tendem a desejar e a experimentar tentativas de suicídio e algumas infelizmente conseguem com êxito. Algumas pesquisas revelam o aumento de suicídios em lugares próximos ou em regiões quando são comunicados em noticiários ou informado pela população. Você já parou para pensar o quanto a televisão influencia o comportamento humano e qual a contribuição das novelas e alguns programas como modelo para os telespectadores?
Uma terceira evidência que está sendo bastante estudada hoje pela ciência é a crença em um Deus, e que tem haver com a espiritualidade humana. O “homem da caverna” acreditava em Deus ou em Deuses. Haja visto o grande número de pinturas rupestres (antigas representações pictóricas conhecidas - 40.000 a.C. - gravadas em abrigos ou cavernas, em suas paredes e tetos rochosos, ou também em superfícies rochosas ao ar livre, mas em lugares protegidos, normalmente datando de épocas pré-históricas) que demonstram os rituais as crenças religiosas da época. O período da Idade Média também foi marcado fortemente pela influência religiosa. Em oposição a estes períodos, no período moderno, René Descartes (1596-1650) radicalizou dizendo que fé e razão eram contraditórios e apenas a razão poderia levar a verdade. Esta valorização da razão chegou apenas a uma minoria abastada socialmente daquela época, mas este paradigma influencou e influencia cada vez mais um grande contingente de pessoas em nossa sociedade. Foi apenas no século XIX com o expoente filósofo Friedrich Nietzsche, é que o homem se viu sem rumo, sem referências, sem consolos metafísicos, sem esconderijos... Neste sentido, tanto a razão quanto Deus foram contestados como ilusões. A conseqüência disso é que o homem atual se vê perdido diante do seu potencial racional adquirido culturalmente e desprotegido desta idéia de Deus poderoso e protetor. Isto o deixou mais responsável perante seus problemas sem que com isso estivesse preparado a resolvê-los ou o deixou responsável por tantas variáveis que seriam de responsabilidade de um Estado, na maioria das vezes, decadente. O homem logo se viu impotente.
A quarta evidência é a falta de políticas públicas em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento na área da saúde, educação, cultura e segurança. A consequência disto são paises com um dos maiores índices de comportamentos desadaptados (estresse, depressão, distúrbios do sono etc.) no mundo. Logo, se não ocorrer políticas coerentes e eficazes nada adiantará.
Uma quinta evidência e uma das mais importantes é que o medo do “homem das cavernas” era muito mais real, físico e por isso ele poderia ter estratégias mais eficazes para solucionar seus problemas e se ver livre e sem preocupações. Diferentemente do homem moderno e contemporâneo em que seu medo é muito mais abstrato, simbólico, fantasioso, aguçado e criando com isso um imaginário mais sofisticado e desadaptativo ao homem que não apenas enxerga o medo físico real. Isto proporcionou desvantagens porque este medo diante do estímulo aversivo não é deixado de lado. É levado até suas últimas consequências, o sujeito leva seu medo para casa, generaliza para suas relações, catastrofiza, fica sob controle de estímulos aversivos, vive no passado ou no futuro etc... Portanto, um conjunto de variáveis explicitam o fenômeno psicopatológico, seja por causa dos melhores diagnósticos, por causa do desserviço da mídia, pela descrença espiritual e religiosa, pelo excesso de atividades no dia-dia, pela falta de políticas públicas eficazes e do homem atual ser mais simbólico do que os seus ancestrais comuns. Isto abre um histórico para um aumento desastroso nos quadros afetivos e ansiogênicos (que produz ansiedade) de nossa sociedade. Uma das alternativas para esta demanda, mas não somente, é procurar bons profissionais da saúde e políticos que entendam o homem a partir de um contexto bio-psico-social. E a priori são nestes profissionais que devemos apostar. A terapia comportamental parte desta perspectiva e tem colaborado e ajudado muitas pessoas proporcionando resultados muito satisfatórios para os diversos comportamentos inadequados. Ela é objetiva, clara e parte de um trabalho árduo de pesquisas e práticas que são comprovados cientificamente visando sempre a história do indivíduo (pré-disposição genética, ambiente e cultura).

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sexta-feira, 9 de março de 2007

Sobre comportamentos operantes

"Os espinhos que me feriram foram produzidos pelo arbusto que plantei"

Byron
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"Se desejas a paz, prepara-te para a paz. Cada um colhe o que planta."

Seramigos
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Sobre crítica

"O mal de todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica."- Norman Vincent
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Sobre sucesso, vitória

" A arte de vencer se aprende nas derrotas"

Simon Bolivar
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Sobre adversidades, dificuldades, estímulos aversivos, ...

"O mundo no qual nós penetramos pelo nascimento é brutal, cruel e, ao mesmo tempo, de uma beleza divina"

Carl Gustav Jung(1875-1961), psiquiatra e psicanalista suiço, criador da psicologia analítica e do conceito de complexo.

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" O insucesso é apenas uma oportunidade para começar de novo com mais inteligência."

Henry Ford
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" No meio de qualquer dificuldade, encontra-se a oportunidade."

Albert Einstein
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" As únicas desgraças completas são as desgraças com as quais nada aprendemos."

William Ernest Hocking
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" Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e às tempestades."

Epicuro
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"Cada lágrima ensina-nos uma verdade"

Ugo Fûscolo
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" Quanto maior a dificuldade, tanto maior o mérito em superá-la"

H. W. Beecher
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" A adversidade é um trampolim para a maturidade."

C.C. Colton
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" Os navios estão a salvo nos portos, mas não foi para ficar ancorados que eles foram criados."

desconhecido
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"O homem que a dor não educou será sempre uma criança"

N. Tommaseo
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"Há quem esteja sempre se queixando de que as rosas tem espinhos. Eu me sinto grato porque os espinhos têm rosas."

Karr
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"Digno de admiração é aquele que, tendo tropeçado ao dar o primeiro passo, levanta-se e segue em frente."

Carlos Ifoxi Vasconsellos
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"As dificuldades devem ser usadas para crescer, não para desencorajar. O espíruto humano se torna mais forte no conflito"

William Ellery Channing
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"Valorize os seus limites, e certamente não se livrará mais deles!"

Richard Bach
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" A arte de vencer se aprende nas derrotas" Simon Bolívar"
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"Conserve os olhos fixos num ideal sublime e lute sempre pelo que você desejar, pois só os fracos desistem, e só quem luta é digno da vida."
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" Não perca a serenidade. O problema pode não ser assim tão difícil quanto você pensa"

André Luiz
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" O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a lidar com os obstáculos."
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Sobre a emissão de comportamentos adequados - amor ao próximo

" Faça o bem quanto possa. Cada criatura transita entre as próprias criações. Valorize os minutos. Tudo volta, com exceção da hora perdida"

André Luiz
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" Use agentileza de modo especial dentro de sua própria casa. Experimente atender aos familiares como você trata as visitas."

André Luiz
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" Se desejas a paz, prepara-te para a paz. Cada um colhe o que planta."

Seramigos
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Sobre ser sensorial, busca de prazer a curto prazo, reforçadores primários...

" É muito difícil pensar nobremente quando se pensa apenas para viver"

Rousseau
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Sobre perdoar

" Perdoa ao inimigo, e facilmente conquistarás amigos."

Publlio Siro
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